terça-feira, abril 28

Bolsas, doença e Caderno

Ontem à noite assistia a uma matéria sobre a gripe suína na Globo News e fiquei com a pulga atrás da oreia quando vi que bolsas em todo o mundo fecharam com índices negativos em função da doença. Com os meus botões pensei: "Má que diabo tem a ver gripe suína com bolsa de valores?"

Hoje de manhã, quando cheguei pra trabalhar, abri meu email e, vejam só, li a seguinte chamada na newsletter do Portal Exame: "Por que a bolsa cai com a gripe suína?". Cliquei e caí no blog de um cara chamado Cláudio Gradilone, jornalista e economista, que em dois posts bem didáticos explicou a relação. Bacana!

Caderno de Saramago
O B-Coolt deu a dica e eu caí no Caderno de Saramago, blog do escritor português José Saramago. Naveguei pela primeira vez lá ontem e já fiz uma varredura nos textos disponíveis, válidos tanto pelo conteúdo (óbvio!) quanto pelo Saramago way of writing.

E que ele não saiba da existência desta expressão! rs

sexta-feira, abril 24

Recomendo

Essa semana me diverti assistindo a dois filmes dos irmãos Cohen: "O Grande Lebowski" e "O Homem Que Não Estava Lá".

"O Grande Lebowski" eu já havia assitido uma vez, há uns dois anos, mas na época não curti muito. Não sei, eu não devia estar muito inspirado no dia, não devo ter entendido muito bem a trama, sei lá, e aí ficou aquela sensação de "não fede nem cheira". Mas no fundo eu sabia que o filme era realmente bom e que, na verdade, o problema devia ser comigo. Aluguei pra tirar a prova e não deu outra: curti horrores, ri demais com o Lebowski, um ex-hippie preguiçoso, desempregado convicto, da paz total, que pouco faz além de jogar boliche, fumar maconha e beber cerveja, além de tomar banho de banheira, à luz de velas, ao som do canto das baleias, e com outro personagem engraçadíssimo, o parceirão do Lebowski, Walter, um gordão com óculos fundo de garrafa de lente marrom, ex-combatente do Vietnã, daqueles que pensam que sabem tudo mas que só fazem merda. E como o Walter faz! Ó o naipe da dupla:












"O Homem Que Não Estava Lá", embora com excelentes pitadas de humor, puxa bastante pro mistério, suspense... aquele tipo de filme que te deixa extremamente ansioso por saber o que tem pra acontecer. Uma ansiedade também justificada pela imprevisibilidade das situações, que te surpreendem absurdamente. São situações tão imprevisíveis que, embora possa imaginar, você dificilmente vai acertar o final do filme. Pago uma pipoca se acertar!

terça-feira, abril 21

Lembranças e atualidades da bola

Jogar futebol e acompanhar o esporte bretão são duas coisas que faço já há algum tempo. Na minha memória de elefante, inclusive, tenho a imagem nítida não vou dizer da primeira vez que joguei bola, mas pelo menos de uma das primeiras. Foi em 1988, eu tinha portanto de cinco pra seis anos. Sei o ano direitinho porque remonta a uma situação de mudança de casa por parte da minha família: nós morávamos numa casa no Tatuapé, pertinho da gloriosa Praça Sílvio Romero, e o dia dessa minha minha lembrança foi o dia em que nos mudamos pra uma outra casa, no mesmo Tatuapé, só que mais perto da Praça do Bom Parto.

A rua para a qual mudamos, pra minha sorte e pra do meu irmão, era cheia de molecada como a gente. Molecada bacana, que brincava horrores o tempo todo na rua e que tem uma parcela de contribuição enorme pro sucesso que foi a nossa infância. Ao lado do meu avô, sócio do Corinthians desde os idos da década de 60, e que nos incentivou bastante a frequentar o clube, esses moleques também têm uma boa parcela de culpa por sermos os corinthianos que somos hoje, pois todos, com apenas duas exceções (um são-paulino e um da Lusa) eram corinthianos roxos que adoravam torcer pro Corinthians naqueles tempos em que o Neto matava a pau.

Mas, voltando, a imagem que eu tenho dessa minha "primeira vez" jogando bola é o caminhão da mudança parado, descarregando as coisas em frente a nossa nova casa, e eu e meu irmão já batendo uma pelota com os novos amigos da rua. Isso logo no primeiro dia, hein... Percebe-se que meus problemas de sociabilidde vêm de longa data...

Também lembro com muita clareza, a gente já morando em Dois Córregos, de como gostávamos não apenas de jogar futebol, mas de acompanhá-lo também. Tivemos o privilégio de assistir por um bom tempo, entre 1993 e 1994, uma mesa redonda na TV Cultura, o Cartão Verde, composta basicamente por Juca Kfouri e José Trajano nos comentários e por Flávio Prado na apresentação do programa - a pessoa do sexo feminino que leu "mesa redonda" até se arrepiou, tamanho é o ódio que as mulheres, em geral, têm por esse formato de programa esportivo. Mas esse Cartão Verde, pela qualidade profissional do trio, era tolerável no mínimo por alguns instantes pelas mulheres.

O Juca Kfouri se tornou meu herói na profissão: adoro ouvir o programa diário dele na CBN, sou frequentador do blog, sempre que posso leio as colunas na Folha. Do Trajano, infelizmente, acompanhei muito pouco desde então. Ele participa de um programa na ESPN Brasil, inclusive ao lado do Juca, mas como eu não tenho ESPN em casa não consigo acompanhar, e confesso que não sei se ele é colunista de jornal, se tem blog, programa em rádio, etc...

O Flávio Prado, puts, esse é uma decepção monstruosa. Na época do Cartão Verde ele era bem discreto nos comentários pelo fato, principalmente, de ter ao lado dois dos mais respeitados comentaristas esportivos do Brasil. Ele se limitava e mediar a participação do Juca e do Trajano e sempre que comentava algo, por ser um cara discreto na época, o fazia com objetividade e precisão. Hoje em dia, no entanto, o Flávio Prado vai de mau a pior. Apresentador do "Mesa Redonda" e comentarista do "Gazeta Esportiva", ele se tornou agressivo nos comentários, prepotente, generalista, inflexível e até desrespeitoso. Dá nojo. A última dele foi aprovar a péssima atuação do zagueiro Domingos, do Santos, um brutamontes desqualificado futebolisticamente que protagonizou uma das cenas mais lamentáveis de 2009 no futebol brasileiro. Flávio Prado o chamou de "genial", pode?, pela malandragem baixa que esse grosso usou no jogo contra o Palmeiras, domingo passado.

Ver o que se tornou esse profissional que eu acompanho desde criança é uma pena. Relembrar da história toda, aí sim, é genial!

quinta-feira, abril 2

Tsunami de La Paz

Em 2007, o Flamengo foi a Potosi, na Bolívia, e fez um jogo heróico contra o time da casa, o Real Potosi, pela Libertadores da América. Jogando há quase quatro mil metros de altitude, o time do Zico não viu a cor da bola no primeiro tempo e começou perdendo por 2x0. Na segunda etapa, mesmo sofrendo com a falta de oxigênio, os cariocas fizeram dois gols e conseguiram segurar o empate até o final.

