sexta-feira, setembro 3

Viajando de trem, ontem e hoje















Acho que são poucas as pessoas nascidas na década de 80 - a minha geração - que viajaram nos trens da Fepasa, aqueles que nossos avós adoravam e contavam mil histórias sobre viagens românticas do passado. Eu viajei quando era criança e vou dizer que não foi uma vez ou outra não, viu? Foram várias, entre o início e a metade dos anos 90, quando ainda morava numa pequena cidade do interior de São Paulo chamada Dois Córregos, a capital nacional da macadâmia! Naquela época, eu e meu irmão passávamos todas as férias escolares aqui em São Paulo, e muitas das vindas para cá eram feitas de trem. Não por questão de preço, conforto ou rapidez, mas porque meus avós, que moravam em São Paulo, adoravam. Eles faziam questão de ir a Dois Córregos nos buscar, de trem, claro, e então voltávamos os quatro nos vagões da Fepasa.

Mas olha, não era fácil não, pelo contrário: viajar de trem era uma tortura (os saudosistas vão querer me matar, mas é verdade!), pelo menos para nós, crianças de 10, 11 anos. O trem já chegava em Dois Córregos atrasado - nós ligávamos na estação para saber se ele estava no horário ou não. Embarcávamos e muitas vezes não havia lugar para sentar - tínhamos de esperar sentados em cima das malas, ou em pé, até que alguém descesse nas próximas cidades e um banco fosse liberado. A batalha seguinte, então, passava a ser o marasmo de viajar sete, oito, nove horas naquele calor, trem lotado, funcionário passando no corredor vendendo pão murcho com mortadela de ontem. Jesus!
Ocorre que neste final de semana eu vivi uma experiência nova relacionada a viagens de trem: fui para Curitiba e fiz um passeio a bordo do Great Brazil Express, trem de luxo administrado pela Serra Verde Express. Nada de lotação, calor ou pão com mortadela. Aí sim uma viagem com aquele toque de romantismo dos "anos de ouro" das viagens ferroviárias. O trem é super bacana, com aquela pinta de luxo dos anos 60, poltronas em veludo vermelho, outras de couro marrom-escuro, móveis de madeira, abajures, lustres, quadros.








































E o roteiro que fiz é bem interessante: o trem sai da estação ferroviária de Curitiba pela manhã e segue para o município de Morretes, em um trecho de 67 quilômetros feito numa ferrovia construída há quase 130 anos em plena Serra do Mar. O visual é lindo: floresta de Mata Altântica preservada, cachoeiras, corredeiras.

Em Morretes, cidade histórica do século 18, a parada é para o almoço, que tem como principal chamariz um prato típico paranaense chamado barreado (carne bovina cozida em panela de barro durante 15 horas, temperada com coentro, bacon, alho, cebola e loro e saboreado com farinha de mandioca semi-torrada e banana). Paralelamente ao barreado, os restaurantes locais costumam servir porções saborosas de camarão, peixe e derivados.
Após o almoço, mais três horinhas de viagem até Curitiba, momento em que o sono vai bater, com certeza. Afinal, você comeu muito bem, está numa poltrona super confortável, o trem tem aquele leve balanço. Não resista, aproveite a paisagem até onde der e se entregue a um bom cochilo.
















































































































terça-feira, agosto 24

E como come-se bem na Bahia

Comer, comer e comer. Estes são três dos principais programas que se têm pra fazer na Bahia. E como se come bem na Terra de Todos os Santos, não? Meu Deus, Oxalá, Saravá, rei! Nesta minha última ida pra lá eu fui levado a um restaurante que, olha, você tem de conhecer. Quer dizer, eu recomendo e vou dizer porquê, aí você vê o que faz, combinado?

Então vamos lá. O restaurante se chama Paraíso Tropical, fica no bairro Cabula e é comandado por uma figura simpaticíssima: o chef Beto Pimentel. O cara é um show à parte, super bem-humorado, empolgante, aquele tipo de pessoa que parece que você conhece já de outros carnavais, emobra o estejam te apresentando naquele momento, sabe? Um grande anfitrião que, se deixar, passa o tempo todo ali com você, explicando cada pequeno detalhe dos pratos que ele cria e serve.

E já que toquei no assunto pratos, eu tenho que chamar a atenção para aquilo que, na minha opinião, é o maior charme da casa: a existência de um pomar envolto por Mata Atlântica, nos fundos do restaurante, onde estão plantados seis mil pés de mais de 200 tipos de frutas. Até pé de amarula o homem tem lá, acredita? E eu que acahava que amarula nascia na prateleira do supermercado, dentro daquelas garrafas marrom-claro que têm uns elefantes desenhados... Outra característica inteessante do Paraíso Tropical é que os itens nascidos nesses seis mil pés - como você, audaz que só você, já deve ter feito a ligação - são usados na composição dos pratos, em substituição aos produtos industrializados, o que deixa tudo muito mais leve. Dá pra imaginar leveza na gastronomia baiana? Aí sim fomos surpreendidos novamente, Zagallo!

De entrada eu provei uma casquinha de aratu - o aratu, segundo o Beto, "é o primo rico do siri". É tipo uma casquinha de siri mesmo, mas, obviamente, com um outro sabor, tão gostoso quanto. Ainda no quesito casquinha eles tem uma série de opções: atapu, calapolvo, camarão, lagosta, polvo, preguari e siri. Agora respirem fundo para os pratos principais: Sertanejo Tropical (carne de sol, carne de fumeiro, linguiça de fumeiro, manga, caju, banana, maçã, kiwi, pêra e mangalô, tudo grelhado e banhado ao caldo de achachairu, cacau, biribiri, mel de abelha nativa, limão e ervas aromáticas) e Moqueca de Peixe ao Paraíso (peixe cozido com coco de olicuri, palmito de coqueiro fresco, lâmina de coco verde, pitanga, biribiri, amora, pimenta de biquinho, folha e flor de vinagreira, temperos especiais e aromáticos, fruto de dendê e azeite de oliva extra virgem). Ufa! Essa fartura toda regada a um suquinho frozen de acerola - se você for mais curioso, pode pedir um suco de sapoti, de seriguela, mangaba, umbu cajá...

E não se surpreenda se, enquanto estiver se deliciando com as receitas que só são encontradas lá, você vir alguns macaquinhos deslizando de árvore em árvore no pomar. Bom apetite!















Casquinha de Aratu com uma farofinha esperta




















Suco frozen de acerola




















Moqueca de Peixe ao Paraíso




















Sertanejo Tropical















Pomar ao fundo















O chef Beto Pimentel e a filha, Carla

segunda-feira, julho 12

A seleção de 2014

O Blog do Ciccone propôs um exercício gostoso de se fazer: palpitar sobre a escalação da seleção brasileira pra Copa de 2014. Gostoso porque, embora tenha nego dizendo que o Brasil não vai segurar a bronca de seleções como a alemã e a espanhola, que já na África chegaram renovadas, nós temos uma turminha aí que, na minha opinião, promete. Também porque cada um de nós temos os nossos repertórios, as nossas preferências. Brincar de técnico da seleção, tendo o que temos de possibilidades, é uma dilícia!

Pra abrir o apetite: dá pra imaginar um meio campo com Ramires, Elias, Hernanes e PH Ganso? Pelamor, é o meu meio campo dos sonhos!

Então vou mandar a minha seleção e, mais abaixo, os porquês:

Júlio César, Daniel Alves, Thiago Silva, Alex Silva e André Santos; Ramires, Elias, Hernanes e Paulo Henrique Ganso; Nilmar e Neymar. Técnico: Dunga.................. Brincadeira, é Felipão, mano!

Seleção forte ou não? Viiiiixe!

Os porquês:

1- Goleiro: o Júlio César terá 35 anos em 2014, idade talvez avançada, mas pelo fato de ser disciplinado e ter atingido o auge nos últimos dois anos, eu aposto que ele consegue manter boa parte da forma atual - pra efeito de comparação, o Rogério Ceni tem 37 anos atualmente;

2- Lateral direito: cocei, quase coloquei o Maicon nessa lateral, mas não sei se ele terá daqui a quatro anos, com 33, o mesmo vigor físico que tem hoje. Ainda assim, não descarto a possibilidade. O Daniel Alves terá 31 - dois anos fazem diferença pra essa posição. Obs.: tem muita gente colocando aquele tal de Rafael, do Manchester United, nessa lateral, mas eu não conheço o futebol dele;

3- Zagueiro: acho que o Thiago Silva é quase unanimidade pra essa posição, não?

