quarta-feira, outubro 13
Eu gosto de trabalhar no feriado
Isto posto, eu reafirmo o que disse no título e digo mais: pra mim, trabalhar no feriado é muito mais gostoso do que em um dia normal. É tudo mais light. Desde o momento em que eu acordo. Hoje, por exemplo: a primeira coisa que me veio à cabeça quando o despertador do celular tocou foi:"cadê o barulho dos carros na rua?". Era impressionante o silêncio. Nem de domingo a tranquilidade é igual a essa que estava hoje, feriadão. Me arrumei, desci e quando saí do prédio vi que era mesmo verdade: não passava carro nenhum na rua, e nem gente! Fui pro ponto pegar o ônibus e a Rebouças suuuuper tranquila, quase nenhum motoqueiro, alguns poucos carros vindo em uma velocidade bem abaixo da que a gente está acostumado a ver. Peguei o ônibus e depois o metrô ouvindo meu sonzinho e tudo numa relax, numa tranquila, numa boa - viva Tim Maia!
No trabalho o clima também é outro, com o ritmo menos acelerado, telefone que não toca, caixa de e-mail incrivelmente parada. A hora do almoço é o momento mais complicado: tá tudo fechado e você acaba sendo obrigado a encarar aquele filé de frango de 8 conto do pé sujo da esquina. Mas tudo bem também, vai que vai.
Eu só fui me sentir na São Paulo velha de guerra na hora de ir embora do trabalho, no começo da noite, com a galera voltando de viagem e a cidade novamente lotada de carros, ônibus, motos, pessoas, pressa...
No próximo feriado, portanto, eu com certeza vou preferir estar contigo no show do Rage Against Contra A Máquina em algum festival por aí, se der também poderei optar por dourar meu bronzeado de palmito em alguma praia, ou poderei estar também na poltrona ao lado da sua, assitindo aquele filminho esperto. Mas se por acaso a senzala chamar, nós estaremos lá, dando o sangue sem maiores pormenores. Não estaremos?
*escrito ontem, dia 12
sexta-feira, outubro 1
A volta do que não foi
Graaaande Cumbica.
Gostoso ir pra lá no horário de pico de um dia chuvoso de São Paulo.
Bom, bom.
Tráfego fluindo bem, tudo tranquilo, motoristas em clima de yoga aos volantes.
Hum.
Problemas da megalópole à parte e voltando ao assunto que me levou a escrever estas mal traçadas linhas, você reparou ali atrás que eu disse que "faria" um voo pra Montevideo, né? Pois bem, meus caros, faria. Porque cometi um vacilo daqueles - levei apenas minha carteira de habilitação como documento, nem passaporte, nem carteira de identidade original - e tive meu check-in negado. A minha sorte - Deus protege as crianças e os distraídos - foi que consegui ser remanejado pra um voo amanhã cedo, às 9h, e não perderei o compromisso que terei por lá.
Ufa!
Problema resolvido, ainda do aeroporto eu liguei pro taxi que me trouxe pra casa e, enquanto o esperava, fiquei navegando pelo site do Panrotas.
E eis que caí em uma das várias notícias que publicamos hoje sobre os problemas enfrentados pela Webjet e pelos passageiros da companhia.
Só dando uma leve recapitulada, pra quem não acompanhou: primeiro, às 11h46, veio a notícia de que, até às 11h, a aérea havia cancelado 54% dos voos programados para toda a segunda-feira. Pouco depois, por volta das 13h55, saiu o comunicado oficial sobre os cancelamentos, que em determinado trecho diz: "O forte crescimento dessa demanda em setembro levou a empresa a remanejar passageiros por meio de contatos antecipados via call center. Vale destacar que 90% deles foram avisados previamente, evitando deslocamentos desnecessários até os aeroportos".
E justamente enquanto lia essa parte, eu notei que as três pessoas que estavam ao meu lado, dois gringos sulamericanos e uma baiana, haviam sido prejudicados pelos cancelamentos. Puxei papo e a baiana me disse que eles pegariam um voo da Webjet pra Salvador, às 22h, se não me engano.
- Eles (Webjet) disseram pra gente ficar aqui até às 2h15 da manhã - ela me falou . Isso eram umas 21h, mais ou menos.
Eu tornei:
- Mas o que exatamente vai acontecer às 2h15? Vai sair um voo? Eles vão ter um posicionamento? Alguem vai falar alguma coisa?
- Não sei, não consegui entender.
Como estava com o site do Panrotas aberto, eu mostrei o comunicado oficial da Webjet pra eles, apontei pro trecho que citei ali em cima e soltei, em tom de brincadeira, pra descontrair, no melhor estilo Galvão Bueno:
- Éééé, amigos, infelizmente vocês fazem parte desses 10% aí que não foram "remanejados por meio de contatos antecipados via call center", que "não foram avisados previamente" e que "se deslocaram desnecessariamente até o aeroporto". Risadinhas!
Ahhhh, humor negro cai bem nesses momentos vai...
Não podia perder essa, né?
...
...aiaiai...
...