Após o jogo, a já tradicional polêmica surgida sempre que um time brasileiro vai jogar na altitude entrou em cena, com o presidente do Flamengo chegando a dizer, inclusive, que sob a gestão dele o Mengão nunca mais subiria a montanha para jogar. Depois de muito burburinho e diz que me disse, a Fifa resolveu intervir e proibiu jogos internacionais em cidades localizadas acima 2.500 metros do nível do mar.

Não demorou e os presidentes da Bolívia e da Venezuela, Evo Moralez e Hugo Chavez, que adoram politizar e polemizar, promoveram diversas ações com o objetivo de mostrar que jogar na altitude não fazia mal à saúde. Uma delas foi uma 'pelada' no estádio Hernando Siles, em La Paz, há 3.500 metros, que teve a participação de Morales e de Diego Armando Maradona, amigão de Fidel, guevarista de tatuagem e camarada de Hugo Chavez.

Três anos se passaram, a Fifa voltou atrás na resolução que proibia os jogos nas alturas e Maradona virou técnico da seleção argentina. Ontem, no mesmo Hernando Siles, o dono da 'mano de Dios' comandou os hermanos em uma das maiores sovas da história do futebol argentino: Bolívia 6x1 Argetina.

Depois do jogo, a imprensa brasileira, que também adora politizar, ainda mais quando tem esquerdista sul-americano no meio, atribuiu a derrota unicamente à altitude, como se a Bolívia não tivesse entrado em campo, como se a Argentina tivesse jogado muita bola. Hoje, uma das matérias publicadas no site do Olé, principal jornal esportivo argentino, falou sobre aqueles que eles consideram os responsáveis pela derrota. "Diego, como conductor y como estratega, es el mayor responsable del tsunami de La Paz". O título da matéria: "Diego 40%, altura 20%, jugadores 30% y Bolivia 10%".

Que jogar em cima da montanha favorece o time da casa, acho que ninguem mais dúvida. Me parece óbvio. O que não pode é ficar martelando na idéia de que, sozinha, a altitude ganha jogo - imprensa e jogadores brasileiros adoram colocar a culpa na altitude depois de algum fiasco. Se altitude ganhasse jogo, a Bolívia golearia todas as seleções que vão a La Paz, e o Real Potosi, do mesmo modo, esmagaria os times que se aventuram em Potosi. Definitivamente, essa não é a regra.

sexta-feira, maio 9

Qual o perfil?

Ninguem mais aguenta ouvir falar do "caso Isabella".
Quer dizer, muita gente aguenta: a polícia estima em mil o número de pessoas que permaneceu em frente ao prédio onde o casal esteve nos últimos dias.
Algumas semanas após o crime, uma van lotada veio de Minas Gerais especialmente para acompanhar o caso, in loco, na frente do prédio em que a menina foi jogada. Ficaram meio que acampados lá.
Antes de ontem, a negada estava na frente da delegacia no momento em que o casal chegava para ser notificado da prisão. Uma anônima, inclusive, deu pra ver na TV, conseguiu acertar de raspela um tapa na cara da Jatobá.
O povo é fanático.
Os jornais deveriam fazer uma matéria com o seguinte foco: qual o perfil desses fanáticos por tragédias, essas pessoas que a gente vê ali, xingando, tentando furar o bloqueio pra dar na cara de quem eles acreditam ser os criminosos, esse povo que vem de van de Minas Gerais só pra dar uma conferida. Quem são esses nego? Em que ramo trabalham? Quantas horas por dia se dedicam ao "caso Isabella"? Qual o livro de cabeceira? Eles preferem o Guilherme de Pádua ou o maníaco do parque? Os biocombustíveis brasileiros são os responsáveis pela alta nos alimentos em todo o mundo? Quem é o responsável pelo vazamento do dossiê sobres os gastos do FHC? Numa noite fria de São Paulo é melhor ficar em casa ou ir pra delegacia do Tucuruvi?
Vou mandar essa pauta pros jornais.


domingo, maio 4

Coro na macaca paraguaia

Estava 2x0 pro Palmeiras quando a raposa do sono me pegou de jeito e me fez dormir até umas 19h. Um pouco antes, umas 18h30, acordei de leve por conta do foguetório e vi que o Parmera havia sido campeão. Tudo bem, acordei cedo e estava com sono, mas uma final entre Palmeiras e Ponte Preta, com os porcos vindo de vitória em Campinas, num domingo com clima propício ao ócio, não é de se estranhar que um não palmeirense se entregasse ao contar de carneirinhos. Agora, fui pego de supresa quando liguei no Terceiro Tempo da Rádio Bandeirantes e vi que o placar tinha sido 5x0. Que coro! O glorioso Neto em algum momento deve ter dito: "A Ponte tá de brincadeira". Se não disse vai dizer, certeza. Que tremendo sparring. Mas a gente tem que ser politicamente correto e não tirar o mérito do Parmera, que fez por onde o campeonato inteiro, tirou a bicharada da reta de maneira espetacular e hoje deu cinco tiros de misericórdia na macaca paraguaia.
Só que vou dizer, porquinhos: se quiserem pegar o Todo Poderoso na Libertadores do ano que vem (já somos campeões da Copa do Brasil), tratem de continuar jogando muito, agora no Brasileirão. Hasta la vista, porquitos!

quinta-feira, abril 24

O ganho da noite

Eram 22h06 quando saí de casa pra correr. Olhei no relógio do computador antes de desligá-lo. Noite agradável, quinta-feira, bares e restaurantes com as mesas praticamente todas ocupadas. Fila começando a querer se formar em frente a balada.
Praticar exercícios no adiantado da noite me faz bem. No dia seguinte, ao contrário do que se possa imaginar, acordo com uma puta disposição boa. Verdade! Além do que estava precisando voltar a correr. Comi muito nestas últimas semanas, não fui tão de leve assim na cerveja, resultado: sensação de peso, acima do comum. Tanto que o desempenho no futebol de terça foi, de longe, o pior nesses seis meses de futebol de terça.
Não devo ter corrido mais do que 20 minutos, o equivalente, talvez, a uns três quilômetros. Fui até o final da rua, voltei, retornei ao final (que pode ser o começo, depende do ponto de vista) e parei. Comecei a andar, já pensando na volta pra casa.
"Pessoal, matéria bacana minha, especial de Londres, na Quem nas bancas hoje. A capa é a Carolina Dieckmann". Esse foi o e-mail que ela mandou ontem, e a primeira coisa que veio à minha cabeça quando virei certa esquina e dei de cara com uma banca de jornal. "Caralho, que massa, será que já chegou nessa banca a Quem com a Carolina Dieckmann na capa?". Jogo pra lá uma Rolling Stone, coloco uma Contigo de lado e eis que puxo a Quem. E sim, que beleza, com a Carolina Dieckmann na capa. "Puta merda!". Abro e vou direto no índice, onde leio que na página 42 a "Quem acompanhou o paparazzo inglês Charlie Pycraft à caça de famosos". É essa a matéria, conforme ela tinha dito há alguns dias. Vou na 42, leio o título e, logo abaixo, Mariana Grebler. Há!!!!!
Começo a ler a matéria ali, deixando de lado o fato de, num dos bairros mais chiques de São Paulo, numa banca que fica em frente a um restaurante frequentado por malas e frescos, estar trajando camiseta azul desbotada, suada da corrida, short da seleção que o Samir esqueceu e tenão fera da Rainha...
Começo a ler e fico preso ao texto, que é daqueles que não te deixam parar de ler porque te instigam a saber o que vem depois, sabe? Frases curtas que se alternam com outras mais longas, vírgulas "no ponto". Tudo muito agradável. Mas ela não havia dito que o texto dela meio que deixava a desejar? Blablablá.
Depois de ter lido a primeira página da matéria, percebo uma movimentação suspeita na banca por parte do cara que trabalha lá. Aquela coisa de "Vai comprar a revista ou não vai? Se não for...". Se não for, vaza.
Vazei, voltei pro aconchego do lar. A noite estava ganha.

sexta-feira, fevereiro 29

É a volta, ora pois!