4- Quarto-zagueiro: tomando por base a seleção dessa Copa, o quarto-zagueiro seria o Luisão, que foi reserva imediato na África. Mas eu prefiro o Alex Silva. Questão de gosto mesmo;

6- Lateral esquerdo: pelo cenário atual, a coisa fica entre o Marcelo, do Real Madri, e o André Santos. Sou fã do Marcelo, que é super habilidoso, rápido, um dos únicos que se salvaram nas Olimpíadas de Pequim. Não sei por que o Dunga não deu sequência na convocação dele. Mas escolhi o André Santos (por muito pouco) porque o acompanhei mais e sei que ele é um monstro, apoia muito bem, chuta forte, tem habilidade...;

5- Volante: alguns poderão dizer que a escolha foi passional, mas vai negar que o Elias é um tremendo marcador - parece o pitbull do diabo correndo atrás do atacante -, que protege a zaga pra caramba, que sai jogando bem, tem volume de jogo, impõe ritmo, chega bem no ataque e ainda faz gols?

11- Segundo volante: assim como o Elias, o Ramires é um volante moderno, incansável, marcador, carrega muito bem a bola, em velocidade. Já deveria te sido titular na África do Sul no lugar do Felipe Maníaco do Parque de Pádua da Luz Vermelha Mello. Ps.: não consegui achar outra camisa pra ele, por isso a 11;

8- Meia: todo mundo conhece o Hernanes, então nem preciso falar muito. Mas não deixa de ser uma aposta, pois as atuações dele oscilam demais. Eu aposto;

10- Segundo meia: se alguém souber como faz pra tirar a bola do pé do Ganso, por favor clique no link "comentários", mais abaixo, e revele o segredo;

7- Atacante: Neymar dispensa apresentações;

9- Atacante: o Nilmar tem características similares às do Neymar, como velocidade e habilidade. Por isso, alguem pode dizer que só um deles deveria jogar, ficando a outra vaga pra um atacante mais matador. Mas o Nilmar não é um tremendo finalizador?

Técnico: Felipão. Felipão é Felipão. E vice-versa!


sexta-feira, julho 2

Viagem do sonho

Trocando e-mails, uma amiga e eu falávamos sobre a Chapada Diamantina, pra onde ela talvez vá em outubro, de férias. Estive lá há exato um ano, vivi dias fantásticos e fiz várias fotos lindas graças aos cenários - não a mim. Num dado momento ela perguntou qual seria a minha "viagem do sonho", um tema que eu nunca tinha pensado sobre, mesmo trabalhando com viagens.

"Olha, eu não tenho uma 'viagem do sonho'.

Mas calma, é uma questão de conceito. Explico: 'do sonho', pra mim, tem conotação daquilo que é platônico, daquele sonho de criança de ser jogador de futebol, aquela coisa meio inatingível, utópica. E agora, trabalhando com turismo, eu percebi que se a gente realmente se propuser a fazer uma viagem, no sentido de programação, planejamento, economia de grana, pra onde quer que seja, a gente viaja, pois os lugares estão aí, acessíveis...


(Pausa de alguns instantes)



(Construindo o pensamento)


Então, pra mim, a viagem do sonho não tem relação apenas com o destino, aquela coisa de 'meu sonho é ir pra Índia', 'meu sonho é viajar pra Fernando de Noronha', 'meu sonho é viajar pra Paris'. Índia, Fernando de Noronha e Paris estão aí. Acho que a minha viagem do sonho seria pra algum lugar de praia, daqueles paradisíacos, escondido em algum canto da Jamaica, naquela ilha do Pacífico, onde eu pudesse ficar confortavelmente instalado numa cabana ou numa casa de pau à beira-mar, com uma varanda, para acordar e ir me espreguiçar nessa varanda, olhando pro mar azul e pra areia branquinha, vendo os pescadores voltando do mar, tirando os peixes dos barcos coloridos, eu sem nenhum tipo de programação. Acordar, olhar pro mar, dar uns passos até a areia, me fazer entender pra algum nativo que pudesse me falar sobre algum lugar bonito para se caminhar até...

E aí é que eu acho que entra a utopia que faz dessa a minha 'viagem do sonho': eu gostaria de estar inserido nesse contexto sem estar 'preso' aos compromissos do mundo real. Ou seja, se fosse uma viagem de férias, eu saberia, lá no fundo, que dali há algumas semanas eu estaria de volta pra onde quer que fosse. Se estivesse passando um feriado prolongado, eu saberia que dali há três ou quatro dias eu estaria de volta. E na minha viagem do sonho eu gostaria de estar em total liberdade.

Será que é pedir muito? "
















Vista da minha varanda
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terça-feira, junho 22

Encontro com o tubarão-baleia

*Publicado no blog Panrotas em Viagem

Golpe de sorte, privilégio, situação corriqueira, talvez um instante nem tão especial assim. A definição eu deixo a cargo do nobre leitor e também a você, cara leitora. Mas o fato é que no primeiro mergulho que fiz na vida, em Los Cabos (México), eu topei com um tubarão-baleia de seis metros, mais ou menos, com quem nadei lado a lado durante três, quatro, cinco minutos, a pouco mais de 12 metros de profundidade. O ocorrido se deu nas proximidades do lindíssimo arco que simboliza o destino, em águas límpidas e repletas de plantas e peixes coloridos que, na década de 70, foram chamadas por Jacques Costeau de "o aquário do mundo".















Do começo: saí bem cedo do hotel naquele dia, pouco depois das sete da manhã, na companhia das amigas comunicadoras Sarah e Mariana, que possuem experiência em mergulho e são formalmente credenciadas para tal. Chegamos à marina de Cabo de San Lucas, fomos apresentados a nossos instrutores (o meu foi o argentino Nacho) e seguimos para o barco. No mar, ancorados no ponto de mergulho, recebi as instruções do Nacho durante uns 30 minutos enquanto Sarah e Mariana, com um grupo de norte-americanos também experientes e credenciados, recebiam as orientações de um outro instrutor.















Eles caíram no mar primeiro, Nacho e eu depois, e já nos primeiros instantes embaixo d'agua eu fui me deslumbrando com aquela nova realidade que se apresentava a mim. É uma coisa doisa: você está lá, nadando lentamente, movimentos vagarosos, e de repente vão aparecendo peixes e mais peixes que você nem consegue saber de onde. Eles simplesmente aparecem, sozinhos ou em bando, os cardumes, olham para você, passam perto, por cima, por baixo. Como se tratava do meu primeiro mergulho, Nacho não síaa de perto, e, mais que isso, ia me segurando e me guiando exatamente como um cachorrinho na coleira. Pode rir, tudo bem, mas é isso mesmo: eu, deslumbrado, ia explorando aquele brave new world e ele, segurando em alguma parte do meu macacão ou do meu cilindro, não sei ao certo, ia me guiando, me apontando as direções, me dando as orientações de como lidar com a pressão que volta e meia apertava os meus ouvidos.















O que mais me impressionou inicialmente foi a coloração dos peixes. Eu nunca tinha parado para pensar sobre isso mais profundamente, mas quando via aqueles peixes cheios de cor nas lojas de aquários, pensava superficialmente que se tratava de algum trabalho de laboratório, que os bichinhos sofriam algum tipo de intervenção, sei lá, e ficavam coloridos daquele jeito para ficarem mais atraentes e, consequentemente, serem vendidos mais rapidamente (pode rir de novo, à vontade!). Mas não, eles são daquele jeito mesmo, têm cores, formas e tamanhos sem fim.






























E assim continuávamos nosso mergulho quando, do nada, mas do nada mesmo, nos vemos atrás do tubarão-baleia, a alguns poucos metros da cauda dele, que deslizava tranquilamente no mesmo sentido que nós. Olhei para o Nacho, comecei a gesticular como que perguntando "você está vendo, é isso mesmo?", e quando caiu a ficha, nossa, eu comecei a rir, a rir tanto e a fazer tanto barulho que pensei que pudesse espantar ou assustar o bicho. Que nada: o pedaço ali era dele, eu era o estranho no ninho, o mero coadjuvante, e ele continuou a deslizar com aquela tranquilidade característica dos tubarões-baleia, que eu só conhecia pela televisão.