...podia?
sexta-feira, setembro 3
Viajando de trem, ontem e hoje
Mas olha, não era fácil não, pelo contrário: viajar de trem era uma tortura (os saudosistas vão querer me matar, mas é verdade!), pelo menos para nós, crianças de 10, 11 anos. O trem já chegava em Dois Córregos atrasado - nós ligávamos na estação para saber se ele estava no horário ou não. Embarcávamos e muitas vezes não havia lugar para sentar - tínhamos de esperar sentados em cima das malas, ou em pé, até que alguém descesse nas próximas cidades e um banco fosse liberado. A batalha seguinte, então, passava a ser o marasmo de viajar sete, oito, nove horas naquele calor, trem lotado, funcionário passando no corredor vendendo pão murcho com mortadela de ontem. Jesus!
Em Morretes, cidade histórica do século 18, a parada é para o almoço, que tem como principal chamariz um prato típico paranaense chamado barreado (carne bovina cozida em panela de barro durante 15 horas, temperada com coentro, bacon, alho, cebola e loro e saboreado com farinha de mandioca semi-torrada e banana). Paralelamente ao barreado, os restaurantes locais costumam servir porções saborosas de camarão, peixe e derivados.
terça-feira, agosto 24
E como come-se bem na Bahia
Então vamos lá. O restaurante se chama Paraíso Tropical, fica no bairro Cabula e é comandado por uma figura simpaticíssima: o chef Beto Pimentel. O cara é um show à parte, super bem-humorado, empolgante, aquele tipo de pessoa que parece que você conhece já de outros carnavais, emobra o estejam te apresentando naquele momento, sabe? Um grande anfitrião que, se deixar, passa o tempo todo ali com você, explicando cada pequeno detalhe dos pratos que ele cria e serve.
E já que toquei no assunto pratos, eu tenho que chamar a atenção para aquilo que, na minha opinião, é o maior charme da casa: a existência de um pomar envolto por Mata Atlântica, nos fundos do restaurante, onde estão plantados seis mil pés de mais de 200 tipos de frutas. Até pé de amarula o homem tem lá, acredita? E eu que acahava que amarula nascia na prateleira do supermercado, dentro daquelas garrafas marrom-claro que têm uns elefantes desenhados... Outra característica inteessante do Paraíso Tropical é que os itens nascidos nesses seis mil pés - como você, audaz que só você, já deve ter feito a ligação - são usados na composição dos pratos, em substituição aos produtos industrializados, o que deixa tudo muito mais leve. Dá pra imaginar leveza na gastronomia baiana? Aí sim fomos surpreendidos novamente, Zagallo!
De entrada eu provei uma casquinha de aratu - o aratu, segundo o Beto, "é o primo rico do siri". É tipo uma casquinha de siri mesmo, mas, obviamente, com um outro sabor, tão gostoso quanto. Ainda no quesito casquinha eles tem uma série de opções: atapu, calapolvo, camarão, lagosta, polvo, preguari e siri. Agora respirem fundo para os pratos principais: Sertanejo Tropical (carne de sol, carne de fumeiro, linguiça de fumeiro, manga, caju, banana, maçã, kiwi, pêra e mangalô, tudo grelhado e banhado ao caldo de achachairu, cacau, biribiri, mel de abelha nativa, limão e ervas aromáticas) e Moqueca de Peixe ao Paraíso (peixe cozido com coco de olicuri, palmito de coqueiro fresco, lâmina de coco verde, pitanga, biribiri, amora, pimenta de biquinho, folha e flor de vinagreira, temperos especiais e aromáticos, fruto de dendê e azeite de oliva extra virgem). Ufa! Essa fartura toda regada a um suquinho frozen de acerola - se você for mais curioso, pode pedir um suco de sapoti, de seriguela, mangaba, umbu cajá...
E não se surpreenda se, enquanto estiver se deliciando com as receitas que só são encontradas lá, você vir alguns macaquinhos deslizando de árvore em árvore no pomar. Bom apetite!

Casquinha de Aratu com uma farofinha esperta

Suco frozen de acerola

Moqueca de Peixe ao Paraíso

Sertanejo Tropical

Pomar ao fundo

O chef Beto Pimentel e a filha, Carla
segunda-feira, julho 12
A seleção de 2014
Pra abrir o apetite: dá pra imaginar um meio campo com Ramires, Elias, Hernanes e PH Ganso? Pelamor, é o meu meio campo dos sonhos!
Então vou mandar a minha seleção e, mais abaixo, os porquês:
Júlio César, Daniel Alves, Thiago Silva, Alex Silva e André Santos; Ramires, Elias, Hernanes e Paulo Henrique Ganso; Nilmar e Neymar. Técnico: Dunga.................. Brincadeira, é Felipão, mano!
Seleção forte ou não? Viiiiixe!
Os porquês:
1- Goleiro: o Júlio César terá 35 anos em 2014, idade talvez avançada, mas pelo fato de ser disciplinado e ter atingido o auge nos últimos dois anos, eu aposto que ele consegue manter boa parte da forma atual - pra efeito de comparação, o Rogério Ceni tem 37 anos atualmente;
2- Lateral direito: cocei, quase coloquei o Maicon nessa lateral, mas não sei se ele terá daqui a quatro anos, com 33, o mesmo vigor físico que tem hoje. Ainda assim, não descarto a possibilidade. O Daniel Alves terá 31 - dois anos fazem diferença pra essa posição. Obs.: tem muita gente colocando aquele tal de Rafael, do Manchester United, nessa lateral, mas eu não conheço o futebol dele;
3- Zagueiro: acho que o Thiago Silva é quase unanimidade pra essa posição, não?