Caramba, deu até um friozinho ligeiro na barriga quando fui começar a digitar estas mal traçadas. Friozinho daqueles que devem durar menos de um segundo, sabe? Há tanto tempo eu não postava que, na hora de colocar login e senha, precisei de umas quatro tentativas até acertar a combinação.
Pra ser exato, o último texto foi publicado em 5 de março do ano passado, no dia seguinte a uma bela derrota do Todo Poderoso Timão. Mais um pouco e o nosso Segundo Filhote, este jovem rapaz, completaria um ano do mais puro descaso por parte do relapso que nele escreve.
Mas enfim, cá estamos novamente, num momento bastante positivo, que deve ter sido a motivação responsável por me fazer driblar as auto-desculpas que, na hora H, resultavam na minha opção por não escrever. Algumas delas? Tem a tradicional "tô num tremendo bico", que cai bem pra todas as ocasiões. Tem também a não mais convincente "pããããts, será?". Trata-se, na verdade, da boa e velha preguicinha braba, que nada mais é do que uma experiente raposa. Como se não fosse gostoso manter um ritmo de textos postados. Blog vicia. Crie um pra ver.
Pois então, o tal momento positivo tem relação com situações bem bacanas que estão ocorrendo ao me redor atualmente, e outras que logo logo vão acontecer. E aí eu fui vendo que é muito legal ter a sacada de que se está passando por um momento bom e, graças a essa percepção, poder aproveitá-lo ainda mais. Porque a gente costuma dar muito ibope para aqueles períodos não tão favoráveis, e quando o inverso ocorre, o peso dado nem sempre é o mesmo. E essa diferença nem ocorre por mal, pois quando a coisa tá boa tudo vai que vai e você nem para pra pensar.
Tão importante quanto é o fato de estarmos de volta à gloriosa blogosfera, celebrando a nova fase!
É nozes, trufa!

segunda-feira, março 5

Méritos palmeirenses

Depois de um domingão de sol, de clássico contra o Palmeiras, de presença no Morumbi e de um show de bola dos palmeirenses fica difícil pescar apenas um assunto pra destacar aqui no blog. O negócio é tentar escrever sobre aquilo que mais me marcou no jogo, e o que mais me marcou é que, apesar do pau homérico levado pelo meu time, valeu muito a pena estar no Morumbi nesse jogo que vai entrar pra história.
Eu e o Ciborg entramos no estádio por volta das 14h50, uma hora e dez antes do jogo. O sol era impressionante, forte, a temperatura variando entre 31 e 32 graus, e nenhuma nuvem no céu para nos oferecer um sombrinha, ainda que momentânea. Mesmo assim ficamos na arquibancada curtindo o pré-jogo, vendo o campo, os torcedores dos dois times pendurando as faixas, especulando sobre nossas expectativas de público, enfim, tudo aquilo que nos faz entrar no clima da partida.
O jogo começou comigo ainda em estado de fanatismo, o que acabou assim que o Mundinho fez o primeiro gol. Estávamos na arquibancada laranja, atrás do gol corintiano, e vimos quando a bola foi cruzando a área até chegar aos domínios de um jogador, que a recebeu sozinho. Infelizmente, para os corintianos, esse jogador era o Edmundo. Felizmente, para os amantes do futebol, era o Edmundo. Resultado, quando dei por mim que o jogador era quem era, já vi que não teria erro: bola no peito e pau, 1x0 Palmeiras. Logo após o gol, ocorreu algo que, como corintiano, era pra me deixar furioso, mas como amante do futebol, me deixou muito bem. Ele veio na direção da nossa torcida, sem receio algum, e tirou uma onda gigantesca: colocou a mão no ouvido como se quisesse ouvir algo, sorriu, e deve ter falado algo do tipo: "ae, corintianada, lembram de mim? Lembram do que eu fiz com vocês no começo da década de 90, principalmente na final de 93? Não esqueceram não, né? Pois é, o Mundinho aqui tá no final da carreira mas não se cansa de bater em vocês". Fantástico! Um jogador com essa identificação é o que eu quero pro meu time, um jogador com essa identificação é o que todos querem, mas que hoje em dia poucos têm.
Depois do primeiro gol entrou em cena um coadjuvante que encheu os olhos dos palmeirenses. Com um drible capaz de desconcertar três cabeças de bagre do Corinthians, o Valdívia e seus cabelos vieram vindo, vieram vindo, e eu na arquibancada já fui construindo o gol, que obviamente acabou acontecendo.
O primeiro tempo acabou e a minha primeira lição foi assimilada: no Morumbi, em dia de clássico, num domingo de verão, jamais ficar na Gaviões. No intervalo, com muito sufoco, chegamos a uma sombra, demos uma descansadinha, tomamos uma água e fomos pra arquibancada azul, um lugar muito bacana porque é mais tranquilo, espaçoso, e fica entre as duas torcidas, possibilitando a audição de ambas.
O segundo tempo começou e pouca coisa mudou. Marinho e Gustavo continuaram com o show de bizarrices, Marcelo Mattos e Magrão continuaram péssimos, e o Corinthians permaneceu inferior. Contra ataque rápido, o atacante do Palmeiras cruza e lá do outro lado um cara espera a bola, sozinho. Me dei conta que o tal cara era o Mundinho. Resultado: um sem-pulo massa, inapelável e o filho da mãe correndo pros braços da torcida. O que já era bom para os palmeirenses se tornou o paraíso. O que já era péssimo para os corintianos, virou uma coisa inexplicável, indescritível. Só não foi pior porque esse jogo não foi uma final.
A partir daí a torcida do Palmeiras começou a cantar sem parar e o time começou a tocar a bola. Num certo momento, o Valdívia deu uma arrancada fulminate na lateral, em cima do Magrão. Eu só fiquei vendo: será que ele vai cometer o mesmo erro da partida contra o São Paulo ou será que vai aguentar o olé? Aguentou. Logo em seguida, a bola sobrou pro Roger, que driblou um, dois, três e tocou. Os corintianos gritaram "olé". "Olé é o caralho, o time tá perdendo de três a zero, porra! ". Um cara da torcida, lá de trás, gritou isso e muito mais. E eu me senti pequeno, já que gritei olé também. O cara tinha a mais pura razão, afinal, por que o Roger não driblou assim quando o jogo estava zero a zero? Por que ele não fez isso contra o São Paulo? Por que ele não chamou a responsabilidade nestes dois jogos, e agora vem querer dar esses dribles sem objetividade... Tem que massacrar um filho da puta desses!
O jogo terminou e eu saí contente por ter visto um jogão e uma grande festa da torcida, mesmo que o jogo tenha sido bom só pra um time e mesmo que a torcida festejante fosse a outra. Para o futebol e para os amantes dele, esse foi um jogaço!