Comecei, então, a nadar mais rápido para tentar "ultrapassá-lo" e olhá-lo de frente, pois o que eu queria não era nem tocar nele, mas sim olhá-lho no olho, ter a experiência de ficar de frente com um tubarão-baleia no habitat dele. Mas percebi que isso não iria acontecer se fosse depender da minha "ultrapassagem", já que eu não conseuia nadar mais rápido que o bicho. Só haveria possibilidade caso ele desse uma virada de 180 graus e viesse de encontro a mim. Não demorou e foi exatamente isso que aconteceu: ele se virou, e em alguns centésimos de segundo enquanto virava ficou de frente pra mim, eu consegui olhar no olho dele, a alguns pouquíssimos metros de distância, e então ele passou por nós e sumiu mar adentro.

Já me disseram que isso foi sorte de (mergulhador) iniciante, e talvez nem tenha como dizer o contrário. Mas como se tratou de um dos momentos mais especiais da minha vida, eu acho que é mais que isso. Se você, então, me perguntar o que EU acho que foi, vou te dizer que não sei, e realmente não sei. Vai além da minha compreensão. Só sei que fui muito feliz.































No link abaixo, registros da viagem ao México:

http://www.panrotas.com.br/tv-panrotas/destinos/em-recente-viagem-ao-mexico-o-reporter-alex-souza-registrou-tres-momentos-interessantes-o-relato-de-um-encontro-com-um-tubarao-baleia-em-um-mergulho-feito-em-los-cabos-uma-visita-as-piramides-de-t_1896.html

terça-feira, março 16

Dia de Indy

Eu nunca acompanhei Fórmula 1 da maneira como acompanho futebol.

Mas gosto do esporte.

Provavelmente o Senna, a quem assisti muito pela televisão durante a infância, seja um dos responsáveis por isso.

Tenho vaga lembrança, por exemplo, do GP de Suzuka de 1990, o último daquela temporada, quando o Senna jogou a Mclaren dele em cima da do Prost, assim como o francês tinha feito com ele no ano anterior, e se tornou bi-campeão.

Também lembro, com mais riqueza de detalhes, do GP de Suzuka do ano seguinte, 1991, quando o Mansell, dirigindo aquele veneno de Williams, comeu terra na primeira curva depois da reta, se não me engano, enquanto perseguia o Senna insandecidamente, parecendo um "lião", como o Galvão Bueno gostava de chamá-lo.

Outra lembrança dos "anos dourados" da Fórmula 1 foi a de 1º maio de 1994, no GP de San Marino, em Ímola, quando o Senna passou reto na curva Tamborello e bateu forte, forte. Lembro, segundos depois da batida, dele virando a cabeça pro lado esquerdo, num movimento lento, cabeça caída...

Mas foi no final de semana passado que tive minha experiência mais intensa em relação a corridas: fui a trabalho ao Anhembi, no domingo, e assisti a etapa brasileira da Fórmula Indy.

Sensacional!

Mas sensacional falando agora, depois da corrida. Porque antes eu tava fracassado, com sono, vontade de deitar, aquele sol no lombo, cerveja 6 pila...

Até cogitei pegar um táxi e vazar pra casa no meio da prova.

Devia ser começo de gripe.

Mas foi começar a corrida pro negócio mudar totalmente. Pois é impressionante como aquilo é.

Logo depois da largada, quando os carros passaram pela primeira vez na minha frente, todos eles juntos, em bloco, vixe, já subiu uma senhora adrenalina.

O barulho dos motores é um negócio impressionante que faz toda a diferença. Se os carros de corrida não tivessem o ronco que têm, arrisco dizer que assistir corrida ao vivo perderia, sei lá, 40% da graça. Porque é um barulho tão forte, uns estralos quando eles freiam, que você fica hipnotizado. Uma hipnotização que ocorre, na verdade, quando você se dá conta que esse barulho vêm de dentro daqueles carros.... carros de corrida, aqueles que você só via pela televisão, sabe? Ali eles são maiores, mais compridos, mais coloridos. E ainda têm aquele ronco!

Fascinante!

O problema é que a minha localização no autódromo não era das melhores. A cabeça da galera na frente e os alambrados atrapalhavam um pouco. E eu ainda não tinha um raio de visão muito grande, o que me impedia de ver os carros de longe, quando eles vinham, e depois vê-los ao longe, quando passavam.

Outro detalhe é que eu estava no final da reta do Sambódromo, local onde os carros já vinham em menor velocidade por causa da curva. O lugar que o bicho pegava mesmo, onde eles pisavam sem dó, era na reta construída paralelamente à Marginal Tietê. Lá o pau torava de verdade, mas não tinha arquibancada. Uma hora, no meio da corrida, eu fui a pé até ali perto, e por um vão de mais ou menos três metros de largura no muro de alumínio que eles construíram eu consegui ver os carros a mil. Meu amigo.......

Cara, ver aqueles aqueles carros hipnotizantes a mais de 300 km/h é muito foda. E ali eu vi talvez a principal cena da corrida pra mim, que foi uma ultrapassagem. Quer dizer, pelo vão de três metros deu pra ver que eles estavam lado a lado, em processo de ultrapassagem, não deu pra ver o ato consumado. Mas foi foda. A sensação que meu deu foi basicamente a mistura de duas coisas: uma injeção de adrenalina daquelas e uma euforia infantil. Sabe aquele alegria de criança, aquela euforia que ela fica quando o pai fala que vai levá-la na montanha-russa, no jogo de futebol? Eu senti a mesma coisa. E é infantil porque quando eu vi dois carros de Fórmula Indy lado a lado, numa pista relativamente estreita, a 300 km/h, eu me dei conta que quem pilota isso é gente grande, gente muito grande.

Sei dizer que, mesmo com uma série de interrupções, com o pé d'agua que caiu e com a corrida durando quase duas horas, tudo passou muito rápido. E eu ficaria outras duas horas ali fácil.

Agora eu entendo o fanatismo daqueles nego que vêm de longe, anos consecutivos, pra assistir a Fórmula 1 em São Paulo mesmo quando os pilotos brasileiros não têm chance alguma de vitória.

O negócio é intenso mesmo.

Deem uma olhada no videozinho que eu fiz.

Mas antes aumentem o volume! hehehe.



domingo, fevereiro 21

Wand vs Metallica

Wanderlei Silva e Metallica têm trajetórias semelhantes.

O Metallica apareceu pro mundo no início dos anos 80 com quatro albuns que poderiam ser a trilha sonora do Tsunami: Kill´Em All, Ride The Lightning, Master of Puppets e And Justice for All. O Wanderlei, nos primórdios do ainda chamado "Vale-Tudo", surgia como um lutador duro, confiante e completo, numa época em que boa parte dos lutadores se concentrava apenas em uma única arte marcial pra lutar o hoje chamado MMA.

O tempo passou, o Metallica amadureceu, mudou de fase e estilo e lançou o Black Album, que tirou a banda dos limites do heavy metal, no sentido de agradar a gregos e troianos, e fez com que eles vendessen milhões de discos ao longo de uma mega turnê de uns três anos. Era o auge.

O tempo passou, o Wand amadureceu, mudou de fase e começou a lutar no Pride, onde fez lutas memoráveis, como as três vitórias sobre o Sakuraba e as duas sobre o Quinton Rampage Jackson. Fora a japonesada que ele derrubava sem dó. Era o auge.

Depois do Black Album o Metallica mudou novamente, dessa vez pra pior, e lançou dois albuns fracos, o Load e o Reload, que só os fans mais fiéis conseguiram tragar, né, Hugo e Filipe Adami? Má fase.

Depois do Pride, ou melhor, com o fim dele, o Wanderlei levou um chacoalho do Dan Henderson e reestreou com derrota no UFC, numa grande luta contra um de seus principais desafetos, o Chuck Liddell. Má fase.

Uma luz no fim do túnel do Metallica se acendeu com o lançamento do Garage Inc, que trouxe covers bem legais de bandas como Motörhead, Misfits e Thin Lizzy.

Uma luz no fim do túnel do Wand se acendeu com o nocaute em cima do Keith Jardine, no UFC 84.