4- Quarto-zagueiro: tomando por base a seleção dessa Copa, o quarto-zagueiro seria o Luisão, que foi reserva imediato na África. Mas eu prefiro o Alex Silva. Questão de gosto mesmo;
6- Lateral esquerdo: pelo cenário atual, a coisa fica entre o Marcelo, do Real Madri, e o André Santos. Sou fã do Marcelo, que é super habilidoso, rápido, um dos únicos que se salvaram nas Olimpíadas de Pequim. Não sei por que o Dunga não deu sequência na convocação dele. Mas escolhi o André Santos (por muito pouco) porque o acompanhei mais e sei que ele é um monstro, apoia muito bem, chuta forte, tem habilidade...;
5- Volante: alguns poderão dizer que a escolha foi passional, mas vai negar que o Elias é um tremendo marcador - parece o pitbull do diabo correndo atrás do atacante -, que protege a zaga pra caramba, que sai jogando bem, tem volume de jogo, impõe ritmo, chega bem no ataque e ainda faz gols?
11- Segundo volante: assim como o Elias, o Ramires é um volante moderno, incansável, marcador, carrega muito bem a bola, em velocidade. Já deveria te sido titular na África do Sul no lugar do Felipe Maníaco do Parque de Pádua da Luz Vermelha Mello. Ps.: não consegui achar outra camisa pra ele, por isso a 11;
8- Meia: todo mundo conhece o Hernanes, então nem preciso falar muito. Mas não deixa de ser uma aposta, pois as atuações dele oscilam demais. Eu aposto;
10- Segundo meia: se alguém souber como faz pra tirar a bola do pé do Ganso, por favor clique no link "comentários", mais abaixo, e revele o segredo;
7- Atacante: Neymar dispensa apresentações;
9- Atacante: o Nilmar tem características similares às do Neymar, como velocidade e habilidade. Por isso, alguem pode dizer que só um deles deveria jogar, ficando a outra vaga pra um atacante mais matador. Mas o Nilmar não é um tremendo finalizador?
Técnico: Felipão. Felipão é Felipão. E vice-versa!
sexta-feira, julho 2
Viagem do sonho
"Olha, eu não tenho uma 'viagem do sonho'.
Mas calma, é uma questão de conceito. Explico: 'do sonho', pra mim, tem conotação daquilo que é platônico, daquele sonho de criança de ser jogador de futebol, aquela coisa meio inatingível, utópica. E agora, trabalhando com turismo, eu percebi que se a gente realmente se propuser a fazer uma viagem, no sentido de programação, planejamento, economia de grana, pra onde quer que seja, a gente viaja, pois os lugares estão aí, acessíveis...
(Pausa de alguns instantes)
(Construindo o pensamento)
Então, pra mim, a viagem do sonho não tem relação apenas com o destino, aquela coisa de 'meu sonho é ir pra Índia', 'meu sonho é viajar pra Fernando de Noronha', 'meu sonho é viajar pra Paris'. Índia, Fernando de Noronha e Paris estão aí. Acho que a minha viagem do sonho seria pra algum lugar de praia, daqueles paradisíacos, escondido em algum canto da Jamaica, naquela ilha do Pacífico, onde eu pudesse ficar confortavelmente instalado numa cabana ou numa casa de pau à beira-mar, com uma varanda, para acordar e ir me espreguiçar nessa varanda, olhando pro mar azul e pra areia branquinha, vendo os pescadores voltando do mar, tirando os peixes dos barcos coloridos, eu sem nenhum tipo de programação. Acordar, olhar pro mar, dar uns passos até a areia, me fazer entender pra algum nativo que pudesse me falar sobre algum lugar bonito para se caminhar até...
E aí é que eu acho que entra a utopia que faz dessa a minha 'viagem do sonho': eu gostaria de estar inserido nesse contexto sem estar 'preso' aos compromissos do mundo real. Ou seja, se fosse uma viagem de férias, eu saberia, lá no fundo, que dali há algumas semanas eu estaria de volta pra onde quer que fosse. Se estivesse passando um feriado prolongado, eu saberia que dali há três ou quatro dias eu estaria de volta. E na minha viagem do sonho eu gostaria de estar em total liberdade.
Será que é pedir muito? "

Vista da minha varanda
terça-feira, junho 22
Encontro com o tubarão-baleia
Golpe de sorte, privilégio, situação corriqueira, talvez um instante nem tão especial assim. A definição eu deixo a cargo do nobre leitor e também a você, cara leitora. Mas o fato é que no primeiro mergulho que fiz na vida, em Los Cabos (México), eu topei com um tubarão-baleia de seis metros, mais ou menos, com quem nadei lado a lado durante três, quatro, cinco minutos, a pouco mais de 12 metros de profundidade. O ocorrido se deu nas proximidades do lindíssimo arco que simboliza o destino, em águas límpidas e repletas de plantas e peixes coloridos que, na década de 70, foram chamadas por Jacques Costeau de "o aquário do mundo".