terça-feira, fevereiro 27

Finalmente

Dia desses estava pensando em como está sendo complicada a situação de eu ter que me informar basicamente pela chamada grande mídia: Estadão e Folha, televisão, CBN, G1, Folha Online, etc. É impressionante como todos eles falam a mesma coisa e têm a mesma opinião, que geralmente é contrária a minha. Como nem sempre tenho grana pra comprar a CartaCapital ou a Caros Amigos, revistas dissonantes, a internet seria a única maneira de procurar alguem que falasse a minha língua. E não deu outra. Hoje eu estava navegando pelo blog do Emir Sader e li um texto em que ele dá uma série de dicas de veículos, impressos e digitais, que destoam daquilo que a gente assisti no Jornal Nacional, por exemplo.
De prima caí no site do jornal mexicano La Jornada, que o Emir chama de "o melhor jornal do continente", onde li uma matéria sobre o crescimento da pobreza extrema nos Estados Unidos. De acordo com ela, os estadunidenses vivem seu pior momento em 32 anos, com 16 milhões de pessoas vivendo na miséria. Um estudo do American Journal of Preventive Medicine mostrou que o número de "estadunidenses severamente pobres" subiu 26% entre 2000 e 2005, índice não atingido por nenhum segmento da economia. A capital, Washington, é a cidade que concentra o maior número de pobres.
Em seguida caí no site do Le Monde Diplomatique - Brasil, onde li um texto sobre a maneira pela qual o ser humano lida com os animais e outro a respeito dos verdadeiros interesses estadunidenses em relação à "problemática" nuclear no Irã. Finalmente achei alguem que fale dos animais como semelhantes. Finalmente li uma matéria que mostra o que está por trás do discurso dos Estados Unidos em relação a Teerã, discurso reproduzido em uníssono pela grande mídia. É uma balela parecida com aquela de uns quatro anos atrás, quando os EUA iniciaram o caos no Iraque com a justificativa de que o país estava desenvolvendo armas de destruição em massa.
Emir Sader ainda deu outras várias dicas que não tive tempo de conferir. Conferir-lás-ei (essa é boa!) em breve.

segunda-feira, fevereiro 26

Capítulo I

É, minha gente, três meses sem publicar um mísero textinho não é pouca coisa, não. A meia dúzia de leitores que passava por aqui já deve ter até esquecido o endereço do pobre Segundo Filhote. Mas vamos lá, o carnaval passou, o ano finalmente começou e eu estou de volta à ativa!
Demorei pra voltar a escrever porque queria que as fotos da viagem que eu e a Mari fizemos no fim do ano já estivem publicadas no fotopic. A intenção era escrever um texto para cada etapa da viagem, que foram três: Salvador, Universo Paralello e Boipeba/Morro de São Paulo. Textos recheados com as fotos. A seguir, um que escrevi ainda em Salvador, na noite do dia em que fizemos um tour pela cidade. Talvez, mais pra frente, eu escreva sobre a UP, Boipeba e Morro de São Paulo.

"Salvador, 26 de dezembro de 2006. 21h16.

Salvador não é o objetivo da nossa viagem, minha e da Mari. A programação que fizemos pra essas duas noites e um dia passados aqui foi bem difícil: a única certeza que tínhamos é que o Pelourinho deveria ser visitado. O resto do tempo a gente resolveria o que fazer.
Acordamos na manhã de hoje, terça-feira, 26 de dezembro, por volta das 10h30. Tomamos café, saímos, pegamos um ônibus e, um pouco antes das 13h, já estávamos no Praça da Sé (sim, existe uma Praça da Sé fora de São Paulo!). Caminhamos poucos metros e entramos na Praça Thomé de Souza, acredito que o marco inicial da cidade.
Mal pisamos na praça e já fomos abordados por um cara que se dizia guia turístico, mas que também vendia colares, pulseiras, etc. 'Essa fitinha do Senhor do Bonfim é um presente pra você', me disse o Vanildo enquanto amarrava a fita azul clara no meu pulso esquerdo. 'Vir pra Bahia e não voltar com uma dessa é a mesma coisa que não vir', completou. Logo atrás da gente estava o histórico Palácio Thomé de Souza, datado de 1549, a primeira construção de Salvador, de acordo com o Vanildo. Segundo ele, Thomé de Souza foi um primeiros brancos a desembarcar em Salvador.

'Amanhã à noite tem show do Olodum'. 'Opa, é na faixa?', perguntei. 'Não, não é 0800 não. Show de graça em Salvador não é legal pra turista, vai muito baiano', brincou. Que beleza...hehehe.
Seguimos caminho e há três quarteirões chegamos ao Pelourinho, a menina dos olhos de Salvador. E não é pra menos, o lugar é lindo. Eu, do alto da minha cabeça fresca, achava que o Pelourinho se resumia a duas ou três ruas de paralelepípedos com casas coloridas. Não fazia idéia da maneira pela qual as cores dos imóveis históricos que servem de restaurantes, ateliês, bares, lojas de produtos típicos, etc, dão vida e alegria àquele lugar, assim como o sorriso e a hospitalidade dos baianos. Alegria, aliàs, é o que não falta por ali. Simplicidade e alegria, seguidas pela hospitalidade, são as principais características do povo baiano, na minha opinião.
Ficamos no 'Pelô' até umas 15h30, quando voltamos à Praça da Sé e tomamos um ônibus com destino ao Farol da Barra, onde chegamos por volta das 16h10. Sentamos nas pedras que ficam à beira-mar, do lado do Farol, mas logo saímos, incomodados pela sujeira do lugar. Sujeira e descaso quanto a ela: essas são as duas críticas negativas que tive nesse pouquíssimo tempo de Salvador.
Das pedras nós saímos pra uma caminhada de quase duas horas que passou pelas praias do Farol da Barra, Ondia e Rio Vermelho, onde estamos passando as noites. E o que vimos em abundância nessas três praias foi muito saco plástico, copo descartável, garrafas e demais variações de sujeira que as pessoas levam à praia. Mas o que nos impressionou, além da ausência de garis, foi a normalidade com que os banhistas convivem com isso. Parecia que eles estavam acostumados com as praias sujas...
Bom, minha gente, agora são 22h10 e eu vou dormir, já que tô quebrado e amanhã pretendemos acordar às 5h45 para iniciarmos a romaria até a Universo Paralello. A Mari tá capotada aqui do meu lado. Tenho certeza que, se acordada, ela mandaria um boa noite pra vocês. Eu mando por ela. Boa noite e até o próximo capítulo.