Depois disso o Jason saiu do Metallica, o problema de alcoolismo do James se acentuou, a banda quase entrou em parafuso e eles lançaram o discutível St. Anger.

Depois disso o Wanderlei foi nocauteado com apenas dois minutos de luta pelo Quinton Jackson, e em seguida perdeu por decisão unânime, polêmica para o público, pro Rich Franklin.

E quando a nuvem de dúvida já voltava a pairar na cabeça dos fãs do Metallica, a banda muda de produtor e decide voltar às origens com o lançamento do Death Magnetic, que também poderia ser a trilha sonora do Katrina, o mais próximo que eles poderiam chegar daqueles quatro albuns arrasta-quarteirão do início da carreira.

E quando todo mundo achava que o Wanderlei estava à beira do precipício, pronto pra dar um passo à frente, como diria o filósofo Jardel, o FDP faz uma luta ducaraleo ontem, que lembrou a época do Pride, e vence o Michael Bisping, que só não perdeu por nocaute porque foi salvo pelo congo, literalmente.

Pros fãs do Metallica e do Wanderlei Silva, como este que vos escreve, é uma satisfação imensa vê-los na pegada novamente, quebrando tudo. Mó prazer, emocionante, até.

Vida longa a estes dois fenômenos!

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Em tempo: também ontem, o Minotauro levou uma piaba que pra mim, infelizmente, mostrou que ele é um ex-lutador em atividade.... É triste chegar a essa conclusão. Sad But True.


quinta-feira, fevereiro 11

O culpado

Fui a um evento no Museu do Futebol essa semana que contou com a presença do glorioso Cafu, que não tinha muito a ver com o assunto em questão (venda de pacotes de viagens pra Copa do Mundo), mas tava lá pra dar um tchan no negócio, atrair público e mídia, aquelas coisas. Em um formato tipo sabatina da Folha, ele contou histórias da carreira, causos interessantes, interagiu, distribuiu sorrisos. Gente fina!


O momento crucial da participação dele, pelo menos pra mim, foi quando um cara da platéia trouxe à baila o fatídico “caso do meião”, aquele da Copa de 2006, quando o Roberto Carlos abaixou pra arrumar a meia e o Henry passou atrás dele, sozinho, pra marcar o gol da França que eliminou o Brasil. O 'perguntador' queria saber a versão do Cafu em relação ao lance, tendo em vista que ele era nada mais do que o capitão daquela seleção. Ótima ocasião pra fazer a pergunta, afinal, evento oba-oba, sem a presença da grande imprensa, pouca gente, quatro anos depois...


O Cafu respondeu que em escanteios e faltas perigosas como aquela, cada jogador sabia exatamente onde estar e a quem devia marcar.


- E o Roberto Carlos tava na posição que estava pra pegar um possível rebote e puxar o contra ataque. Mas justamente naquele momento ele abaixou pra puxar aquele bendito meião e acabou sendo taxado como culpado.


Puts, nessa hora eu ouricei total, porque pensa comigo: se cada jogador sabia exatamente aonde estar e a quem marcar, e o Roberto Carlos, pelo o que o Cafu disse, não tava ali pra marcar ninguém, e sim pra puxar um possível contra-ataque, então quem deveria estar marcando o Henry? Quem deveria? Quem? O real "vilão" da história foi outro então? Quem? Quem? Mas aí as perguntas foram encerradas e o evento teve sequência.


Fiquei numa pilha só, não me aguentava na poltrona. Pô, o Cafu contou um puta milagre, e será qué só eu ali fiquei doido pra saber o nome do santo? Parecia que sim. Mas nem a pau que eu voltaria pra casa sem saber quem era o jogador que devia estar marcando o Henry.


No final, todos os presentes ganharam um kit com uma bola de futebol e mais uns badulaques sem expressão, e o Cafu ficou à disposição pra autografar as bolas. Há, era a hora! Esperei todo mundo ir lá, pegar autógrafo, e quando a muvuca passou, quando ele tava saindo pra ir embora, eu cheguei com o pretexto do autógrafo.


- Assina pra mim, Cafu?


- Claro – e escreveu na bola o tradicional “Do amigo Cafu”.


Por que todo jogador escreve “do amigo” nos autógrafos?


Quando ele me devolveu a bola e olhou pra mim esperando o óbvio ‘obrigado’, eu mandei:


- O Cafu, e quem é que deveria estar marcando o Henry lá?


- Esquece isso – ele respondeu, com aquele sorriso de morcego característico dele.


Não desisti.


- O loco, Cafu, falaí.....em off, vai!


- Em off? Olha o que tem de gente aqui – ele respondeu, já virando e começando a andar pra ir embora, cercado por aquele bando de puxa saco, aqueles nego com cara e trejeito de pagodeiro que tão sempre junto com jogador de futebol.


Mas.....nem a pau que eu sairia dali sem saber o que eu precisava saber.


Insisti.


- Ah, Cafu... falaí, meu!


Com uma cara de piedade, ele virou pra trás e disse:


- Era pra ser um zagueiro alto.


Meu olho brilhou...


- O Lúcio?


- Era pra ser um zagueiro alto.


quinta-feira, fevereiro 4

Os xiitas

Em 2007, eu e o Ciborg fomos num fatídico Corinthians e Palmeiras no Morumbi, pelo campeonato paulista daquele ano. Um puta jogão pra eles, infelizmente, em que o Edmundo guardou dois e o Valdívia jogou horrores, destroçando a costela de craques como Magrão e Marcelo Mattos. O jogo terminou três a zero pro Parmera mas, ainda assim, foi legal ter estado lá e visto a tragédia in loco, conforme escrevi aqui.

Na época, seguindo uma tendência mundial, o Corinthians tinha acabado de lançar um terceiro uniforme, predominantemente roxo, que fugia totalmente do padrão alvi-negro tradicional. Os Gaviões da Fiel, que bem podiam ser os "xiitas das fiel", não gostaram nada história, afinal, "o Timão é tradição", tradição do preto e branco, e vir com esse negócio de roxo não tem cabimento. Resultado: o bafafá que ouvimos durante o jogo foi que os Gaviões tavam dando uns "pé da oreia" dos corinthianos que chegavam com a camisa roxa na laranja, setor que os xiitas ficavam quando o Corinthians jogava no Morumbi.

No começo do ano, mais um episódio do rancor gavião contra terceiros uniformes roxos: na apresentação do Roberto Carlos, com seis mil corinthianos na Fazendola, eles mandaram da arquibancada um criativo "roxo é o caraaaalho, o preto e branco é a cor do centenário". Maravilha. 

Essa semana o Corinthians lançou uma nova versão do terceiro uniforme, em homenagem ao centenário do time: calção preto e camisa também preta, só que com uma cruz roxa no meio - cruz que, pelo que li em algum lugar, não sei se procede, representaria a cruz de São Jorge, padroeiro do time.  Como forma de protesto pelo uso do roxo, os Gaviões foram à casa do gerente de Marketing do Corinthians, depredaram algumas janelas e jogaram tinta roxa na parede da casa do fulano. 

Xiitismo pouco ou não? 

Eu sou mó fã de festa de torcida em estádio, curto a postura dos Gaviões na arquibancada (em relação a incentivar o time e tal, não a dar porrada em quem vai de camisa roxa), embora tenha lá minhas críticas em relação às músicas que eles cantam, muitas das quais eu canto junto, inclusive, mas depredar a casa do cara é pacabá! Nego é pouco cabeça de bagre? 

Aqui, mais um pouco da insatisfação de parte da torcida em relação ao novo uniforme.

sexta-feira, janeiro 15

Os brasileiros de hoje

A crônica do Ignácio de Loyola Brandão no Estadão de hoje, "Reencontros na manhã bonairense", foi escrita de Buenos Aires. Ele conta uma historinha, fala de uns lugares que foi por lá, sugere outros, e no último parágrafo faz uma relação bacana entre os brasileiros de hoje, "cheios de autoestima", e os americanos de ontem.

"Se você quer ver brasileiros, cheios de 'autoestima' por causa de nossa situação econômica, e repletos de arrogância, passe pela Florida, pela Galeria Pacifico, Avenida Santa Fé ou shopping Alcorta. Viajantes mais antigos lembran-se do quanto criticávamos e odiávamos os americanos em viagem, prepotentes e querendo que o mundo falasse inglês. Pois, convencidos e presunçosos, alguns grosseiros mesmo, estamos no tornando os novos americanos no mundo".

sexta-feira, agosto 21

Como pôde?