Do começo: saí bem cedo do hotel naquele dia, pouco depois das sete da manhã, na companhia das amigas comunicadoras Sarah e Mariana, que possuem experiência em mergulho e são formalmente credenciadas para tal. Chegamos à marina de Cabo de San Lucas, fomos apresentados a nossos instrutores (o meu foi o argentino Nacho) e seguimos para o barco. No mar, ancorados no ponto de mergulho, recebi as instruções do Nacho durante uns 30 minutos enquanto Sarah e Mariana, com um grupo de norte-americanos também experientes e credenciados, recebiam as orientações de um outro instrutor.

Eles caíram no mar primeiro, Nacho e eu depois, e já nos primeiros instantes embaixo d'agua eu fui me deslumbrando com aquela nova realidade que se apresentava a mim. É uma coisa doisa: você está lá, nadando lentamente, movimentos vagarosos, e de repente vão aparecendo peixes e mais peixes que você nem consegue saber de onde. Eles simplesmente aparecem, sozinhos ou em bando, os cardumes, olham para você, passam perto, por cima, por baixo. Como se tratava do meu primeiro mergulho, Nacho não síaa de perto, e, mais que isso, ia me segurando e me guiando exatamente como um cachorrinho na coleira. Pode rir, tudo bem, mas é isso mesmo: eu, deslumbrado, ia explorando aquele brave new world e ele, segurando em alguma parte do meu macacão ou do meu cilindro, não sei ao certo, ia me guiando, me apontando as direções, me dando as orientações de como lidar com a pressão que volta e meia apertava os meus ouvidos.

O que mais me impressionou inicialmente foi a coloração dos peixes. Eu nunca tinha parado para pensar sobre isso mais profundamente, mas quando via aqueles peixes cheios de cor nas lojas de aquários, pensava superficialmente que se tratava de algum trabalho de laboratório, que os bichinhos sofriam algum tipo de intervenção, sei lá, e ficavam coloridos daquele jeito para ficarem mais atraentes e, consequentemente, serem vendidos mais rapidamente (pode rir de novo, à vontade!). Mas não, eles são daquele jeito mesmo, têm cores, formas e tamanhos sem fim.


E assim continuávamos nosso mergulho quando, do nada, mas do nada mesmo, nos vemos atrás do tubarão-baleia, a alguns poucos metros da cauda dele, que deslizava tranquilamente no mesmo sentido que nós. Olhei para o Nacho, comecei a gesticular como que perguntando "você está vendo, é isso mesmo?", e quando caiu a ficha, nossa, eu comecei a rir, a rir tanto e a fazer tanto barulho que pensei que pudesse espantar ou assustar o bicho. Que nada: o pedaço ali era dele, eu era o estranho no ninho, o mero coadjuvante, e ele continuou a deslizar com aquela tranquilidade característica dos tubarões-baleia, que eu só conhecia pela televisão.
Comecei, então, a nadar mais rápido para tentar "ultrapassá-lo" e olhá-lo de frente, pois o que eu queria não era nem tocar nele, mas sim olhá-lho no olho, ter a experiência de ficar de frente com um tubarão-baleia no habitat dele. Mas percebi que isso não iria acontecer se fosse depender da minha "ultrapassagem", já que eu não conseuia nadar mais rápido que o bicho. Só haveria possibilidade caso ele desse uma virada de 180 graus e viesse de encontro a mim. Não demorou e foi exatamente isso que aconteceu: ele se virou, e em alguns centésimos de segundo enquanto virava ficou de frente pra mim, eu consegui olhar no olho dele, a alguns pouquíssimos metros de distância, e então ele passou por nós e sumiu mar adentro.
Já me disseram que isso foi sorte de (mergulhador) iniciante, e talvez nem tenha como dizer o contrário. Mas como se tratou de um dos momentos mais especiais da minha vida, eu acho que é mais que isso. Se você, então, me perguntar o que EU acho que foi, vou te dizer que não sei, e realmente não sei. Vai além da minha compreensão. Só sei que fui muito feliz.


No link abaixo, registros da viagem ao México:
http://www.panrotas.com.br/tv-panrotas/destinos/em-recente-viagem-ao-mexico-o-reporter-alex-souza-registrou-tres-momentos-interessantes-o-relato-de-um-encontro-com-um-tubarao-baleia-em-um-mergulho-feito-em-los-cabos-uma-visita-as-piramides-de-t_1896.html
terça-feira, março 16
Dia de Indy
Mas gosto do esporte.
Provavelmente o Senna, a quem assisti muito pela televisão durante a infância, seja um dos responsáveis por isso.
Tenho vaga lembrança, por exemplo, do GP de Suzuka de 1990, o último daquela temporada, quando o Senna jogou a Mclaren dele em cima da do Prost, assim como o francês tinha feito com ele no ano anterior, e se tornou bi-campeão.
Também lembro, com mais riqueza de detalhes, do GP de Suzuka do ano seguinte, 1991, quando o Mansell, dirigindo aquele veneno de Williams, comeu terra na primeira curva depois da reta, se não me engano, enquanto perseguia o Senna insandecidamente, parecendo um "lião", como o Galvão Bueno gostava de chamá-lo.