22h13"

terça-feira, dezembro 19

Emails dos deputados

Logo abaixo, tirados do Nababu, os nomes e emails dos 26 parlamentares que decidiram pelo aumento de 91% nos salários dos senadores e deputados. O salário mínimo lutando pra subir 25 reais e os caras aumentando os próprios vencimentos em mais de 12 mil. Até deputado de partido dito comunista apoiando a medida...
Vamos importuná-los:

* Aldo Rebelo (PC do B-SP) - dep.aldorebelo@camara.gov.br
* Renan Calheiros (PMDB-AL) - renan.calheiros@senador.gov.br
* Ciro Nogueira (PP-PI) - dep.cironogueira@camara.gov.br
* Jorge Alberto (PMDB-SE) - dep.jorgealberto@camara.gov.br
* Luciano Castro (PL-RR) - dep.lucianocastro@camara.gov.br
* José Múcio (PTB-PE) - dep.josemuciomonteiro@camara.gov.br
* Wilson Santiago (PMDB-PB) - dep.wilsonsantiago@camara.gov.br
* Miro Teixeira (PDT-RJ) - dep.miroteixeira@camara.gov.br
* Sandra Rosado (PSB-RN) - dep.sandrarosado@camara.gov.br
* Coubert Martins (PPS-BA) - dep.colbertmartins@camara.gov.br
* Bismarck Maia (PSDB-CE) - dep.bismarckmaia@camara.gov.br
* Rodrigo Maia (PFL-RJ) - dep.rodrigomaia@camara.gov.br
* José Carlos Aleluia (PFL-BA) - dep.josecarlosaleluia@camara.gov.br
* Sandro Mabel (PL-GO) - dep.sandromabel@camara.gov.br
* Givaldo Carimbão (PSB-AL) - dep.givaldocarimbao@camara.gov.br
* Arlindo Chinaglia (PT-SP) - dep.arlindochinaglia@camara.gov.br
* Inácio Arruda (PC do B-CE) - dep.inacioarruda@camara.gov.br
* Carlos Willian (PTC-MG) - dep.carloswillian@camara.gov.br
* Mário Heringer (PDT-MG) - dep.marioheringer@camara.gov.br
* Inocêncio Oliveira (PL-PE) - dep.inocenciooliveira@camara.gov.br
* Demóstenes Torres (PFL-GO) - demostenes.torres@senador.gov.br
* Efraim Moraes (PFL-PB) - efraim.morais@senador.gov.br
* Tião Viana (PT-AC) - tiao.viana@senador.gov.br
* Ney Suassuna (PMDB-PB) - ney.suassuna@senador.gov.br
* Benedito de Lira (PL-AL) - dep.beneditodelira@camara.gov.br
* Ideli Salvatti (PT-SC) - ideli.salvatti@senadora.gov.br

quarta-feira, dezembro 13

Algumas

Aumento pro legislativo

Que bom se pudéssemos escolher quanto ganhar de salário. Ou melhor, que bom se pudéssemos escolher para quanto nosso salário vai subir. Pois é, enquanto tramita no parlamento um projeto que pretende aumentar em R$ 25 o salário mínimo, os deputados e senadores trabalham para aumentar o próprio salário. Aumentar em R$ 25? Não, aumentar R$ 11.800, dos atuais R$ 12.800 para R$ 24.600. Tá bom vai, tudo bem, existe a possibilidade do aumento ser de apenas R$ 3.700. Hoje, talvez pela primeira vez, eu concordei com uma opinião da Lucia Hopólitto, comentarista da CBN, que disse que o congresso tá parecendo um sindicato de deputados. E olha que o presidente da câmara é comunista...

Apreensões

Vejo no Diário de hoje que a Receita Federal e a Secretaria da Fazenda apreenderam duas toneladas de mercadorias piratas, avaliadas em R$ 700 mil, no Stand Center e em outras lojas do gênero, como o Shopping 25, na 25 de março. Todo fim de ano é a mesma coisa: os tais órgãos fazem a festa nesses lugares. Estão certos, afinal, é Natal, Ano Novo, o pessoal lá de casa quer video game novo, computador novo, por que não uma tevezinha de plasma nova? Tevê de plasma é o que tá pegando no momento. Imagina jogar um Winning Eleven num plasma de 40 polegadas. La Bombonera total! Lembro que no ano passado eles fizeram uma dessa no Promo Center, na Augusta, e disseram que dali não sairia mais coelho. Acabou virando uma cartola de mágico novamente.

terça-feira, dezembro 12

Não ao boicote!

Uma das polêmicas do momento gira em torno de um email que circula pela internet pedindo boicote ao filme "Turistas", em cartaz nos EUA desde o início do mês. Pra quem não sabe, o longa foi filmado no Brasil e conta a história de seis jovens americanos que resolvem passar as férias na terra das praias paradisíacas, do futebol, do samba e das belas e fogosas mulheres. Aqui chegando, a turma se diverte a valer com os nativos: muita descontração, caipirinha e "boa noite, cinderela".
Pois é, a folia toda acaba quando eles levam o golpe do "boa noite, cinderela" numa balada pé-na-areia. Acordam na praia, sem passaportes, cartões e dinheiro. Pedem ajuda e acabam sendo vítimas de uma quadrilha de traficantes de órgãos. Ai, ai, ai, que meda!
No tal email, e também em um abaixo-assinado que pede a proibição da veiculação do filme, os principais argumentos utilizados falam que o filme pode prejudicar o turismo no Brasil e que nós não podemos dar um centavo sequer a uma obra que visa denegrir a imagem do Brasil no exterior - clique aqui para um "video" que pede boicote.
Por partes: deixei um recado no orkut da pessoa que criou o email de boicote. É uma baiana que vive do turismo, já que é dona de uma pousada no interior da terra do Jorge Amado.

- O Brasil precisa tanto dos turistas "cabeças", aqueles que sabem diferenciar a realidade da ficção, quanto dos "não cabeças", que acham que o Brasil é apenas futebol, samba e mulher - a baiana me respondeu no orkut.

Acho que ela tem toda razão, realmente o Brasil precisa tanto dos turistas minimamente inteligentes quanto dos desprovidos de inteligência. Acontece que o cinema não pode pagar o pagar pela jumentice alheia, "a arte não pode pagar o preço da ignorância", me disse o Hugo, mesmo que nesse caso a arte seja representada por um filme aparentemente tosco.
"Por favor, passem a mensagem para que um filme como este, que transmite uma imagem extremamente negativa sobre o nosso país, seja boicotado". Como somos hipócritas, não? Essas pessoas deveriam boicotar os sequestros, assaltos, "boa noite, cinderelas" e o tráfico de órgãos, temas fantasiosamente retratados no filme mas que todos sabemos que ocorrem em abundância por aqui.
Quem quiser saber mais, compre o Diário de quinta-feira. Tem matéria minha entrevistando a presidente da Embratur, o diretor geral da Paris Filmes e um crítico especializado em filmes de terror.

terça-feira, novembro 28

Max e o Sepultura

Passei boa parte do tempo vendo alguns videos da banda que foi minha favorita dos 13 aos 19 anos, mais ou menos. E ainda hoje, com 24, eu me arrepio e me sinto bem vendo o Sepultura de antigamente, da época do Chaos A.D., 1994, quando os urros do Max fluíam com facilidade e a energia da banda estava a mil, no auge. Pena que na adolescência as letras desse album não me influenciavam, assim como pouca coisa na época. Pô, as músicas do Chaos A.D. são atualíssimas, peguemos alguns trechos que me vêm à cabeça:

Territory:

"Choice control behind propaganda
Poor information TO MENAGE YOU ANGER
War for territory, war for territory"


Propaganda:

"You think you have the right to put me down
Propaganda hides your scum
Face to face you don't have a word to say
You got my way, now you have to pay
DON'T, DON'T BELIEVE WHAT YOU SEE
DON'T, DON'T BELIEVE WHAT YOU READ"