Pelo espaços vazios ao redor, pelas avenidas largas e pelo clarão produzido pelo sol forte, deduzo que andávamos por uma das ruas de Brasília, a gloriosa capital federal. Caminhávamos eu e um político que não vi o rosto e que, momentos antes, tornara pública sua posição contrária à permanência do coronel maranhense na presidência do Senado.

O telefone dele toca, ele atende, era o próprio Sarney, berrando todos os tipos de impropérios possíveis. "Você não tem dignidade, como pôde?", "Indigno, indigno!".

Abro o olho, viro pro lado, vejo o despertador: 3h12 da matina. Dou aquela golada na garrafa de água. Será que sonhei ou pesadelei?


quarta-feira, julho 1

Fargo

Motivado principalmente pela opinião de uma amiga, que considera Fargo o melhor filme dos irmãos Cohen, fui à locadora ontem à noite atrás dele. Fui com a expectativa lá em cima, pois se Fargo é melhor que O Grande Lebowski, O Homem que Não Estava Lá e Onde os Fracos Não Têm Vez, os outros três dos brothers que assisti, e curti pacas, então trataria-se de um puuuuta filme.

Cheguei na locadora e minha expectativa aumentou ainda mais quando perguntei pro carinha se o filme tava disponível. Ele disse que sim, e mandou: "É um dos melhores dos irmãos Cohen...". Puts, mais um me dizendo isso!

Aluguei, assisti e fiquei relativamente frustrado. Não que o filme seja ruim não, gostei, mas pelo que haviam me falado eu me senti meio que um E.T. por não ter achado tuuuuuudo aquilo. Me senti mais E.T. ainda quando fui procurar críticas na internet e vi que, além de diversos elogios fervorosos, Fargo ganhou uma série de prêmios e foi indicado para outros tantos.

Só fui voltar a me sentir terráqueo quando li a crítica de Pablo Villaça, no cinemaemcena.com.br. Ele, assim como eu, criou uma tremenda expectativa em função daquilo que tinha ouvido falar, e acabou se frustrando um pouco. "Ficou aquém do que eu esperava. Tudo bem: em parte a culpa foi minha. Eu sempre evito ler comentários sobre um filme antes de assisti-lo, a fim de não formar idéias preconcebidas, e desta vez acabei não fazendo isso. E como todas as críticas que li sobre Fargo lhe faziam os maiores elogios, acabei criando uma expectativa muito grande. Assim, por comparação com o que eu esperava, o resultado me decepcionou".

Faço minhas as palavras do Pablo!

Semelhanças

Uma coisa que a mim chamou a atenção foram algumas semelhanças entre Fargo e Onde os Fracos Não Têm Vez. Vejamos: as histórias dos dois filmes se passam em pequenas cidades, em dois 'desertões', uma no desertão da fronteira com o México e a outra também em um desertão, só que de neve (dá pra falar isso, deserto de neve? rs...), acredito que lá pro norte dos EUA; ambos têm um personagem que se destaca pela frieza com que mata e pelos modos, digamos, bárbaros com que pratica os homicídios - estes dois personagens, aliás, cometem pelo menos um crime idêntico: estão de carro na estrada, o carro de polícia liga a sirene atrás, eles param no acostamento, o policial vem a eles e, depois de alguma conversa, leva chumbo; os dois filmes terminam com reflexões sobre o ser humano por parte dos oficiais de polícia que investigam os crimes.

Semelhanças à toa? Talvez, né?

quinta-feira, junho 4

Ponte é solução?

Ouço na Rádio Bandeirantes que o governo de São Paulo vai investir R$ 1,3 bilhão em obras na Marginal Tietê, que garantiriam redução de até 35% no trânsito da via. Serão construídos viadutos, pontes e mais três novas faixas. A expectativa é que tudo esteja pronto em outubro de 2010.

Eu me sinto meio que um xiita quando vêm me dizer que a solução pro trânsito está em medidas dessa natureza. Com 800, 900, sei lá, 1000 novos carros por dia nas ruas, até quando vai durar essa redução anunciada?

A construção de pontes e viadutos e a realização de obras similares são medidas paliativas, razoavelmente eficientes a curto prazo, mas ineficazes a médio e longo. É postergar o problema, jogá-lo lá pra frente. Aí, quando a Marginal "recuperar" estes 35% de trânsito, de que vai ter valido o investimento de 1 bilhão?

Na minha visão, o problema do trânsito paulistano é a quantidade de carros circulando, que se continuar nesse ritmo de crescimento, nem dá pra saber pra onde vamos, visto que a cidade já tá mais entupida que o tanque do meu apartamento antigo. Esse R$ 1,3 bilhão, a meu ver, seria melhor empregado na construção de linhas de metrô, tão escassas em São Paulo na comparação com outras metrópoles mundo afora.

Quer apostar comigo que na campanha presidencial o Serra vai dizer que contribuiu para a melhora do trânsito em São Paulo?

segunda-feira, junho 1

Fita Amarela

Quando eu morrer não quero choro nem vela
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela

Se existe alma, se há outra encarnação
Eu queria que a mulata sapateasse no meu caixão

Não quero flores, nem coroa de espinho
Só quero choro de flauta, violão e cavaquinho

Estou contente consolado por saber
Que as morenas tão formosas a terra um dia vai comer

Não tenho herdeiros, não possuo um só vintém
Eu vivi devendo a todos mas não paguei nada a ninguém

Meus inimigos que hoje falam mal de mim
Vão dizer que nunca viram uma pessoa tão boa assim

Quero que o sol não visite o meu caixão
Para a minha pobre alma não morrer de insolação

Quando eu morrer não quero choro nem vela
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela


"Fita Amarela", Noel Rosa, 1932, aqui na versão da Orquestra Imperial.

sexta-feira, maio 29

Twittando

Estou 'twittando' desde quarta-feira e curtindo pacas o negócio. Na barra lateral do Segundo Fióte, aqui na direita, inseri uma ferramenta que dá acesso ao meu Twitter e mostra as minhas atualizações.

Follow me!

quinta-feira, maio 28

Dafra

Reza por aí a lenda de que os donos de motos Dafra estão enrolados, pois as danadas dariam problemas constantemente, as fábricas não teriam peças de reposição, essas coisas. Lenda que só mesmo quem comprou uma pode confirmar. O fato é que tá rolando na internet um video muito engraçado, sensacional, produzido a partir da propaganda da Dafra protagonizada pelo Wagner Moura.

Divirta-se.

quarta-feira, maio 27

Será o fim?

A eventual extinção dos jornais impressos é um dos temas mais recorrentes nas faculdades de Jornalismo atualmente. Com o advento da internet, que disponibiliza gratuitamente conteúdos informativos diversos, através inclusive dos sites dos próprios jornais, a migração do leitor para a rede mundial é invevitável, dizem.

Pra mim, essa ficha foi cair realmente durante uma conversa que tive com a amiga de uma amiga. Falávamos sobre acesso à informação, e ela me disse que se informa através da internet, unicamente, deixando subentendido que não paga por algo que pode ter de graça. "Rapaz, não é que os jornais estão ameaçados mesmo?", pensei.

A minha opinião é a de que os veículos impressos não vão acabar, embora venham a sofrer, como já estão sofrendo, fortes abalos em função, também, dessa "migração de mídia". Lembro que quando assinávamos a Folha de SP lá em casa, em 1997, o jornal tinha uma tiragem diária de aproximadamente 500 mil exemplares, chegando a 1 milhão aos domingos. Atualmente, a tiragem de segunda à sexta é de mais ou menos 300 mil e a dominical não chega a 400 mil.

Leio hoje que a Gazeta Mercantil poderá fechar as portas no fim deste mês. Eles acumulam dívidas trabalhistas que chegam a R$ 200 milhões e possuem ainda uma série de outros débitos (veja a matéria completa aqui). A equipe do jornal, cerca de 100 pessoas, está na corda bamba.

Pena...

terça-feira, maio 19

Eu já sabia

Seu Francisco Telles veio à minha cabeça enquanto lia matéria sobre a fusão entre Sadia e Perdigão, anunciada ontem.