Outra lembrança dos "anos dourados" da Fórmula 1 foi a de 1º maio de 1994, no GP de San Marino, em Ímola, quando o Senna passou reto na curva Tamborello e bateu forte, forte. Lembro, segundos depois da batida, dele virando a cabeça pro lado esquerdo, num movimento lento, cabeça caída...
Mas foi no final de semana passado que tive minha experiência mais intensa em relação a corridas: fui a trabalho ao Anhembi, no domingo, e assisti a etapa brasileira da Fórmula Indy.
Sensacional!
Mas sensacional falando agora, depois da corrida. Porque antes eu tava fracassado, com sono, vontade de deitar, aquele sol no lombo, cerveja 6 pila...
Até cogitei pegar um táxi e vazar pra casa no meio da prova.
Devia ser começo de gripe.
Mas foi começar a corrida pro negócio mudar totalmente. Pois é impressionante como aquilo é.
Logo depois da largada, quando os carros passaram pela primeira vez na minha frente, todos eles juntos, em bloco, vixe, já subiu uma senhora adrenalina.
O barulho dos motores é um negócio impressionante que faz toda a diferença. Se os carros de corrida não tivessem o ronco que têm, arrisco dizer que assistir corrida ao vivo perderia, sei lá, 40% da graça. Porque é um barulho tão forte, uns estralos quando eles freiam, que você fica hipnotizado. Uma hipnotização que ocorre, na verdade, quando você se dá conta que esse barulho vêm de dentro daqueles carros.... carros de corrida, aqueles que você só via pela televisão, sabe? Ali eles são maiores, mais compridos, mais coloridos. E ainda têm aquele ronco!
Fascinante!
O problema é que a minha localização no autódromo não era das melhores. A cabeça da galera na frente e os alambrados atrapalhavam um pouco. E eu ainda não tinha um raio de visão muito grande, o que me impedia de ver os carros de longe, quando eles vinham, e depois vê-los ao longe, quando passavam.
Outro detalhe é que eu estava no final da reta do Sambódromo, local onde os carros já vinham em menor velocidade por causa da curva. O lugar que o bicho pegava mesmo, onde eles pisavam sem dó, era na reta construída paralelamente à Marginal Tietê. Lá o pau torava de verdade, mas não tinha arquibancada. Uma hora, no meio da corrida, eu fui a pé até ali perto, e por um vão de mais ou menos três metros de largura no muro de alumínio que eles construíram eu consegui ver os carros a mil. Meu amigo.......
Cara, ver aqueles aqueles carros hipnotizantes a mais de 300 km/h é muito foda. E ali eu vi talvez a principal cena da corrida pra mim, que foi uma ultrapassagem. Quer dizer, pelo vão de três metros deu pra ver que eles estavam lado a lado, em processo de ultrapassagem, não deu pra ver o ato consumado. Mas foi foda. A sensação que meu deu foi basicamente a mistura de duas coisas: uma injeção de adrenalina daquelas e uma euforia infantil. Sabe aquele alegria de criança, aquela euforia que ela fica quando o pai fala que vai levá-la na montanha-russa, no jogo de futebol? Eu senti a mesma coisa. E é infantil porque quando eu vi dois carros de Fórmula Indy lado a lado, numa pista relativamente estreita, a 300 km/h, eu me dei conta que quem pilota isso é gente grande, gente muito grande.
Sei dizer que, mesmo com uma série de interrupções, com o pé d'agua que caiu e com a corrida durando quase duas horas, tudo passou muito rápido. E eu ficaria outras duas horas ali fácil.
Agora eu entendo o fanatismo daqueles nego que vêm de longe, anos consecutivos, pra assistir a Fórmula 1 em São Paulo mesmo quando os pilotos brasileiros não têm chance alguma de vitória.
O negócio é intenso mesmo.
Deem uma olhada no videozinho que eu fiz.
Mas antes aumentem o volume! hehehe.
domingo, fevereiro 21
Wand vs Metallica
O Metallica apareceu pro mundo no início dos anos 80 com quatro albuns que poderiam ser a trilha sonora do Tsunami: Kill´Em All, Ride The Lightning, Master of Puppets e And Justice for All. O Wanderlei, nos primórdios do ainda chamado "Vale-Tudo", surgia como um lutador duro, confiante e completo, numa época em que boa parte dos lutadores se concentrava apenas em uma única arte marcial pra lutar o hoje chamado MMA.
O tempo passou, o Metallica amadureceu, mudou de fase e estilo e lançou o Black Album, que tirou a banda dos limites do heavy metal, no sentido de agradar a gregos e troianos, e fez com que eles vendessen milhões de discos ao longo de uma mega turnê de uns três anos. Era o auge.
O tempo passou, o Wand amadureceu, mudou de fase e começou a lutar no Pride, onde fez lutas memoráveis, como as três vitórias sobre o Sakuraba e as duas sobre o Quinton Rampage Jackson. Fora a japonesada que ele derrubava sem dó. Era o auge.
Depois do Black Album o Metallica mudou novamente, dessa vez pra pior, e lançou dois albuns fracos, o Load e o Reload, que só os fans mais fiéis conseguiram tragar, né, Hugo e Filipe Adami? Má fase.
Depois do Pride, ou melhor, com o fim dele, o Wanderlei levou um chacoalho do Dan Henderson e reestreou com derrota no UFC, numa grande luta contra um de seus principais desafetos, o Chuck Liddell. Má fase.