Refuse Resist:

"Chaos A.D, tanks on the streets
confronting police, bleedding the pleebs
RAGING CROWD, BURNING CARS
BLODSHEED STARTS, WHO'LL BE ALIVE?
Refuse/Resist"



Depois do Chaos A.D. veio o Roots, em 1995, e o Sepultura continuava arregaçando no palco. Pra gravarem o Roots, os caras passaram vários dias convivendo diretamente com a tribo Xavantes, no Mato Grosso do Sul, de onde trouxeram várias influências que foram utilizadas na músicas do album. Usaram berimbau, mostraram a Bahia nos clipes, rodas de capoeira, coisas bem Roots, bem brasileiras. O resultado dessa mistura toda foi o sucesso mundial destruidor por conta de músicas como Roots Bloody Roots, que o Moby tocou no show dele em São Paulo. Veja o que o contato com a raiz fez:

Roots Bloody Roots:

"I believe in our fate, WE DON'T NEED TO FAKE
It's all we wanna be, watch me freeeeeak
I SAY, WE'RE GROWING EVERY DAY
STRONGER IN EVERY WAY
I'll take you to a place, where we shall find our
ROOTS"

Attitude:

"WHAT WERE YOU THINKING? WHAT A WONDERFUL WORLD?
YOU'RE FULL OF SHIT
Leave it behind, they don't care if you cry, all is left is pain
Can you take it?"


Hoje, o Max tá mandando ver toda a criatividade dele no Soulfly, que eu não sou muito fã, ou um fâ em potencial, talvez. O Sepultura vai definhando a cada dia, infelizmente. Como fazem falta, juntos, Max, Igor, Andreas e Paulo. Será que conseguiremos vê-los juntos novamente? Eu estarei lá!

terça-feira, novembro 21

Brasil vs China

Comparações entre os crescimentos econômicos de Brasil e China são comuns nas discussões de ultimamente. Elas foram usadas, inclusive, na recente campanha à presidência da república por um dos candidatos levados ao segundo turno.
Dizem alguns que, enquanto países como China e India crescem 10% ao ano, o Brasil cresce míseros 2%, quiçá 3%. O que essas pessoas se esquecem, no entanto, é que o crescimento das nações asiáticas se dá às custas da devastação do meio ambiente, dos elevadíssimos índices de poluição e do pagamento de salários de m. para trabalhadores que atuam até 14 horas por dia e têm poucos ou nenhum direito trabalhista. Logo, fica a pergunta: será que vale a pena crescer desta concentrada e elitista maneira?
Andando pelo blog do escriba Jorge, me linquei a uma matéria da BBC Brasil que fala do lançamento do livro "O Brasil visto por dentro", escrito pelo indiano Vinod Thomas, diretor do Banco Mundial. Na obra, Thomas diz que "se a China continuar crescendo 10% ao ano, só dentro de dez anos vai alcançar o Brasil (em PIB per capita)”.

Outro trecho:

"Segundo Thomas, o Brasil não precisa olhar para a Índia ou para a China como exemplos para o crescimento, porque pode procurar os exemplos internamente.

'Apesar do crescimento global de 2% a 3%, há Estados no Brasil que têm crescido como a China ou a Índia. Um ponto muito interessante para mim é que os Estados mais pobres têm crescido muito mais do que os mais ricos. No Brasil, quem cresce a 5%, 6%, 7% ou 8% são os Estados do Nordeste. Há clima de investimento e políticas dos governadores que apóiam o investimento do setor privado.'

'Na China e na Índia, os Estados que têm crescido mais são os mais ricos. No Brasil, o crescimento dos Estados do nordeste representa uma distribuição da riqueza.'


Para Thomas, isso representa uma vantagem do Brasil em relação às duas potências asiáticas já que a concentração do crescimento pode gerar tensões que ameacem a sustentabilidade do ritmo de desenvolvimento da economia".

quinta-feira, novembro 9

As derrotas de Bush

A mesma ocupação do Iraque que garantiu a reeleição do Bush em 2004 foi a responsável pela derrota do partido dele nas disputas pelo senado e pela câmara americanos. A expectativa, agora, é que a conduta dos políticos daquele país em relação à "guerra" seja mais, digamos, moderada. Se isso realmente vai acontecer, só os próximos meses irão dizer.
Interessantes são algumas declarações dadas pelo Walker na coletiva que sucedeu a derrota. Na primeira, ele praticamente admite o fracasso ocorrido na terra do futuro finado, Saddam Hussein. Nas outras duas, ele mostra o quão falso hijo de puta consegue ser.

"Reconheço que muitos americanos votaram na noite passada para registrar seu descontentamento com a falta de progresso lá (Iraque). Porém, eu também acredito que a maioria dos americanos dos dois partidos políticos entende que não podemos aceitar a DERROTA".

"A eleição mudou muitas coisas em Whasington, mas não mudou minha responsabilidade fundamental, que é a de proteger o povo americano de um ataque". Pode?

"Eu gostaria que nossos soldados voltassem para casa, mas quero que eles voltem com uma vitória".

quarta-feira, novembro 8

Emir Sader

Acabo de conhecer o blog de um cara que, confesso, tinha poucas ou nenhuma referência. Que vergonha. Esse cara é o Emir Sader, cientista social, professor e colunista da agência de notícias Carta Maior, que recentemente ganhou destaque na mídia pela condenação que recebeu em função de um processo movido pelo senador Jorge Bornhausen, do PFL.
Em agosto, contando com uma eventual vitória de Alckmin nas eleições, Bornhausen disse que estaria livre dessa "raça" pelos próximos 30 anos - a tal "raça" seria o PT. Em artigo publicado na Carta Maior, Sador chamou o senador de racista. Daí o motivo do processo, que resultou na condenação do sociólogo à perda de seu cargo de professor na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e a um ano de detenção, em regime aberto, conversível à prestação de serviços à comunidade. Um abaixo-assinado em solidariedade a Emir foi criado e já conta com mais de dez mil nomes, incluindo gente como Chico Buarque e Oscar Niemeyer. Se você quiser assinar, clique aqui.
No blog, o esquerdista Sader faz uma série de análises que nos ajudam a driblar o discurso predominante da grande mídia. Ah, os blogs! São eles que nos salvam. Vale muito a pena conferir.


segunda-feira, novembro 6

Ensinamento das escolas do futuro

Se ainda houver humanidade daqui a uns 120 anos, as escolas poderão ensinar aos alunos que pelo Brasil passaram três modelos de escravidão, aqui chamadas de Pré-Arcaica, Arcaica e Moderna.
A Escravidão Pré-Arcaica, dirão, começou a ser vivida nos anos que sucederam a ocupação branca do país, em 1.500. Foi uma época que, numa cruel sede colonizadora, os europeus chegaram à América trazendo consigo a pólvora, e com ela o quase extermínio dos humanos aqui encontrados.

- Mas professora - poderá peguntar um aluno - quando teve início o primeiro tipo de escravidão?
- Teve início quando os brancos resolveram escravizar os nativos, que não aguentavam a escravidão por muito tempo e morriam pelo desgaste físico, pelas doenças trazidas pelos colonizadores e por tristeza. Eram chamados de preguiçosos pelos escravizadores...