Em 1993, numa das longínquas aulas de História daquela 5a série, Seu Chico explicou a pimpolhos como este que uma das principais características do sistema Capitalista era a fusão entre mega-empresas (tá vendo, mãe, como eu prestava atenção nas aulas?!).

Pra nós, consumidores, dizia o amado mestre, o reflexo deste tipo de ação é uma possível alta nos preços, consequência da diminuição da concorrência.

Na versão impressa da Folha de SP de hoje, o box "E eu com isso?", relativo à fusão entre as duas gigantes, trouxe a seguinte informação:

"A fusão entre Sadia e Perdigão aumenta a concentração de mercado no setor alimentício, reduzindo a concorrência. Com menos fornecedores disputando a atenção dos consumidores, estes ficam mais suscetíveis a aumentos de preço."

Só tenho uma coisa a dizer: "Eu, já sabiaaaa / Eu, já sabiaaaa".

Viva o Seu Chico!

sexta-feira, maio 15

Superstições e manias da boleirada

Torcedores e profissionais de futebol são supersticiosos e cheios de mania. Na quarta-feira, o cara senta na mesma poltrona que sentou no domingo, quando o time dele goleou o principal rival. Afinal, "deu sorte". A camisa também é a mesma. Falando em camisa, o técnico Tite, nos tempos de Corinthians, ia pros jogos sempre com a mesma camisa preta. Agora, no Inter de Porto Alegre, me parece que ele só usa uma vermelha.

E o Zagallo com o número 13 dele? "Brasil campeão no sei do que" tem 13 letras, "o estádio da final que o Brasil ganhou" fica no quarteirão 13, "Pachequinho fez aquele golaço" porque vestia a camisa 13. E por aí vai.

Mas estas são superstições que não fazem mal a ninguém. Os torcedores de estádio, no entanto, têm algumas manias pra mim irritantes. Uma delas é o repúdio verbal agressivo àqueles que, num lance de perigo, gritam 'gol' antes da bola ter entrado. Sabe quando o lateral cruza aquela bola com açúcar e o atacante cabeceia forte, com endereço, e você inconscientemente acaba soltando um "gol, gol, gol" antes do tempo? Pois é, no estádio você tem que se precaver para não soltar esse "gol" antes da hora. Porque se soltar e a bola não entrar, a galera ao redor vai te xingar horrores. Engraçado que em muitos lances perigosos a bola acaba não entrando, mesmo que ninguém tenha gritado o "gol" antecipado. Não entendo mais nada...

Uma mania também em vigência, pelo menos nos jogos do Corinthians, é o repúdio ao famoso grito "Ei, juiz, vai tomar no c....", proferido por uma parcela da torcida quando o árbitro marca algo que vai de encontro ao anseio da galera. Nesses momentos, os torcedores que se consideram 'corintianos profissionais' se endoidecem, viram para aqueles que entoaram o tal grito e começam: "vamo gritar Corinthians, baraaaalho", "gritar Corinthians, pooooorr".

Nesse caso, em partes, eu até concordo com os 'corintianos profissionais'. Acho que a torcida tem mesmo que gritar Corinthians o tempo todo, cantar para o time e não dar audiência pro juiz. Se for para xingá-lo, que o façam da maneira tradicional, dizendo que a mãe dele é uma mulher da vida, que ele não tem sustentabilidade ética nem idoneidade moral pra marcar aquela falta, ou seja, que é um ladrão, e assim por diante. Xingamentos avulsos. Agora, puxar o "Ei, juiz, vai tomar no c...." é muito de torcedor de numerada. Não dá, sabe também por que? Porque, geralmente, os caras que puxam esse grito não cantam pro time em nenhum momento do jogo. Eles passam partida toda xingando o adversário, muitas vezes os jogadores do próprio Corinthians, e quando resolvem 'cantar' algo, mandam o "Ei, juiz, vai tomar no c....".

Mas tudo bem também, cada um grita o que quiser, não vou eu lá no estádio ficar regulando a manifestação da torcida, como fazem os 'corintianos profissionais'.

Fico com as superstições!


quinta-feira, maio 14

José Arcadio Buendía

"Já quase pulverizado pela profunda decrepitude da morte, Prudencio Aguilar vinha duas vezes por dia conversar com ele. Falavam de galos. Prometiam fazer uma criação de animais magníficos, não tanto para desfrutar umas vitórias que no momento já não lhes fariam falta, mas para ter alguma coisa com que se distrair nos tediosos domingos da morte. Era Prudencio Aguilar quem o limpava, quem lhe dava de comer e quem lhe levava notícias esplêndidas de um desconhecido que se chamava Aureliano e que era coronel de guerra. Quando só, ele se consolava com o sonho dos quartos infinitos. Sonhava que se levantava da cama, abria a porta e passava para outro quarto igual, com a mesma cama de cabeceira de ferro batido, a mesma portrona de vime fundo. Desse quarto passava para outro exatamente igual, cuja porta abria para passar para outro exatamente igual, e em seguida para outro exatamente igual, até o infinito. Gostava de ir de quarto em quarto, como numa galeria de espelhos paralelos, até que Prudencio Aguilar lhe tocava o ombro. Então voltava de quarto em quarto, acordando para trás, percorrendo o caminho inverso, e encontrava Prudencio Aguilar no quarto da realidade. Uma noite, porém, duas semanas depois de o terem levado para a cama, Prudencio Aguilar tocou-lhe o ombro num quarto intermediário, e ele ficou ali para sempre, pensando que era o quarto real. (...) Então entraram no quarto de José Arcadio Buendía, sacudiram-no com toda a força, gritaram-lhe ao ouvido, puseram um espelho diante das fossas nasais, mas não puderam despertá-lo. Pouco depois, quando o caripinteiro tomava as medidas para o ataúde, viram pela janela que estava caindo uma chuvinha de minúsculas flores amarelas. Caíram por toda a noite sobre o povoado, numa tempestade silenciosa, e cobriram os tetos e taparam as portas, e sufocaram os animais que dormiam ao relento. Tantas flores caíram do céu que as ruas amanheceram atapetadas por uma colcha compacta, e eles tiveram que abrir caminho com pás e ancinhos para que o enterro pudesse passar."

Trecho de "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez.

domingo, maio 10

(Falta de) Ética

Depois de um sem-número de parlamentares ter sido anistiado no caso das passagens aéreas, uma nova anistia desponta no horizonte. O deputado Edmar Moreira, aquele do castelo de R$ 25 milhões no interior das Minas Gerais, está sendo questionado processualmente por usar notas das próprias empresas para justificar os gastos de sua verba indenizatória. Em defesa, ele diz que não havia nenhum tipo de norma que o impedisse de usar a verba com as tais empresas. Também citou o entendimento do presidente da Câmara, Michel Temer, no caso das passagens: não houve irregularidade pois não havia normas. Assim sendo, anistia para todos.

Regra, em ambos os casos, não havia. Ética também não houve. Afinal, não é preciso regra para saber que não é nada ético usar a cota de passagens para financiar viagens de lazer, mundo a fora, de parentes, amigos, namoradas, times de futebol. Do mesmo modo, não me parece ético a um deputado usar a verba indenizatória, dinheiro público, em favor de empresas próprias.

Por fim cito mais um deputado, Sérgio Moraes, relator do processo contra Edmar Moreira: fortemente pressionado pela imprensa por ter sinalizado que pretende arquivar o caso, ele criticou os veículos de comunicação e disse que consegue se reeleger "mesmo depois de tudo que a mídia escreve".

São essas as pessoas que colocamos no poder.

terça-feira, maio 5

O Coringão é fogo...

... afinal, ser campeão invicto não é mole não!

terça-feira, abril 28

Bolsas, doença e Caderno

Ontem à noite assistia a uma matéria sobre a gripe suína na Globo News e fiquei com a pulga atrás da oreia quando vi que bolsas em todo o mundo fecharam com índices negativos em função da doença. Com os meus botões pensei: "Má que diabo tem a ver gripe suína com bolsa de valores?"

Hoje de manhã, quando cheguei pra trabalhar, abri meu email e, vejam só, li a seguinte chamada na newsletter do Portal Exame: "Por que a bolsa cai com a gripe suína?". Cliquei e caí no blog de um cara chamado Cláudio Gradilone, jornalista e economista, que em dois posts bem didáticos explicou a relação. Bacana!