Uma luz no fim do túnel do Metallica se acendeu com o lançamento do Garage Inc, que trouxe covers bem legais de bandas como Motörhead, Misfits e Thin Lizzy.
Uma luz no fim do túnel do Wand se acendeu com o nocaute em cima do Keith Jardine, no UFC 84.
Depois disso o Jason saiu do Metallica, o problema de alcoolismo do James se acentuou, a banda quase entrou em parafuso e eles lançaram o discutível St. Anger.
Depois disso o Wanderlei foi nocauteado com apenas dois minutos de luta pelo Quinton Jackson, e em seguida perdeu por decisão unânime, polêmica para o público, pro Rich Franklin.
E quando a nuvem de dúvida já voltava a pairar na cabeça dos fãs do Metallica, a banda muda de produtor e decide voltar às origens com o lançamento do Death Magnetic, que também poderia ser a trilha sonora do Katrina, o mais próximo que eles poderiam chegar daqueles quatro albuns arrasta-quarteirão do início da carreira.
E quando todo mundo achava que o Wanderlei estava à beira do precipício, pronto pra dar um passo à frente, como diria o filósofo Jardel, o FDP faz uma luta ducaraleo ontem, que lembrou a época do Pride, e vence o Michael Bisping, que só não perdeu por nocaute porque foi salvo pelo congo, literalmente.
Pros fãs do Metallica e do Wanderlei Silva, como este que vos escreve, é uma satisfação imensa vê-los na pegada novamente, quebrando tudo. Mó prazer, emocionante, até.
Vida longa a estes dois fenômenos!
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Em tempo: também ontem, o Minotauro levou uma piaba que pra mim, infelizmente, mostrou que ele é um ex-lutador em atividade.... É triste chegar a essa conclusão. Sad But True.

quinta-feira, fevereiro 11
O culpado
Fui a um evento no Museu do Futebol essa semana que contou com a presença do glorioso Cafu, que não tinha muito a ver com o assunto em questão (venda de pacotes de viagens pra Copa do Mundo), mas tava lá pra dar um tchan no negócio, atrair público e mídia, aquelas coisas. Em um formato tipo sabatina da Folha, ele contou histórias da carreira, causos interessantes, interagiu, distribuiu sorrisos. Gente fina!
O momento crucial da participação dele, pelo menos pra mim, foi quando um cara da platéia trouxe à baila o fatídico “caso do meião”, aquele da Copa de 2006, quando o Roberto Carlos abaixou pra arrumar a meia e o Henry passou atrás dele, sozinho, pra marcar o gol da França que eliminou o Brasil. O 'perguntador' queria saber a versão do Cafu em relação ao lance, tendo em vista que ele era nada mais do que o capitão daquela seleção. Ótima ocasião pra fazer a pergunta, afinal, evento oba-oba, sem a presença da grande imprensa, pouca gente, quatro anos depois...
O Cafu respondeu que em escanteios e faltas perigosas como aquela, cada jogador sabia exatamente onde estar e a quem devia marcar.
- E o Roberto Carlos tava na posição que estava pra pegar um possível rebote e puxar o contra ataque. Mas justamente naquele momento ele abaixou pra puxar aquele bendito meião e acabou sendo taxado como culpado.
Puts, nessa hora eu ouricei total, porque pensa comigo: se cada jogador sabia exatamente aonde estar e a quem marcar, e o Roberto Carlos, pelo o que o Cafu disse, não tava ali pra marcar ninguém, e sim pra puxar um possível contra-ataque, então quem deveria estar marcando o Henry? Quem deveria? Quem? O real "vilão" da história foi outro então? Quem? Quem? Mas aí as perguntas foram encerradas e o evento teve sequência.
Fiquei numa pilha só, não me aguentava na poltrona. Pô, o Cafu contou um puta milagre, e será qué só eu ali fiquei doido pra saber o nome do santo? Parecia que sim. Mas nem a pau que eu voltaria pra casa sem saber quem era o jogador que devia estar marcando o Henry.
No final, todos os presentes ganharam um kit com uma bola de futebol e mais uns badulaques sem expressão, e o Cafu ficou à disposição pra autografar as bolas. Há, era a hora! Esperei todo mundo ir lá, pegar autógrafo, e quando a muvuca passou, quando ele tava saindo pra ir embora, eu cheguei com o pretexto do autógrafo.
- Assina pra mim, Cafu?
- Claro – e escreveu na bola o tradicional “Do amigo Cafu”.
Por que todo jogador escreve “do amigo” nos autógrafos?
Quando ele me devolveu a bola e olhou pra mim esperando o óbvio ‘obrigado’, eu mandei:
- O Cafu, e quem é que deveria estar marcando o Henry lá?
- Esquece isso – ele respondeu, com aquele sorriso de morcego característico dele.
Não desisti.
- O loco, Cafu, falaí.....em off, vai!
- Em off? Olha o que tem de gente aqui – ele respondeu, já virando e começando a andar pra ir embora, cercado por aquele bando de puxa saco, aqueles nego com cara e trejeito de pagodeiro que tão sempre junto com jogador de futebol.
Mas.....nem a pau que eu sairia dali sem saber o que eu precisava saber.
Insisti.
- Ah, Cafu... falaí, meu!