Tendo em vista que os escravos pré-arcaicos não vinham correspondendo às expectativas, os brancos começaram a pensar em outras possibilidades. A melhor delas foi excursionar à Africa e arrancar os negros que lá viviam para fazê-los trabalhar à força no Novo Mundo. Tem início a Escravidão Arcaica.

- No século 19 - dirá a professora - uma princesa chamada Isabel determinou o fim da Escravidão Arcaica. Os negros estavam livres novamente. Mas imaginem vocês, aluninhos, que eles estavam sem terras para plantar, sem casa para morar e aculturados. A solução encontrada por muitos foi voltar à subserviência dos senhores.

Eis que em meados do século 20 tem início a Escravidão Moderna.

- A Escravidão Moderna foi abolida há pouco mais de trinta anos, vocês ainda nem tinham nascido. Nela, o escravo deixa de não ganhar nada pelo trabalho realizado e passa a ser recompensado financeiramente.
- Mas professora, se eles recebiam pelo trabalho, por que eram escravos?
- Porque, assim como nos dois momentos anteriores de escravidão, os escravos modernos trabalhavam demais. Recebiam de menos, pouco, muito menos que o justo. Os negros arcaicos não ganhavam nada e moravam em senzalas, enquanto os senhores ganhavam muito e moravam nas casas-grande. O escravo moderno ganhava pouco e morava nos morros e nas periferias, enquanto os patrões ganhavam 100, 200, 300, 1.000 vezes mais e se esbaldavam nas mansões e prédios de luxo.

A professora prosseguirá:

- Aquilo que a sociedade do passado chamava de classe média, uma parcela da população que não era nem rica nem pobre, era como os capatazes do período arcaico. Os capatazes não eram escravos nem senhores, mas odiavam os escravos e cultuavam os senhores.

quarta-feira, novembro 1

O tom do verão

Findadas as eleições, a bola da vez estão sendo as acusações de que o governo, seguidamente, viria tentando intimidar o trabalho da imprensa. Há dois dias, militantes do PT teriam hostilizado e agredido com bandeirinhas alguns jornalistas que estavam trabalhando na frente do Palácio da Alvorada. Ontem, em sua coluna na Folha, Renata Lo Prete escreveu que o presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, teria dito que a imprensa deveria "pedir desculpas" pela cobertura feita ao longo das eleições.
Também recentemente, um delegado da Polícia Federal, durante depoimento de cinco repórteres da revista Veja à instituição, teria dado qualidade de suspeito aos jornalistas, que estavam ali na condição de testemunhas. A oposição tratou a suposta intimidação como um "risco à liberdade de imprensa". A OAB "condenou" o suposto acontecimento.
A violência, pra mim, tem que ser condenada sempre, e os militantes do PT erraram feio se realmente agrediram os jornalistas. Renata Lo Prete mentiu quando falou da suposta afirmação do presidente do PT. Numa matéria publicada na mesma Folha, há apenas algumas páginas à frente, vemos que Marco Aurélio Garcia disse que a imprensa deveria fazer uma auto-reflexão sobre a cobertura das eleições, não pedir desculpas por ela.
Em se tratando de Veja, e ainda mais com as "condenações" da oposição e da OAB, fica difícil acreditar que o tal delegado realmente intimidou os repórteres. "Intimidações à liberdade de imprensa": esse é o tom da moda!

segunda-feira, outubro 30

O que eu espero

Se não tivesse justificado, eu teria votado no presidente reeleito. Já disse em outro post que, na minha opinião, os grandes problemas do país - fome e miséria - só serão resolvidos com medidas de longo prazo. Contudo, se você não der comida pro faminto e renda pro miserável (um é o outro, na verdade), medidas de curto prazo, eles não terão condições de sentar na sala de aula e de alugar a força de trabalho. Por isso eu teria votado no Lula, por ele ter implantado os tão criticados Fome Zero e Bolsa Família: formas mínimas de distribuição da tão concentrada renda brasileira.
Agora que as medidas de curto prazo foram tomadas, que o peixe foi dado, chegou a hora de investir nas soluções de longo prazo: emprego e educação, principalmente. Chegou a hora de ensinar a pescar. É isso que definitivamente vai incluir o excluídos e diminuir o abismo entre os poucos com muito e os muitos com pouco. É isso que eu espero do governo reeleito.

quinta-feira, outubro 26

Jornalismo

Assim como a Mãe Diná, o Estadão está vendo o futuro. Até aí, tudo bem. O problema é publicar matéria sobre tais visões como se elas fossem fatos. Atentem-se: suposições, visões e premonições são apenas suposições, visões e premonições.

Título de uma das matérias da edição de hoje, 26 de outubro:

"Lorenzetti vai admitir que queria dossiê, mas de graça".

Trechos da matéria:

"Jorge Lorenzetti (...) afirmará aos deputados..."
"A versão seguirá o mesmo roteiro..."
"Lorenzetti dirá aos parlamentares..."
"Segundo afirmará o churrasqueiro..."

Mais um pouco:

"Lorenzetti dirá que ouviu dos emissários que haveria..."
"Lorenzetti dirá ainda que os dois..."
"Lorenzetti afirmará que descartou..."
"Mais uma vez ele dirá..."
"Assim, ele sustentará..."
"Também dirá que..."

Essa é a nova maneira de se fazer jornalismo!

terça-feira, outubro 24

De lá e de cá

Primeiro, petistas chamaram Geraldo Alckmin de Pinochet, o ditador chileno. Diziam que só mesmo um regime ditatorial seria capaz de solucionar tão rapidamente os casos investigados pelas instituições. Agora, tucanos chamam petistas de nazistas. Dizem que a máxima do ministro da propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, "uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade", vem sendo usada pelos governistas nas críticas às privatizações já realizadas e às que viriam a rechear o mandato alckimista.

quinta-feira, outubro 19

Outra tese, melhor

Sugeri, dois posts abaixo, que o crescente desempenho lulista nas pesquisas deve-se ao aparecimento mais constante do presidente nos debates e entrevistas corridas, ao vivo. Em sua coluna na Folha de hoje, Janio de Freitas levanta uma tese mais pertinente que a minha, a de que o sapão vem sendo beneficiado pelos votos migrantes de Heloísa Helena e dos eleitores esquerdistas de Cristovam Buarque. Ora, "em quem votariam tais eleitores senão em Lula, sendo eles parte do segmento de mais firme consciência política no eleitorado?". O antigo PCB, diz Janio, aderiu à candidatura Alckmin devido à "velha gana anti-Lula e anti-PT (...) Ao que mais seja ainda chamado de esquerda só resta invalidar o voto ou engrossar o índice de Lula".

quarta-feira, outubro 18

O criminoso e a prova do crime

Estação Liberdade do metrô. Alex interrompe sua leitura devido à proximidade da estação Sé e coloca a prova do crime sobre o colo. De canto de olho, o Anônimo sentado no assento ao lado lê os escritos da tal prova. Estupefato, Anônimo ameaça olhar, também de canto de olho, para o rosto do criminoso. Desiste.
"Estação Sé, desembarque pelo lado esquerdo do trem", anuncia o maquinista. Alex levanta, Anônimo também: momento ideal para que o segundo possa olhar no olho e vislumbrar o rosto do criminoso. É o que acontece. As portas se abrem. Alex vai para um lado e o Anômino segue para o anonimato.

A "prova do crime" é a revista CartaCapital. Os "escritos", a manchete de capa (A trama que levou ao segundo turno) e o subtítulo (A partir da trapalhada do PT, a mídia, em especial a Rede Globo, beneficiou o candidato tucano de forma decisiva, às vésperas das eleições presidencias, com a divulgação das fotos do dinheiro e a ocultação de informações cruciais na cobertura do escândalo do dossiê).

Apareça e levarás

Foi só depois do aparecimento mais constante (e não editado) do presidente Lula na mídia que seu desempenho nas pesquisas passou a crescer continuamente, embora, desde o início da corrida eleitoral, ele esteja na frente nas intenções de voto. Assim, seu desafio sempre foi manter o posto. O de Alckmin, bem mais difícil, é tirar votos do sapão e trazê-los para si.
Lula, ao longo dos quase quatro anos de governo, evitou entrevistas coletivas, de estúdio e os dois primeiros debates. A imagem que muitos fizeram dele acabou sendo moldada pelas matérias editadas da grande e facciosa mídia brazuca.
Quando resolveu aparecer num debate ao vivo, de quase três horas, nas entrevistas das principais rádios e no programa Roda Viva, seu indíce nas pesquisas apenas subiu. Subiu na primeira pesquisa pós-debate - o mesmo debate que a grande imprensa atribuiu vitória ao tucano - e subiu na pesquisa Datafolha divulgada hoje. Coincidência?

quarta-feira, outubro 11

O contraste

No domingo, infelizmente, acabei pegando o debate a partir do terceiro bloco. Ao final, fiquei satisfeito. Conclui que houve um empate técnico, embora, talvez por ser contrário ao PSDB, tenha achado que o Lula levou ligeira vantagem. Penso que o sapo barbudo foi convicente nas réplicas, tréplicas e respostas às duras perguntas do picolé. Achei, contudo, que o petista deu uma bela titubeada quando perguntado sobre as supostas privatizações previstas pelo tucano em seu plano de governo. Também achei que o Alckmin foi bem. Trouxe à tona a questão da corrupção disparando a metranca giratória na direção do até então blindado (não pela mídia) presidente.
Nos dois dias seguintes ao debate, li nos jornais e ouvi no rádio opiniões que contrastavam bastante com a minha. Editorial da Folha, coluna do Clóvis Rossi, comentários da CBN de Arnaldo Jabour, Mirian Leitão e ...... Lúcia Hippólito - como tenho aversão a essa mulher; pra quem não lembra, ela fez parte das "Meninas do Jô", atração já extinta do programa do quibe às quartas-feiras. Mas minha antipatia por ela ocorre por outros motivos. Enfim, todas essas pessoas diziam que o Alckmin foi o dono do debate, que sua postura firme desnorteara o presidente, principalmente nos dois primeiros blocos, justamente aqueles que eu não havia assistido. "Cacete, preciso ver esses blocos de algum jeito", pensava eu. Recorri ao bom e "velho" You Tube, onde achei apenas o primeiro. Nele, novamente vi um equilíbrio grande entre os dois candidatos, com Alckmin mandando ver nas perguntas e Lula se saindo bem nas respostas. Assim, de onde aqueles jornalistas tiraram que o Alckmin foi tão superior ao Lula? O Mino Carta e o Escriba Jorge, no excelente texto "Nas cordas e vencendo", compartilham da minha opinião.
Hoje, a primeira pesquisa pós-debate publicada pela Folha mostrou que o Alckmin caiu e que o Lula subiu, inclusive "entre os eleitores mais escolarizados e de maior renda, justamente os segmentos onde a audiência e o acesso às repercussões do debate foram maiores". Ué, mas o picolé Exterminador não havia dado show no sapo Smeagol?
Pelo jeito, a visão dos (de)formadores de opinião andam contrastando bastante com aquilo que vêem os reles mortais. Como diz o novamente citado Mino, vivemos diante da mídia mais facciosa do mundo.

Ps.: 0 Alckmin diz que, se eleito, vai chamar a responsabilidade pra si e virar o capitão da luta contra o crime. Nesta entrevista ao programa Dateline, da tevê australiana SBS, a responsa não foi chamada.

quarta-feira, outubro 4

Intolerância política

Se você milita por algum partido político, é filiado, participa das manifestações, encontros e debates dele, é até entendível que você seja, digamos, intolerante em relação aos partidos e canditados que se opõem à sua agremiação. Entendo, não concordo. Mas se você não tem filiação partidária e fica com a bunda na cadeira o dia inteiro sem fazer nada para melhorar o lugar onde vive, por que você é tão intransigente e extremista em relação às posições políticas contrárias às suas? Use sua energia e faço algo pelo país, ao invés de apenas trabalhar democraticamente de quatro em quatro anos!

sexta-feira, setembro 15

Rogério Ceni e o meu presente

O Rogério Ceni tomou atitudes inusitadas ontem, no Morumbi, depois da derrota que sacramentou o tri-vice campeonato do São Paulo na temporada. Inusitadas para não falar anti-desportiva e desrespeitosa.
Primeiro, o fato: o empate de 2x2 contra o Boca Juniors garantiu o título da Recopa aos argentinos, que ganharam o primeiro jogo, em Buenos Aires, por 2x1. Os hermanos venceram na bola e empataram na bola, não no apito. Sendo assim, nada explica a atitude do goleiro, que logo após ter recebido a medalha de prata tirou-a abruptamente do pescoço, como se ela nada representasse. Será que se o São Paulo tivesse ganho o primeiro jogo e empatado o segundo, ambos na bola, como fez o Boca, ele teria feito o mesmo?
Esta foi a atitude anti-desportiva. A pior, a desrespeitosa, veio em seguida: Rogério chegou perto do fosso que separa a arquibancada do campo e atirou a medalha pra torcida são-paulina. Presumi-se pela primeira atitude que o prêmio pela segunda colocação não vale nada pro goleiro, não representa coisa alguma. "Toma aí, torcedor são-paulino! Fique com este objeto que pra mim não vela nada, por isso me desfaço dele. Pra vocês pode representar alguma coisa".
Atitudes Rogério Cenísticas à parte, a derrota do São Paulo foi um presente de aniversário que o Boca me deu!

quinta-feira, setembro 14

Em busca da agulha negra

Quando os presidentes dos Estado pobres são fruto da maioria absoluta da população do país que governam, os desfavorecidos vislumbram uma agulha de esperança em meio ao palheiro de desigualdade.
Na Bolívia, nação de maioria indígena, o presidente indígena vem sacudindo a política externa sul-americana e causando calafrios à boa parte da mídia brasileira. Com isso, um projeto repugnado pelo sistema vem sendo moldado e o talvez mais pobre país do cone sul começa a enxergar uma luz no fim do túnel.
No Brasil, um presidente que não provêm da massa miserável foi o governante por oito anos consecutivos. Estudado, intelectualizado, "estadista", foi ele a agulha? Sei que a desestatização foi grande.
Em 2002, um presidente com a cara dos milhões tomou posse e frustrou boa parte dos eleitores. Não é estudado nem intelectualizado, assim como a imensa maioria. À vista da classe média, pouco fez. À massa, ele é a agulha, pois trouxe a solução de curto prazo.