Caderno de Saramago
O B-Coolt deu a dica e eu caí no Caderno de Saramago, blog do escritor português José Saramago. Naveguei pela primeira vez lá ontem e já fiz uma varredura nos textos disponíveis, válidos tanto pelo conteúdo (óbvio!) quanto pelo Saramago way of writing.

E que ele não saiba da existência desta expressão! rs

sexta-feira, abril 24

Recomendo

Essa semana me diverti assistindo a dois filmes dos irmãos Cohen: "O Grande Lebowski" e "O Homem Que Não Estava Lá".

"O Grande Lebowski" eu já havia assitido uma vez, há uns dois anos, mas na época não curti muito. Não sei, eu não devia estar muito inspirado no dia, não devo ter entendido muito bem a trama, sei lá, e aí ficou aquela sensação de "não fede nem cheira". Mas no fundo eu sabia que o filme era realmente bom e que, na verdade, o problema devia ser comigo. Aluguei pra tirar a prova e não deu outra: curti horrores, ri demais com o Lebowski, um ex-hippie preguiçoso, desempregado convicto, da paz total, que pouco faz além de jogar boliche, fumar maconha e beber cerveja, além de tomar banho de banheira, à luz de velas, ao som do canto das baleias, e com outro personagem engraçadíssimo, o parceirão do Lebowski, Walter, um gordão com óculos fundo de garrafa de lente marrom, ex-combatente do Vietnã, daqueles que pensam que sabem tudo mas que só fazem merda. E como o Walter faz! Ó o naipe da dupla:












"O Homem Que Não Estava Lá", embora com excelentes pitadas de humor, puxa bastante pro mistério, suspense... aquele tipo de filme que te deixa extremamente ansioso por saber o que tem pra acontecer. Uma ansiedade também justificada pela imprevisibilidade das situações, que te surpreendem absurdamente. São situações tão imprevisíveis que, embora possa imaginar, você dificilmente vai acertar o final do filme. Pago uma pipoca se acertar!

terça-feira, abril 21

Lembranças e atualidades da bola

Jogar futebol e acompanhar o esporte bretão são duas coisas que faço já há algum tempo. Na minha memória de elefante, inclusive, tenho a imagem nítida não vou dizer da primeira vez que joguei bola, mas pelo menos de uma das primeiras. Foi em 1988, eu tinha portanto de cinco pra seis anos. Sei o ano direitinho porque remonta a uma situação de mudança de casa por parte da minha família: nós morávamos numa casa no Tatuapé, pertinho da gloriosa Praça Sílvio Romero, e o dia dessa minha minha lembrança foi o dia em que nos mudamos pra uma outra casa, no mesmo Tatuapé, só que mais perto da Praça do Bom Parto.

A rua para a qual mudamos, pra minha sorte e pra do meu irmão, era cheia de molecada como a gente. Molecada bacana, que brincava horrores o tempo todo na rua e que tem uma parcela de contribuição enorme pro sucesso que foi a nossa infância. Ao lado do meu avô, sócio do Corinthians desde os idos da década de 60, e que nos incentivou bastante a frequentar o clube, esses moleques também têm uma boa parcela de culpa por sermos os corinthianos que somos hoje, pois todos, com apenas duas exceções (um são-paulino e um da Lusa) eram corinthianos roxos que adoravam torcer pro Corinthians naqueles tempos em que o Neto matava a pau.

Mas, voltando, a imagem que eu tenho dessa minha "primeira vez" jogando bola é o caminhão da mudança parado, descarregando as coisas em frente a nossa nova casa, e eu e meu irmão já batendo uma pelota com os novos amigos da rua. Isso logo no primeiro dia, hein... Percebe-se que meus problemas de sociabilidde vêm de longa data...

Também lembro com muita clareza, a gente já morando em Dois Córregos, de como gostávamos não apenas de jogar futebol, mas de acompanhá-lo também. Tivemos o privilégio de assistir por um bom tempo, entre 1993 e 1994, uma mesa redonda na TV Cultura, o Cartão Verde, composta basicamente por Juca Kfouri e José Trajano nos comentários e por Flávio Prado na apresentação do programa - a pessoa do sexo feminino que leu "mesa redonda" até se arrepiou, tamanho é o ódio que as mulheres, em geral, têm por esse formato de programa esportivo. Mas esse Cartão Verde, pela qualidade profissional do trio, era tolerável no mínimo por alguns instantes pelas mulheres.

O Juca Kfouri se tornou meu herói na profissão: adoro ouvir o programa diário dele na CBN, sou frequentador do blog, sempre que posso leio as colunas na Folha. Do Trajano, infelizmente, acompanhei muito pouco desde então. Ele participa de um programa na ESPN Brasil, inclusive ao lado do Juca, mas como eu não tenho ESPN em casa não consigo acompanhar, e confesso que não sei se ele é colunista de jornal, se tem blog, programa em rádio, etc...

O Flávio Prado, puts, esse é uma decepção monstruosa. Na época do Cartão Verde ele era bem discreto nos comentários pelo fato, principalmente, de ter ao lado dois dos mais respeitados comentaristas esportivos do Brasil. Ele se limitava e mediar a participação do Juca e do Trajano e sempre que comentava algo, por ser um cara discreto na época, o fazia com objetividade e precisão. Hoje em dia, no entanto, o Flávio Prado vai de mau a pior. Apresentador do "Mesa Redonda" e comentarista do "Gazeta Esportiva", ele se tornou agressivo nos comentários, prepotente, generalista, inflexível e até desrespeitoso. Dá nojo. A última dele foi aprovar a péssima atuação do zagueiro Domingos, do Santos, um brutamontes desqualificado futebolisticamente que protagonizou uma das cenas mais lamentáveis de 2009 no futebol brasileiro. Flávio Prado o chamou de "genial", pode?, pela malandragem baixa que esse grosso usou no jogo contra o Palmeiras, domingo passado.

Ver o que se tornou esse profissional que eu acompanho desde criança é uma pena. Relembrar da história toda, aí sim, é genial!

quinta-feira, abril 2

Tsunami de La Paz

Em 2007, o Flamengo foi a Potosi, na Bolívia, e fez um jogo heróico contra o time da casa, o Real Potosi, pela Libertadores da América. Jogando há quase quatro mil metros de altitude, o time do Zico não viu a cor da bola no primeiro tempo e começou perdendo por 2x0. Na segunda etapa, mesmo sofrendo com a falta de oxigênio, os cariocas fizeram dois gols e conseguiram segurar o empate até o final.

Após o jogo, a já tradicional polêmica surgida sempre que um time brasileiro vai jogar na altitude entrou em cena, com o presidente do Flamengo chegando a dizer, inclusive, que sob a gestão dele o Mengão nunca mais subiria a montanha para jogar. Depois de muito burburinho e diz que me disse, a Fifa resolveu intervir e proibiu jogos internacionais em cidades localizadas acima 2.500 metros do nível do mar.

Não demorou e os presidentes da Bolívia e da Venezuela, Evo Moralez e Hugo Chavez, que adoram politizar e polemizar, promoveram diversas ações com o objetivo de mostrar que jogar na altitude não fazia mal à saúde. Uma delas foi uma 'pelada' no estádio Hernando Siles, em La Paz, há 3.500 metros, que teve a participação de Morales e de Diego Armando Maradona, amigão de Fidel, guevarista de tatuagem e camarada de Hugo Chavez.

Três anos se passaram, a Fifa voltou atrás na resolução que proibia os jogos nas alturas e Maradona virou técnico da seleção argentina. Ontem, no mesmo Hernando Siles, o dono da 'mano de Dios' comandou os hermanos em uma das maiores sovas da história do futebol argentino: Bolívia 6x1 Argetina.

Depois do jogo, a imprensa brasileira, que também adora politizar, ainda mais quando tem esquerdista sul-americano no meio, atribuiu a derrota unicamente à altitude, como se a Bolívia não tivesse entrado em campo, como se a Argentina tivesse jogado muita bola. Hoje, uma das matérias publicadas no site do Olé, principal jornal esportivo argentino, falou sobre aqueles que eles consideram os responsáveis pela derrota. "Diego, como conductor y como estratega, es el mayor responsable del tsunami de La Paz". O título da matéria: "Diego 40%, altura 20%, jugadores 30% y Bolivia 10%".

Que jogar em cima da montanha favorece o time da casa, acho que ninguem mais dúvida. Me parece óbvio. O que não pode é ficar martelando na idéia de que, sozinha, a altitude ganha jogo - imprensa e jogadores brasileiros adoram colocar a culpa na altitude depois de algum fiasco. Se altitude ganhasse jogo, a Bolívia golearia todas as seleções que vão a La Paz, e o Real Potosi, do mesmo modo, esmagaria os times que se aventuram em Potosi. Definitivamente, essa não é a regra.

sexta-feira, maio 9

Qual o perfil?

Ninguem mais aguenta ouvir falar do "caso Isabella".
Quer dizer, muita gente aguenta: a polícia estima em mil o número de pessoas que permaneceu em frente ao prédio onde o casal esteve nos últimos dias.
Algumas semanas após o crime, uma van lotada veio de Minas Gerais especialmente para acompanhar o caso, in loco, na frente do prédio em que a menina foi jogada. Ficaram meio que acampados lá.
Antes de ontem, a negada estava na frente da delegacia no momento em que o casal chegava para ser notificado da prisão. Uma anônima, inclusive, deu pra ver na TV, conseguiu acertar de raspela um tapa na cara da Jatobá.
O povo é fanático.
Os jornais deveriam fazer uma matéria com o seguinte foco: qual o perfil desses fanáticos por tragédias, essas pessoas que a gente vê ali, xingando, tentando furar o bloqueio pra dar na cara de quem eles acreditam ser os criminosos, esse povo que vem de van de Minas Gerais só pra dar uma conferida. Quem são esses nego? Em que ramo trabalham? Quantas horas por dia se dedicam ao "caso Isabella"? Qual o livro de cabeceira? Eles preferem o Guilherme de Pádua ou o maníaco do parque? Os biocombustíveis brasileiros são os responsáveis pela alta nos alimentos em todo o mundo? Quem é o responsável pelo vazamento do dossiê sobres os gastos do FHC? Numa noite fria de São Paulo é melhor ficar em casa ou ir pra delegacia do Tucuruvi?
Vou mandar essa pauta pros jornais.


domingo, maio 4

Coro na macaca paraguaia

Estava 2x0 pro Palmeiras quando a raposa do sono me pegou de jeito e me fez dormir até umas 19h. Um pouco antes, umas 18h30, acordei de leve por conta do foguetório e vi que o Parmera havia sido campeão. Tudo bem, acordei cedo e estava com sono, mas uma final entre Palmeiras e Ponte Preta, com os porcos vindo de vitória em Campinas, num domingo com clima propício ao ócio, não é de se estranhar que um não palmeirense se entregasse ao contar de carneirinhos. Agora, fui pego de supresa quando liguei no Terceiro Tempo da Rádio Bandeirantes e vi que o placar tinha sido 5x0. Que coro! O glorioso Neto em algum momento deve ter dito: "A Ponte tá de brincadeira". Se não disse vai dizer, certeza. Que tremendo sparring. Mas a gente tem que ser politicamente correto e não tirar o mérito do Parmera, que fez por onde o campeonato inteiro, tirou a bicharada da reta de maneira espetacular e hoje deu cinco tiros de misericórdia na macaca paraguaia.
Só que vou dizer, porquinhos: se quiserem pegar o Todo Poderoso na Libertadores do ano que vem (já somos campeões da Copa do Brasil), tratem de continuar jogando muito, agora no Brasileirão. Hasta la vista, porquitos!

quinta-feira, abril 24

O ganho da noite

Eram 22h06 quando saí de casa pra correr. Olhei no relógio do computador antes de desligá-lo. Noite agradável, quinta-feira, bares e restaurantes com as mesas praticamente todas ocupadas. Fila começando a querer se formar em frente a balada.
Praticar exercícios no adiantado da noite me faz bem. No dia seguinte, ao contrário do que se possa imaginar, acordo com uma puta disposição boa. Verdade! Além do que estava precisando voltar a correr. Comi muito nestas últimas semanas, não fui tão de leve assim na cerveja, resultado: sensação de peso, acima do comum. Tanto que o desempenho no futebol de terça foi, de longe, o pior nesses seis meses de futebol de terça.
Não devo ter corrido mais do que 20 minutos, o equivalente, talvez, a uns três quilômetros. Fui até o final da rua, voltei, retornei ao final (que pode ser o começo, depende do ponto de vista) e parei. Comecei a andar, já pensando na volta pra casa.
"Pessoal, matéria bacana minha, especial de Londres, na Quem nas bancas hoje. A capa é a Carolina Dieckmann". Esse foi o e-mail que ela mandou ontem, e a primeira coisa que veio à minha cabeça quando virei certa esquina e dei de cara com uma banca de jornal. "Caralho, que massa, será que já chegou nessa banca a Quem com a Carolina Dieckmann na capa?". Jogo pra lá uma Rolling Stone, coloco uma Contigo de lado e eis que puxo a Quem. E sim, que beleza, com a Carolina Dieckmann na capa. "Puta merda!". Abro e vou direto no índice, onde leio que na página 42 a "Quem acompanhou o paparazzo inglês Charlie Pycraft à caça de famosos". É essa a matéria, conforme ela tinha dito há alguns dias. Vou na 42, leio o título e, logo abaixo, Mariana Grebler. Há!!!!!
Começo a ler a matéria ali, deixando de lado o fato de, num dos bairros mais chiques de São Paulo, numa banca que fica em frente a um restaurante frequentado por malas e frescos, estar trajando camiseta azul desbotada, suada da corrida, short da seleção que o Samir esqueceu e tenão fera da Rainha...
Começo a ler e fico preso ao texto, que é daqueles que não te deixam parar de ler porque te instigam a saber o que vem depois, sabe? Frases curtas que se alternam com outras mais longas, vírgulas "no ponto". Tudo muito agradável. Mas ela não havia dito que o texto dela meio que deixava a desejar? Blablablá.
Depois de ter lido a primeira página da matéria, percebo uma movimentação suspeita na banca por parte do cara que trabalha lá. Aquela coisa de "Vai comprar a revista ou não vai? Se não for...". Se não for, vaza.
Vazei, voltei pro aconchego do lar. A noite estava ganha.

sexta-feira, fevereiro 29

É a volta, ora pois!

Caramba, deu até um friozinho ligeiro na barriga quando fui começar a digitar estas mal traçadas. Friozinho daqueles que devem durar menos de um segundo, sabe? Há tanto tempo eu não postava que, na hora de colocar login e senha, precisei de umas quatro tentativas até acertar a combinação.
Pra ser exato, o último texto foi publicado em 5 de março do ano passado, no dia seguinte a uma bela derrota do Todo Poderoso Timão. Mais um pouco e o nosso Segundo Filhote, este jovem rapaz, completaria um ano do mais puro descaso por parte do relapso que nele escreve.
Mas enfim, cá estamos novamente, num momento bastante positivo, que deve ter sido a motivação responsável por me fazer driblar as auto-desculpas que, na hora H, resultavam na minha opção por não escrever. Algumas delas? Tem a tradicional "tô num tremendo bico", que cai bem pra todas as ocasiões. Tem também a não mais convincente "pããããts, será?". Trata-se, na verdade, da boa e velha preguicinha braba, que nada mais é do que uma experiente raposa. Como se não fosse gostoso manter um ritmo de textos postados. Blog vicia. Crie um pra ver.
Pois então, o tal momento positivo tem relação com situações bem bacanas que estão ocorrendo ao me redor atualmente, e outras que logo logo vão acontecer. E aí eu fui vendo que é muito legal ter a sacada de que se está passando por um momento bom e, graças a essa percepção, poder aproveitá-lo ainda mais. Porque a gente costuma dar muito ibope para aqueles períodos não tão favoráveis, e quando o inverso ocorre, o peso dado nem sempre é o mesmo. E essa diferença nem ocorre por mal, pois quando a coisa tá boa tudo vai que vai e você nem para pra pensar.
Tão importante quanto é o fato de estarmos de volta à gloriosa blogosfera, celebrando a nova fase!
É nozes, trufa!