Com uma cara de piedade, ele virou pra trás e disse:
- Era pra ser um zagueiro alto.
Meu olho brilhou...
- O Lúcio?
- Era pra ser um zagueiro alto.
quinta-feira, fevereiro 4
Os xiitas
sexta-feira, janeiro 15
Os brasileiros de hoje
"Se você quer ver brasileiros, cheios de 'autoestima' por causa de nossa situação econômica, e repletos de arrogância, passe pela Florida, pela Galeria Pacifico, Avenida Santa Fé ou shopping Alcorta. Viajantes mais antigos lembran-se do quanto criticávamos e odiávamos os americanos em viagem, prepotentes e querendo que o mundo falasse inglês. Pois, convencidos e presunçosos, alguns grosseiros mesmo, estamos no tornando os novos americanos no mundo".
sexta-feira, agosto 21
Como pôde?
O telefone dele toca, ele atende, era o próprio Sarney, berrando todos os tipos de impropérios possíveis. "Você não tem dignidade, como pôde?", "Indigno, indigno!".
Abro o olho, viro pro lado, vejo o despertador: 3h12 da matina. Dou aquela golada na garrafa de água. Será que sonhei ou pesadelei?
quarta-feira, julho 1
Fargo
Cheguei na locadora e minha expectativa aumentou ainda mais quando perguntei pro carinha se o filme tava disponível. Ele disse que sim, e mandou: "É um dos melhores dos irmãos Cohen...". Puts, mais um me dizendo isso!
Aluguei, assisti e fiquei relativamente frustrado. Não que o filme seja ruim não, gostei, mas pelo que haviam me falado eu me senti meio que um E.T. por não ter achado tuuuuuudo aquilo. Me senti mais E.T. ainda quando fui procurar críticas na internet e vi que, além de diversos elogios fervorosos, Fargo ganhou uma série de prêmios e foi indicado para outros tantos.
Só fui voltar a me sentir terráqueo quando li a crítica de Pablo Villaça, no cinemaemcena.com.br. Ele, assim como eu, criou uma tremenda expectativa em função daquilo que tinha ouvido falar, e acabou se frustrando um pouco. "Ficou aquém do que eu esperava. Tudo bem: em parte a culpa foi minha. Eu sempre evito ler comentários sobre um filme antes de assisti-lo, a fim de não formar idéias preconcebidas, e desta vez acabei não fazendo isso. E como todas as críticas que li sobre Fargo lhe faziam os maiores elogios, acabei criando uma expectativa muito grande. Assim, por comparação com o que eu esperava, o resultado me decepcionou".
Faço minhas as palavras do Pablo!
Semelhanças
Uma coisa que a mim chamou a atenção foram algumas semelhanças entre Fargo e Onde os Fracos Não Têm Vez. Vejamos: as histórias dos dois filmes se passam em pequenas cidades, em dois 'desertões', uma no desertão da fronteira com o México e a outra também em um desertão, só que de neve (dá pra falar isso, deserto de neve? rs...), acredito que lá pro norte dos EUA; ambos têm um personagem que se destaca pela frieza com que mata e pelos modos, digamos, bárbaros com que pratica os homicídios - estes dois personagens, aliás, cometem pelo menos um crime idêntico: estão de carro na estrada, o carro de polícia liga a sirene atrás, eles param no acostamento, o policial vem a eles e, depois de alguma conversa, leva chumbo; os dois filmes terminam com reflexões sobre o ser humano por parte dos oficiais de polícia que investigam os crimes.
Semelhanças à toa? Talvez, né?
quinta-feira, junho 4
Ponte é solução?
Eu me sinto meio que um xiita quando vêm me dizer que a solução pro trânsito está em medidas dessa natureza. Com 800, 900, sei lá, 1000 novos carros por dia nas ruas, até quando vai durar essa redução anunciada?
A construção de pontes e viadutos e a realização de obras similares são medidas paliativas, razoavelmente eficientes a curto prazo, mas ineficazes a médio e longo. É postergar o problema, jogá-lo lá pra frente. Aí, quando a Marginal "recuperar" estes 35% de trânsito, de que vai ter valido o investimento de 1 bilhão?
Na minha visão, o problema do trânsito paulistano é a quantidade de carros circulando, que se continuar nesse ritmo de crescimento, nem dá pra saber pra onde vamos, visto que a cidade já tá mais entupida que o tanque do meu apartamento antigo. Esse R$ 1,3 bilhão, a meu ver, seria melhor empregado na construção de linhas de metrô, tão escassas em São Paulo na comparação com outras metrópoles mundo afora.
Quer apostar comigo que na campanha presidencial o Serra vai dizer que contribuiu para a melhora do trânsito em São Paulo?
segunda-feira, junho 1
Fita Amarela
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela
Se existe alma, se há outra encarnação
Eu queria que a mulata sapateasse no meu caixão
Não quero flores, nem coroa de espinho
Só quero choro de flauta, violão e cavaquinho
Estou contente consolado por saber
Que as morenas tão formosas a terra um dia vai comer
Não tenho herdeiros, não possuo um só vintém
Eu vivi devendo a todos mas não paguei nada a ninguém
Meus inimigos que hoje falam mal de mim
Vão dizer que nunca viram uma pessoa tão boa assim
Quero que o sol não visite o meu caixão
Para a minha pobre alma não morrer de insolação
Quando eu morrer não quero choro nem vela
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela
"Fita Amarela", Noel Rosa, 1932, aqui na versão da Orquestra Imperial.
sexta-feira, maio 29
quinta-feira, maio 28
Dafra
Divirta-se.
quarta-feira, maio 27
Será o fim?
Pra mim, essa ficha foi cair realmente durante uma conversa que tive com a amiga de uma amiga. Falávamos sobre acesso à informação, e ela me disse que se informa através da internet, unicamente, deixando subentendido que não paga por algo que pode ter de graça. "Rapaz, não é que os jornais estão ameaçados mesmo?", pensei.
A minha opinião é a de que os veículos impressos não vão acabar, embora venham a sofrer, como já estão sofrendo, fortes abalos em função, também, dessa "migração de mídia". Lembro que quando assinávamos a Folha de SP lá em casa, em 1997, o jornal tinha uma tiragem diária de aproximadamente 500 mil exemplares, chegando a 1 milhão aos domingos. Atualmente, a tiragem de segunda à sexta é de mais ou menos 300 mil e a dominical não chega a 400 mil.
Leio hoje que a Gazeta Mercantil poderá fechar as portas no fim deste mês. Eles acumulam dívidas trabalhistas que chegam a R$ 200 milhões e possuem ainda uma série de outros débitos (veja a matéria completa aqui). A equipe do jornal, cerca de 100 pessoas, está na corda bamba.
Pena...
terça-feira, maio 19
Eu já sabia
Em 1993, numa das longínquas aulas de História daquela 5a série, Seu Chico explicou a pimpolhos como este que uma das principais características do sistema Capitalista era a fusão entre mega-empresas (tá vendo, mãe, como eu prestava atenção nas aulas?!).
Pra nós, consumidores, dizia o amado mestre, o reflexo deste tipo de ação é uma possível alta nos preços, consequência da diminuição da concorrência.
Na versão impressa da Folha de SP de hoje, o box "E eu com isso?", relativo à fusão entre as duas gigantes, trouxe a seguinte informação:
"A fusão entre Sadia e Perdigão aumenta a concentração de mercado no setor alimentício, reduzindo a concorrência. Com menos fornecedores disputando a atenção dos consumidores, estes ficam mais suscetíveis a aumentos de preço."
Só tenho uma coisa a dizer: "Eu, já sabiaaaa / Eu, já sabiaaaa".
Viva o Seu Chico!
sexta-feira, maio 15
Superstições e manias da boleirada
E o Zagallo com o número 13 dele? "Brasil campeão no sei do que" tem 13 letras, "o estádio da final que o Brasil ganhou" fica no quarteirão 13, "Pachequinho fez aquele golaço" porque vestia a camisa 13. E por aí vai.
Mas estas são superstições que não fazem mal a ninguém. Os torcedores de estádio, no entanto, têm algumas manias pra mim irritantes. Uma delas é o repúdio verbal agressivo àqueles que, num lance de perigo, gritam 'gol' antes da bola ter entrado. Sabe quando o lateral cruza aquela bola com açúcar e o atacante cabeceia forte, com endereço, e você inconscientemente acaba soltando um "gol, gol, gol" antes do tempo? Pois é, no estádio você tem que se precaver para não soltar esse "gol" antes da hora. Porque se soltar e a bola não entrar, a galera ao redor vai te xingar horrores. Engraçado que em muitos lances perigosos a bola acaba não entrando, mesmo que ninguém tenha gritado o "gol" antecipado. Não entendo mais nada...
Uma mania também em vigência, pelo menos nos jogos do Corinthians, é o repúdio ao famoso grito "Ei, juiz, vai tomar no c....", proferido por uma parcela da torcida quando o árbitro marca algo que vai de encontro ao anseio da galera. Nesses momentos, os torcedores que se consideram 'corintianos profissionais' se endoidecem, viram para aqueles que entoaram o tal grito e começam: "vamo gritar Corinthians, baraaaalho", "gritar Corinthians, pooooorr".
Nesse caso, em partes, eu até concordo com os 'corintianos profissionais'. Acho que a torcida tem mesmo que gritar Corinthians o tempo todo, cantar para o time e não dar audiência pro juiz. Se for para xingá-lo, que o façam da maneira tradicional, dizendo que a mãe dele é uma mulher da vida, que ele não tem sustentabilidade ética nem idoneidade moral pra marcar aquela falta, ou seja, que é um ladrão, e assim por diante. Xingamentos avulsos. Agora, puxar o "Ei, juiz, vai tomar no c...." é muito de torcedor de numerada. Não dá, sabe também por que? Porque, geralmente, os caras que puxam esse grito não cantam pro time em nenhum momento do jogo. Eles passam partida toda xingando o adversário, muitas vezes os jogadores do próprio Corinthians, e quando resolvem 'cantar' algo, mandam o "Ei, juiz, vai tomar no c....".
Mas tudo bem também, cada um grita o que quiser, não vou eu lá no estádio ficar regulando a manifestação da torcida, como fazem os 'corintianos profissionais'.
Fico com as superstições!
quinta-feira, maio 14
José Arcadio Buendía
Trecho de "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez.