terça-feira, março 16
Dia de Indy
Mas gosto do esporte.
Provavelmente o Senna, a quem assisti muito pela televisão durante a infância, seja um dos responsáveis por isso.
Tenho vaga lembrança, por exemplo, do GP de Suzuka de 1990, o último daquela temporada, quando o Senna jogou a Mclaren dele em cima da do Prost, assim como o francês tinha feito com ele no ano anterior, e se tornou bi-campeão.
Também lembro, com mais riqueza de detalhes, do GP de Suzuka do ano seguinte, 1991, quando o Mansell, dirigindo aquele veneno de Williams, comeu terra na primeira curva depois da reta, se não me engano, enquanto perseguia o Senna insandecidamente, parecendo um "lião", como o Galvão Bueno gostava de chamá-lo.
Outra lembrança dos "anos dourados" da Fórmula 1 foi a de 1º maio de 1994, no GP de San Marino, em Ímola, quando o Senna passou reto na curva Tamborello e bateu forte, forte. Lembro, segundos depois da batida, dele virando a cabeça pro lado esquerdo, num movimento lento, cabeça caída...
Mas foi no final de semana passado que tive minha experiência mais intensa em relação a corridas: fui a trabalho ao Anhembi, no domingo, e assisti a etapa brasileira da Fórmula Indy.
Sensacional!
Mas sensacional falando agora, depois da corrida. Porque antes eu tava fracassado, com sono, vontade de deitar, aquele sol no lombo, cerveja 6 pila...
Até cogitei pegar um táxi e vazar pra casa no meio da prova.
Devia ser começo de gripe.
Mas foi começar a corrida pro negócio mudar totalmente. Pois é impressionante como aquilo é.
Logo depois da largada, quando os carros passaram pela primeira vez na minha frente, todos eles juntos, em bloco, vixe, já subiu uma senhora adrenalina.
O barulho dos motores é um negócio impressionante que faz toda a diferença. Se os carros de corrida não tivessem o ronco que têm, arrisco dizer que assistir corrida ao vivo perderia, sei lá, 40% da graça. Porque é um barulho tão forte, uns estralos quando eles freiam, que você fica hipnotizado. Uma hipnotização que ocorre, na verdade, quando você se dá conta que esse barulho vêm de dentro daqueles carros.... carros de corrida, aqueles que você só via pela televisão, sabe? Ali eles são maiores, mais compridos, mais coloridos. E ainda têm aquele ronco!
Fascinante!
O problema é que a minha localização no autódromo não era das melhores. A cabeça da galera na frente e os alambrados atrapalhavam um pouco. E eu ainda não tinha um raio de visão muito grande, o que me impedia de ver os carros de longe, quando eles vinham, e depois vê-los ao longe, quando passavam.
Outro detalhe é que eu estava no final da reta do Sambódromo, local onde os carros já vinham em menor velocidade por causa da curva. O lugar que o bicho pegava mesmo, onde eles pisavam sem dó, era na reta construída paralelamente à Marginal Tietê. Lá o pau torava de verdade, mas não tinha arquibancada. Uma hora, no meio da corrida, eu fui a pé até ali perto, e por um vão de mais ou menos três metros de largura no muro de alumínio que eles construíram eu consegui ver os carros a mil. Meu amigo.......
Cara, ver aqueles aqueles carros hipnotizantes a mais de 300 km/h é muito foda. E ali eu vi talvez a principal cena da corrida pra mim, que foi uma ultrapassagem. Quer dizer, pelo vão de três metros deu pra ver que eles estavam lado a lado, em processo de ultrapassagem, não deu pra ver o ato consumado. Mas foi foda. A sensação que meu deu foi basicamente a mistura de duas coisas: uma injeção de adrenalina daquelas e uma euforia infantil. Sabe aquele alegria de criança, aquela euforia que ela fica quando o pai fala que vai levá-la na montanha-russa, no jogo de futebol? Eu senti a mesma coisa. E é infantil porque quando eu vi dois carros de Fórmula Indy lado a lado, numa pista relativamente estreita, a 300 km/h, eu me dei conta que quem pilota isso é gente grande, gente muito grande.
Sei dizer que, mesmo com uma série de interrupções, com o pé d'agua que caiu e com a corrida durando quase duas horas, tudo passou muito rápido. E eu ficaria outras duas horas ali fácil.
Agora eu entendo o fanatismo daqueles nego que vêm de longe, anos consecutivos, pra assistir a Fórmula 1 em São Paulo mesmo quando os pilotos brasileiros não têm chance alguma de vitória.
O negócio é intenso mesmo.
Deem uma olhada no videozinho que eu fiz.
Mas antes aumentem o volume! hehehe.
domingo, fevereiro 21
Wand vs Metallica
O Metallica apareceu pro mundo no início dos anos 80 com quatro albuns que poderiam ser a trilha sonora do Tsunami: Kill´Em All, Ride The Lightning, Master of Puppets e And Justice for All. O Wanderlei, nos primórdios do ainda chamado "Vale-Tudo", surgia como um lutador duro, confiante e completo, numa época em que boa parte dos lutadores se concentrava apenas em uma única arte marcial pra lutar o hoje chamado MMA.
O tempo passou, o Metallica amadureceu, mudou de fase e estilo e lançou o Black Album, que tirou a banda dos limites do heavy metal, no sentido de agradar a gregos e troianos, e fez com que eles vendessen milhões de discos ao longo de uma mega turnê de uns três anos. Era o auge.
O tempo passou, o Wand amadureceu, mudou de fase e começou a lutar no Pride, onde fez lutas memoráveis, como as três vitórias sobre o Sakuraba e as duas sobre o Quinton Rampage Jackson. Fora a japonesada que ele derrubava sem dó. Era o auge.
Depois do Black Album o Metallica mudou novamente, dessa vez pra pior, e lançou dois albuns fracos, o Load e o Reload, que só os fans mais fiéis conseguiram tragar, né, Hugo e Filipe Adami? Má fase.
Depois do Pride, ou melhor, com o fim dele, o Wanderlei levou um chacoalho do Dan Henderson e reestreou com derrota no UFC, numa grande luta contra um de seus principais desafetos, o Chuck Liddell. Má fase.
Uma luz no fim do túnel do Metallica se acendeu com o lançamento do Garage Inc, que trouxe covers bem legais de bandas como Motörhead, Misfits e Thin Lizzy.
Uma luz no fim do túnel do Wand se acendeu com o nocaute em cima do Keith Jardine, no UFC 84.
Depois disso o Jason saiu do Metallica, o problema de alcoolismo do James se acentuou, a banda quase entrou em parafuso e eles lançaram o discutível St. Anger.
Depois disso o Wanderlei foi nocauteado com apenas dois minutos de luta pelo Quinton Jackson, e em seguida perdeu por decisão unânime, polêmica para o público, pro Rich Franklin.
E quando a nuvem de dúvida já voltava a pairar na cabeça dos fãs do Metallica, a banda muda de produtor e decide voltar às origens com o lançamento do Death Magnetic, que também poderia ser a trilha sonora do Katrina, o mais próximo que eles poderiam chegar daqueles quatro albuns arrasta-quarteirão do início da carreira.
E quando todo mundo achava que o Wanderlei estava à beira do precipício, pronto pra dar um passo à frente, como diria o filósofo Jardel, o FDP faz uma luta ducaraleo ontem, que lembrou a época do Pride, e vence o Michael Bisping, que só não perdeu por nocaute porque foi salvo pelo congo, literalmente.
Pros fãs do Metallica e do Wanderlei Silva, como este que vos escreve, é uma satisfação imensa vê-los na pegada novamente, quebrando tudo. Mó prazer, emocionante, até.
Vida longa a estes dois fenômenos!
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Em tempo: também ontem, o Minotauro levou uma piaba que pra mim, infelizmente, mostrou que ele é um ex-lutador em atividade.... É triste chegar a essa conclusão. Sad But True.

quinta-feira, fevereiro 11
O culpado
Fui a um evento no Museu do Futebol essa semana que contou com a presença do glorioso Cafu, que não tinha muito a ver com o assunto em questão (venda de pacotes de viagens pra Copa do Mundo), mas tava lá pra dar um tchan no negócio, atrair público e mídia, aquelas coisas. Em um formato tipo sabatina da Folha, ele contou histórias da carreira, causos interessantes, interagiu, distribuiu sorrisos. Gente fina!
O momento crucial da participação dele, pelo menos pra mim, foi quando um cara da platéia trouxe à baila o fatídico “caso do meião”, aquele da Copa de 2006, quando o Roberto Carlos abaixou pra arrumar a meia e o Henry passou atrás dele, sozinho, pra marcar o gol da França que eliminou o Brasil. O 'perguntador' queria saber a versão do Cafu em relação ao lance, tendo em vista que ele era nada mais do que o capitão daquela seleção. Ótima ocasião pra fazer a pergunta, afinal, evento oba-oba, sem a presença da grande imprensa, pouca gente, quatro anos depois...
O Cafu respondeu que em escanteios e faltas perigosas como aquela, cada jogador sabia exatamente onde estar e a quem devia marcar.
- E o Roberto Carlos tava na posição que estava pra pegar um possível rebote e puxar o contra ataque. Mas justamente naquele momento ele abaixou pra puxar aquele bendito meião e acabou sendo taxado como culpado.
Puts, nessa hora eu ouricei total, porque pensa comigo: se cada jogador sabia exatamente aonde estar e a quem marcar, e o Roberto Carlos, pelo o que o Cafu disse, não tava ali pra marcar ninguém, e sim pra puxar um possível contra-ataque, então quem deveria estar marcando o Henry? Quem deveria? Quem? O real "vilão" da história foi outro então? Quem? Quem? Mas aí as perguntas foram encerradas e o evento teve sequência.
Fiquei numa pilha só, não me aguentava na poltrona. Pô, o Cafu contou um puta milagre, e será qué só eu ali fiquei doido pra saber o nome do santo? Parecia que sim. Mas nem a pau que eu voltaria pra casa sem saber quem era o jogador que devia estar marcando o Henry.
No final, todos os presentes ganharam um kit com uma bola de futebol e mais uns badulaques sem expressão, e o Cafu ficou à disposição pra autografar as bolas. Há, era a hora! Esperei todo mundo ir lá, pegar autógrafo, e quando a muvuca passou, quando ele tava saindo pra ir embora, eu cheguei com o pretexto do autógrafo.
- Assina pra mim, Cafu?
- Claro – e escreveu na bola o tradicional “Do amigo Cafu”.
Por que todo jogador escreve “do amigo” nos autógrafos?
Quando ele me devolveu a bola e olhou pra mim esperando o óbvio ‘obrigado’, eu mandei:
- O Cafu, e quem é que deveria estar marcando o Henry lá?
- Esquece isso – ele respondeu, com aquele sorriso de morcego característico dele.
Não desisti.
- O loco, Cafu, falaí.....em off, vai!
- Em off? Olha o que tem de gente aqui – ele respondeu, já virando e começando a andar pra ir embora, cercado por aquele bando de puxa saco, aqueles nego com cara e trejeito de pagodeiro que tão sempre junto com jogador de futebol.
Mas.....nem a pau que eu sairia dali sem saber o que eu precisava saber.
Insisti.
- Ah, Cafu... falaí, meu!
Com uma cara de piedade, ele virou pra trás e disse:
- Era pra ser um zagueiro alto.
Meu olho brilhou...
- O Lúcio?
- Era pra ser um zagueiro alto.
quinta-feira, fevereiro 4
Os xiitas
sexta-feira, janeiro 15
Os brasileiros de hoje
"Se você quer ver brasileiros, cheios de 'autoestima' por causa de nossa situação econômica, e repletos de arrogância, passe pela Florida, pela Galeria Pacifico, Avenida Santa Fé ou shopping Alcorta. Viajantes mais antigos lembran-se do quanto criticávamos e odiávamos os americanos em viagem, prepotentes e querendo que o mundo falasse inglês. Pois, convencidos e presunçosos, alguns grosseiros mesmo, estamos no tornando os novos americanos no mundo".
sexta-feira, agosto 21
Como pôde?
O telefone dele toca, ele atende, era o próprio Sarney, berrando todos os tipos de impropérios possíveis. "Você não tem dignidade, como pôde?", "Indigno, indigno!".
Abro o olho, viro pro lado, vejo o despertador: 3h12 da matina. Dou aquela golada na garrafa de água. Será que sonhei ou pesadelei?
quarta-feira, julho 1
Fargo
Cheguei na locadora e minha expectativa aumentou ainda mais quando perguntei pro carinha se o filme tava disponível. Ele disse que sim, e mandou: "É um dos melhores dos irmãos Cohen...". Puts, mais um me dizendo isso!
Aluguei, assisti e fiquei relativamente frustrado. Não que o filme seja ruim não, gostei, mas pelo que haviam me falado eu me senti meio que um E.T. por não ter achado tuuuuuudo aquilo. Me senti mais E.T. ainda quando fui procurar críticas na internet e vi que, além de diversos elogios fervorosos, Fargo ganhou uma série de prêmios e foi indicado para outros tantos.
Só fui voltar a me sentir terráqueo quando li a crítica de Pablo Villaça, no cinemaemcena.com.br. Ele, assim como eu, criou uma tremenda expectativa em função daquilo que tinha ouvido falar, e acabou se frustrando um pouco. "Ficou aquém do que eu esperava. Tudo bem: em parte a culpa foi minha. Eu sempre evito ler comentários sobre um filme antes de assisti-lo, a fim de não formar idéias preconcebidas, e desta vez acabei não fazendo isso. E como todas as críticas que li sobre Fargo lhe faziam os maiores elogios, acabei criando uma expectativa muito grande. Assim, por comparação com o que eu esperava, o resultado me decepcionou".
Faço minhas as palavras do Pablo!
Semelhanças
Uma coisa que a mim chamou a atenção foram algumas semelhanças entre Fargo e Onde os Fracos Não Têm Vez. Vejamos: as histórias dos dois filmes se passam em pequenas cidades, em dois 'desertões', uma no desertão da fronteira com o México e a outra também em um desertão, só que de neve (dá pra falar isso, deserto de neve? rs...), acredito que lá pro norte dos EUA; ambos têm um personagem que se destaca pela frieza com que mata e pelos modos, digamos, bárbaros com que pratica os homicídios - estes dois personagens, aliás, cometem pelo menos um crime idêntico: estão de carro na estrada, o carro de polícia liga a sirene atrás, eles param no acostamento, o policial vem a eles e, depois de alguma conversa, leva chumbo; os dois filmes terminam com reflexões sobre o ser humano por parte dos oficiais de polícia que investigam os crimes.
Semelhanças à toa? Talvez, né?
quinta-feira, junho 4
Ponte é solução?
Eu me sinto meio que um xiita quando vêm me dizer que a solução pro trânsito está em medidas dessa natureza. Com 800, 900, sei lá, 1000 novos carros por dia nas ruas, até quando vai durar essa redução anunciada?
A construção de pontes e viadutos e a realização de obras similares são medidas paliativas, razoavelmente eficientes a curto prazo, mas ineficazes a médio e longo. É postergar o problema, jogá-lo lá pra frente. Aí, quando a Marginal "recuperar" estes 35% de trânsito, de que vai ter valido o investimento de 1 bilhão?
Na minha visão, o problema do trânsito paulistano é a quantidade de carros circulando, que se continuar nesse ritmo de crescimento, nem dá pra saber pra onde vamos, visto que a cidade já tá mais entupida que o tanque do meu apartamento antigo. Esse R$ 1,3 bilhão, a meu ver, seria melhor empregado na construção de linhas de metrô, tão escassas em São Paulo na comparação com outras metrópoles mundo afora.
Quer apostar comigo que na campanha presidencial o Serra vai dizer que contribuiu para a melhora do trânsito em São Paulo?
segunda-feira, junho 1
Fita Amarela
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela
Se existe alma, se há outra encarnação
Eu queria que a mulata sapateasse no meu caixão
Não quero flores, nem coroa de espinho
Só quero choro de flauta, violão e cavaquinho
Estou contente consolado por saber
Que as morenas tão formosas a terra um dia vai comer
Não tenho herdeiros, não possuo um só vintém
Eu vivi devendo a todos mas não paguei nada a ninguém
Meus inimigos que hoje falam mal de mim
Vão dizer que nunca viram uma pessoa tão boa assim
Quero que o sol não visite o meu caixão
Para a minha pobre alma não morrer de insolação
Quando eu morrer não quero choro nem vela
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela
"Fita Amarela", Noel Rosa, 1932, aqui na versão da Orquestra Imperial.
sexta-feira, maio 29
quinta-feira, maio 28
Dafra
Divirta-se.
quarta-feira, maio 27
Será o fim?
Pra mim, essa ficha foi cair realmente durante uma conversa que tive com a amiga de uma amiga. Falávamos sobre acesso à informação, e ela me disse que se informa através da internet, unicamente, deixando subentendido que não paga por algo que pode ter de graça. "Rapaz, não é que os jornais estão ameaçados mesmo?", pensei.
A minha opinião é a de que os veículos impressos não vão acabar, embora venham a sofrer, como já estão sofrendo, fortes abalos em função, também, dessa "migração de mídia". Lembro que quando assinávamos a Folha de SP lá em casa, em 1997, o jornal tinha uma tiragem diária de aproximadamente 500 mil exemplares, chegando a 1 milhão aos domingos. Atualmente, a tiragem de segunda à sexta é de mais ou menos 300 mil e a dominical não chega a 400 mil.
Leio hoje que a Gazeta Mercantil poderá fechar as portas no fim deste mês. Eles acumulam dívidas trabalhistas que chegam a R$ 200 milhões e possuem ainda uma série de outros débitos (veja a matéria completa aqui). A equipe do jornal, cerca de 100 pessoas, está na corda bamba.
Pena...
terça-feira, maio 19
Eu já sabia
Em 1993, numa das longínquas aulas de História daquela 5a série, Seu Chico explicou a pimpolhos como este que uma das principais características do sistema Capitalista era a fusão entre mega-empresas (tá vendo, mãe, como eu prestava atenção nas aulas?!).
Pra nós, consumidores, dizia o amado mestre, o reflexo deste tipo de ação é uma possível alta nos preços, consequência da diminuição da concorrência.
Na versão impressa da Folha de SP de hoje, o box "E eu com isso?", relativo à fusão entre as duas gigantes, trouxe a seguinte informação:
"A fusão entre Sadia e Perdigão aumenta a concentração de mercado no setor alimentício, reduzindo a concorrência. Com menos fornecedores disputando a atenção dos consumidores, estes ficam mais suscetíveis a aumentos de preço."
Só tenho uma coisa a dizer: "Eu, já sabiaaaa / Eu, já sabiaaaa".
Viva o Seu Chico!
sexta-feira, maio 15
Superstições e manias da boleirada
E o Zagallo com o número 13 dele? "Brasil campeão no sei do que" tem 13 letras, "o estádio da final que o Brasil ganhou" fica no quarteirão 13, "Pachequinho fez aquele golaço" porque vestia a camisa 13. E por aí vai.
Mas estas são superstições que não fazem mal a ninguém. Os torcedores de estádio, no entanto, têm algumas manias pra mim irritantes. Uma delas é o repúdio verbal agressivo àqueles que, num lance de perigo, gritam 'gol' antes da bola ter entrado. Sabe quando o lateral cruza aquela bola com açúcar e o atacante cabeceia forte, com endereço, e você inconscientemente acaba soltando um "gol, gol, gol" antes do tempo? Pois é, no estádio você tem que se precaver para não soltar esse "gol" antes da hora. Porque se soltar e a bola não entrar, a galera ao redor vai te xingar horrores. Engraçado que em muitos lances perigosos a bola acaba não entrando, mesmo que ninguém tenha gritado o "gol" antecipado. Não entendo mais nada...
Uma mania também em vigência, pelo menos nos jogos do Corinthians, é o repúdio ao famoso grito "Ei, juiz, vai tomar no c....", proferido por uma parcela da torcida quando o árbitro marca algo que vai de encontro ao anseio da galera. Nesses momentos, os torcedores que se consideram 'corintianos profissionais' se endoidecem, viram para aqueles que entoaram o tal grito e começam: "vamo gritar Corinthians, baraaaalho", "gritar Corinthians, pooooorr".
Nesse caso, em partes, eu até concordo com os 'corintianos profissionais'. Acho que a torcida tem mesmo que gritar Corinthians o tempo todo, cantar para o time e não dar audiência pro juiz. Se for para xingá-lo, que o façam da maneira tradicional, dizendo que a mãe dele é uma mulher da vida, que ele não tem sustentabilidade ética nem idoneidade moral pra marcar aquela falta, ou seja, que é um ladrão, e assim por diante. Xingamentos avulsos. Agora, puxar o "Ei, juiz, vai tomar no c...." é muito de torcedor de numerada. Não dá, sabe também por que? Porque, geralmente, os caras que puxam esse grito não cantam pro time em nenhum momento do jogo. Eles passam partida toda xingando o adversário, muitas vezes os jogadores do próprio Corinthians, e quando resolvem 'cantar' algo, mandam o "Ei, juiz, vai tomar no c....".
Mas tudo bem também, cada um grita o que quiser, não vou eu lá no estádio ficar regulando a manifestação da torcida, como fazem os 'corintianos profissionais'.
Fico com as superstições!
quinta-feira, maio 14
José Arcadio Buendía
Trecho de "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez.
domingo, maio 10
(Falta de) Ética
Regra, em ambos os casos, não havia. Ética também não houve. Afinal, não é preciso regra para saber que não é nada ético usar a cota de passagens para financiar viagens de lazer, mundo a fora, de parentes, amigos, namoradas, times de futebol. Do mesmo modo, não me parece ético a um deputado usar a verba indenizatória, dinheiro público, em favor de empresas próprias.
Por fim cito mais um deputado, Sérgio Moraes, relator do processo contra Edmar Moreira: fortemente pressionado pela imprensa por ter sinalizado que pretende arquivar o caso, ele criticou os veículos de comunicação e disse que consegue se reeleger "mesmo depois de tudo que a mídia escreve".
São essas as pessoas que colocamos no poder.
terça-feira, maio 5
terça-feira, abril 28
Bolsas, doença e Caderno
Hoje de manhã, quando cheguei pra trabalhar, abri meu email e, vejam só, li a seguinte chamada na newsletter do Portal Exame: "Por que a bolsa cai com a gripe suína?". Cliquei e caí no blog de um cara chamado Cláudio Gradilone, jornalista e economista, que em dois posts bem didáticos explicou a relação. Bacana!
Caderno de Saramago
O B-Coolt deu a dica e eu caí no Caderno de Saramago, blog do escritor português José Saramago. Naveguei pela primeira vez lá ontem e já fiz uma varredura nos textos disponíveis, válidos tanto pelo conteúdo (óbvio!) quanto pelo Saramago way of writing.
E que ele não saiba da existência desta expressão! rs
sexta-feira, abril 24
Recomendo
"O Grande Lebowski" eu já havia assitido uma vez, há uns dois anos, mas na época não curti muito. Não sei, eu não devia estar muito inspirado no dia, não devo ter entendido muito bem a trama, sei lá, e aí ficou aquela sensação de "não fede nem cheira". Mas no fundo eu sabia que o filme era realmente bom e que, na verdade, o problema devia ser comigo. Aluguei pra tirar a prova e não deu outra: curti horrores, ri demais com o Lebowski, um ex-hippie preguiçoso, desempregado convicto, da paz total, que pouco faz além de jogar boliche, fumar maconha e beber cerveja, além de tomar banho de banheira, à luz de velas, ao som do canto das baleias, e com outro personagem engraçadíssimo, o parceirão do Lebowski, Walter, um gordão com óculos fundo de garrafa de lente marrom, ex-combatente do Vietnã, daqueles que pensam que sabem tudo mas que só fazem merda. E como o Walter faz! Ó o naipe da dupla:

"O Homem Que Não Estava Lá", embora com excelentes pitadas de humor, puxa bastante pro mistério, suspense... aquele tipo de filme que te deixa extremamente ansioso por saber o que tem pra acontecer. Uma ansiedade também justificada pela imprevisibilidade das situações, que te surpreendem absurdamente. São situações tão imprevisíveis que, embora possa imaginar, você dificilmente vai acertar o final do filme. Pago uma pipoca se acertar!
terça-feira, abril 21
Lembranças e atualidades da bola
A rua para a qual mudamos, pra minha sorte e pra do meu irmão, era cheia de molecada como a gente. Molecada bacana, que brincava horrores o tempo todo na rua e que tem uma parcela de contribuição enorme pro sucesso que foi a nossa infância. Ao lado do meu avô, sócio do Corinthians desde os idos da década de 60, e que nos incentivou bastante a frequentar o clube, esses moleques também têm uma boa parcela de culpa por sermos os corinthianos que somos hoje, pois todos, com apenas duas exceções (um são-paulino e um da Lusa) eram corinthianos roxos que adoravam torcer pro Corinthians naqueles tempos em que o Neto matava a pau.
Mas, voltando, a imagem que eu tenho dessa minha "primeira vez" jogando bola é o caminhão da mudança parado, descarregando as coisas em frente a nossa nova casa, e eu e meu irmão já batendo uma pelota com os novos amigos da rua. Isso logo no primeiro dia, hein... Percebe-se que meus problemas de sociabilidde vêm de longa data...
Também lembro com muita clareza, a gente já morando em Dois Córregos, de como gostávamos não apenas de jogar futebol, mas de acompanhá-lo também. Tivemos o privilégio de assistir por um bom tempo, entre 1993 e 1994, uma mesa redonda na TV Cultura, o Cartão Verde, composta basicamente por Juca Kfouri e José Trajano nos comentários e por Flávio Prado na apresentação do programa - a pessoa do sexo feminino que leu "mesa redonda" até se arrepiou, tamanho é o ódio que as mulheres, em geral, têm por esse formato de programa esportivo. Mas esse Cartão Verde, pela qualidade profissional do trio, era tolerável no mínimo por alguns instantes pelas mulheres.
O Juca Kfouri se tornou meu herói na profissão: adoro ouvir o programa diário dele na CBN, sou frequentador do blog, sempre que posso leio as colunas na Folha. Do Trajano, infelizmente, acompanhei muito pouco desde então. Ele participa de um programa na ESPN Brasil, inclusive ao lado do Juca, mas como eu não tenho ESPN em casa não consigo acompanhar, e confesso que não sei se ele é colunista de jornal, se tem blog, programa em rádio, etc...
O Flávio Prado, puts, esse é uma decepção monstruosa. Na época do Cartão Verde ele era bem discreto nos comentários pelo fato, principalmente, de ter ao lado dois dos mais respeitados comentaristas esportivos do Brasil. Ele se limitava e mediar a participação do Juca e do Trajano e sempre que comentava algo, por ser um cara discreto na época, o fazia com objetividade e precisão. Hoje em dia, no entanto, o Flávio Prado vai de mau a pior. Apresentador do "Mesa Redonda" e comentarista do "Gazeta Esportiva", ele se tornou agressivo nos comentários, prepotente, generalista, inflexível e até desrespeitoso. Dá nojo. A última dele foi aprovar a péssima atuação do zagueiro Domingos, do Santos, um brutamontes desqualificado futebolisticamente que protagonizou uma das cenas mais lamentáveis de 2009 no futebol brasileiro. Flávio Prado o chamou de "genial", pode?, pela malandragem baixa que esse grosso usou no jogo contra o Palmeiras, domingo passado.
Ver o que se tornou esse profissional que eu acompanho desde criança é uma pena. Relembrar da história toda, aí sim, é genial!
quinta-feira, abril 2
Tsunami de La Paz
Após o jogo, a já tradicional polêmica surgida sempre que um time brasileiro vai jogar na altitude entrou em cena, com o presidente do Flamengo chegando a dizer, inclusive, que sob a gestão dele o Mengão nunca mais subiria a montanha para jogar. Depois de muito burburinho e diz que me disse, a Fifa resolveu intervir e proibiu jogos internacionais em cidades localizadas acima 2.500 metros do nível do mar.
Não demorou e os presidentes da Bolívia e da Venezuela, Evo Moralez e Hugo Chavez, que adoram politizar e polemizar, promoveram diversas ações com o objetivo de mostrar que jogar na altitude não fazia mal à saúde. Uma delas foi uma 'pelada' no estádio Hernando Siles, em La Paz, há 3.500 metros, que teve a participação de Morales e de Diego Armando Maradona, amigão de Fidel, guevarista de tatuagem e camarada de Hugo Chavez.
Três anos se passaram, a Fifa voltou atrás na resolução que proibia os jogos nas alturas e Maradona virou técnico da seleção argentina. Ontem, no mesmo Hernando Siles, o dono da 'mano de Dios' comandou os hermanos em uma das maiores sovas da história do futebol argentino: Bolívia 6x1 Argetina.
Depois do jogo, a imprensa brasileira, que também adora politizar, ainda mais quando tem esquerdista sul-americano no meio, atribuiu a derrota unicamente à altitude, como se a Bolívia não tivesse entrado em campo, como se a Argentina tivesse jogado muita bola. Hoje, uma das matérias publicadas no site do Olé, principal jornal esportivo argentino, falou sobre aqueles que eles consideram os responsáveis pela derrota. "Diego, como conductor y como estratega, es el mayor responsable del tsunami de La Paz". O título da matéria: "Diego 40%, altura 20%, jugadores 30% y Bolivia 10%".Que jogar em cima da montanha favorece o time da casa, acho que ninguem mais dúvida. Me parece óbvio. O que não pode é ficar martelando na idéia de que, sozinha, a altitude ganha jogo - imprensa e jogadores brasileiros adoram colocar a culpa na altitude depois de algum fiasco. Se altitude ganhasse jogo, a Bolívia golearia todas as seleções que vão a La Paz, e o Real Potosi, do mesmo modo, esmagaria os times que se aventuram em Potosi. Definitivamente, essa não é a regra.
sexta-feira, maio 9
Qual o perfil?
Quer dizer, muita gente aguenta: a polícia estima em mil o número de pessoas que permaneceu em frente ao prédio onde o casal esteve nos últimos dias.
Algumas semanas após o crime, uma van lotada veio de Minas Gerais especialmente para acompanhar o caso, in loco, na frente do prédio em que a menina foi jogada. Ficaram meio que acampados lá.
Antes de ontem, a negada estava na frente da delegacia no momento em que o casal chegava para ser notificado da prisão. Uma anônima, inclusive, deu pra ver na TV, conseguiu acertar de raspela um tapa na cara da Jatobá.
O povo é fanático.
Os jornais deveriam fazer uma matéria com o seguinte foco: qual o perfil desses fanáticos por tragédias, essas pessoas que a gente vê ali, xingando, tentando furar o bloqueio pra dar na cara de quem eles acreditam ser os criminosos, esse povo que vem de van de Minas Gerais só pra dar uma conferida. Quem são esses nego? Em que ramo trabalham? Quantas horas por dia se dedicam ao "caso Isabella"? Qual o livro de cabeceira? Eles preferem o Guilherme de Pádua ou o maníaco do parque? Os biocombustíveis brasileiros são os responsáveis pela alta nos alimentos em todo o mundo? Quem é o responsável pelo vazamento do dossiê sobres os gastos do FHC? Numa noite fria de São Paulo é melhor ficar em casa ou ir pra delegacia do Tucuruvi?
Vou mandar essa pauta pros jornais.
domingo, maio 4
Coro na macaca paraguaia
itória em Campinas, num domingo com clima propício ao ócio, não é de se estranhar que um não palmeirense se entregasse ao contar de carneirinhos. Agora, fui pego de supresa quando liguei no Terceiro Tempo da Rádio Bandeirantes e vi que o placar tinha sido 5x0. Que coro! O glorioso Neto em algum momento deve ter dito: "A Ponte tá de brincadeira". Se não disse vai dizer, certeza. Que tremendo sparring. Mas a gente tem que ser politicamente correto e não tirar o mérito do Parmera, que fez por onde o campeonato inteiro, tirou a bicharada da reta de maneira espetacular e hoje deu cinco tiros de misericórdia na macaca paraguaia.Só que vou dizer, porquinhos: se quiserem pegar o Todo Poderoso na Libertadores do ano que vem (já somos campeões da Copa do Brasil), tratem de continuar jogando muito, agora no Brasileirão. Hasta la vista, porquitos!
quinta-feira, abril 24
O ganho da noite
Praticar exercícios no adiantado da noite me faz bem. No dia seguinte, ao contrário do que se possa imaginar, acordo com uma puta disposição boa. Verdade! Além do que estava precisando voltar a correr. Comi muito nestas últimas semanas, não fui tão de leve assim na cerveja, resultado: sensação de peso, acima do comum. Tanto que o desempenho no futebol de terça foi, de longe, o pior nesses seis meses de futebol de terça.
Não devo ter corrido mais do que 20 minutos, o equivalente, talvez, a uns três quilômetros. Fui até o final da rua, voltei, retornei ao final (que pode ser o começo, depende do ponto de vista) e parei. Comecei a andar, já pensando na volta pra casa.
"Pessoal, matéria bacana minha, especial de Londres, na Quem nas bancas hoje. A capa é a Carolina Dieckmann". Esse foi o e-mail que ela mandou ontem, e a primeira coisa que veio à minha cabeça quando virei certa esquina e dei de cara com uma banca de jornal. "Caralho, que massa, será que já chegou nessa banca a Quem com a Carolina Dieckmann na capa?". Jogo pra lá uma Rolling Stone, coloco uma Contigo de lado e eis que puxo a Quem. E sim, que beleza, com a Carolina Dieckmann na capa. "Puta merda!". Abro e vou direto no índice, onde leio que na página 42 a "Quem acompanhou o paparazzo inglês Charlie Pycraft à caça de famosos". É essa a matéria, conforme ela tinha dito há alguns dias. Vou na 42, leio o título e, logo abaixo, Mariana Grebler. Há!!!!!
Começo a ler a matéria ali, deixando de lado o fato de, num dos bairros mais chiques de São Paulo, numa banca que fica em frente a um restaurante frequentado por malas e frescos, estar trajando camiseta azul desbotada, suada da corrida, short da seleção que o Samir esqueceu e tenão fera da Rainha...
Começo a ler e fico preso ao texto, que é daqueles que não te deixam parar de ler porque te instigam a saber o que vem depois, sabe? Frases curtas que se alternam com outras mais longas, vírgulas "no ponto". Tudo muito agradável. Mas ela não havia dito que o texto dela meio que deixava a desejar? Blablablá.
Depois de ter lido a primeira página da matéria, percebo uma movimentação suspeita na banca por parte do cara que trabalha lá. Aquela coisa de "Vai comprar a revista ou não vai? Se não for...". Se não for, vaza.
Vazei, voltei pro aconchego do lar. A noite estava ganha.
sexta-feira, fevereiro 29
É a volta, ora pois!
Pra ser exato, o último texto foi publicado em 5 de março do ano passado, no dia seguinte a uma bela derrota do Todo Poderoso Timão. Mais um pouco e o nosso Segundo Filhote, este jovem rapaz, completaria um ano do mais puro descaso por parte do relapso que nele escreve.
Mas enfim, cá estamos novamente, num momento bastante positivo, que deve ter sido a motivação responsável por me fazer driblar as auto-desculpas que, na hora H, resultavam na minha opção por não escrever. Algumas delas? Tem a tradicional "tô num tremendo bico", que cai bem pra todas as ocasiões. Tem também a não mais convincente "pããããts, será?". Trata-se, na verdade, da boa e velha preguicinha braba, que nada mais é do que uma experiente raposa. Como se não fosse gostoso manter um ritmo de textos postados. Blog vicia. Crie um pra ver.
Pois então, o tal momento positivo tem relação com situações bem bacanas que estão ocorrendo ao me redor atualmente, e outras que logo logo vão acontecer. E aí eu fui vendo que é muito legal ter a sacada de que se está passando por um momento bom e, graças a essa percepção, poder aproveitá-lo ainda mais. Porque a gente costuma dar muito ibope para aqueles períodos não tão favoráveis, e quando o inverso ocorre, o peso dado nem sempre é o mesmo. E essa diferença nem ocorre por mal, pois quando a coisa tá boa tudo vai que vai e você nem para pra pensar.
Tão importante quanto é o fato de estarmos de volta à gloriosa blogosfera, celebrando a nova fase!
É nozes, trufa!
segunda-feira, março 5
Méritos palmeirenses
Eu e o Ciborg entramos no estádio por volta das 14h50, uma hora e dez antes do jogo. O sol era impressionante, forte, a temperatura variando entre 31 e 32 graus, e nenhuma nuvem no céu para nos oferecer um sombrinha, ainda que momentânea. Mesmo assim ficamos na arquibancada curtindo o pré-jogo, vendo o campo, os torcedores dos dois times pendurando as faixas, especulando sobre nossas expectativas de público, enfim, tudo aquilo que nos faz entrar no clima da partida.
O jogo começou comigo ainda em estado de fanatismo, o que acabou assim que o Mundinho fez o primeiro gol. Estávamos na arquibancada laranja, atrás do gol corintiano, e vimos quando a bola foi cruzando a área até chegar aos domínios de um jogador, que a recebeu sozinho. Infelizmente, para os corintianos, esse jogador era o Edmundo. Felizmente, para os amantes do futebol, era o Edmundo. Resultado, quando dei por mim que o jogador era quem era, já vi que não teria erro: bola no peito e pau, 1x0 Palmeiras. Logo após o gol, ocorreu algo que, como corintiano, era pra me deixar furioso, mas como amante do futebol, me deixou muito bem. Ele veio na direção da nossa torcida, sem receio algum, e tirou uma onda gigantesca: colocou a mão no ouvido como se quisesse ouvir algo, sorriu, e deve ter falado algo do tipo: "ae, corintianada, lembram de mim? Lembram do que eu fiz com vocês no começo da década de 90, principalmente na final de 93? Não esqueceram não, né? Pois é, o Mundinho aqui tá no final da carreira mas não se cansa de bater em vocês". Fantástico! Um jogador com essa identificação é o que eu quero pro meu time, um jogador com essa identificação é o que todos querem, mas que hoje em dia poucos têm.
Depois do primeiro gol entrou em cena um coadjuvante que encheu os olhos dos palmeirenses. Com um drible capaz de desconcertar três cabeças de bagre do Corinthians, o Valdívia e seus cabelos vieram vindo, vieram vindo, e eu na arquibancada já fui construindo o gol, que obviamente acabou acontecendo.
O primeiro tempo acabou e a minha primeira lição foi assimilada: no Morumbi, em dia de clássico, num domingo de verão, jamais ficar na Gaviões. No intervalo, com muito sufoco, chegamos a uma sombra, demos uma descansadinha, tomamos uma água e fomos pra arquibancada azul, um lugar muito bacana porque é mais tranquilo, espaçoso, e fica entre as duas torcidas, possibilitando a audição de ambas.
O segundo tempo começou e pouca coisa mudou. Marinho e Gustavo continuaram com o show de bizarrices, Marcelo Mattos e Magrão continuaram péssimos, e o Corinthians permaneceu inferior. Contra ataque rápido, o atacante do Palmeiras cruza e lá do outro lado um cara espera a bola, sozinho. Me dei conta que o tal cara era o Mundinho. Resultado: um sem-pulo massa, inapelável e o filho da mãe correndo pros braços da torcida. O que já era bom para os palmeirenses se tornou o paraíso. O que já era péssimo para os corintianos, virou uma coisa inexplicável, indescritível. Só não foi pior porque esse jogo não foi uma final.
A partir daí a torcida do Palmeiras começou a cantar sem parar e o time começou a tocar a bola. Num certo momento, o Valdívia deu uma arrancada fulminate na lateral, em cima do Magrão. Eu só fiquei vendo: será que ele vai cometer o mesmo erro da partida contra o São Paulo ou será que vai aguentar o olé? Aguentou. Logo em seguida, a bola sobrou pro Roger, que driblou um, dois, três e tocou. Os corintianos gritaram "olé". "Olé é o caralho, o time tá perdendo de três a zero, porra! ". Um cara da torcida, lá de trás, gritou isso e muito mais. E eu me senti pequeno, já que gritei olé também. O cara tinha a mais pura razão, afinal, por que o Roger não driblou assim quando o jogo estava zero a zero? Por que ele não fez isso contra o São Paulo? Por que ele não chamou a responsabilidade nestes dois jogos, e agora vem querer dar esses dribles sem objetividade... Tem que massacrar um filho da puta desses!
O jogo terminou e eu saí contente por ter visto um jogão e uma grande festa da torcida, mesmo que o jogo tenha sido bom só pra um time e mesmo que a torcida festejante fosse a outra. Para o futebol e para os amantes dele, esse foi um jogaço!
terça-feira, fevereiro 27
Finalmente
De prima caí no site do jornal mexicano La Jornada, que o Emir chama de "o melhor jornal do continente", onde li uma matéria sobre o crescimento da pobreza extrema nos Estados Unidos. De acordo com ela, os estadunidenses vivem seu pior momento em 32 anos, com 16 milhões de pessoas vivendo na miséria. Um estudo do American Journal of Preventive Medicine mostrou que o número de "estadunidenses severamente pobres" subiu 26% entre 2000 e 2005, índice não atingido por nenhum segmento da economia. A capital, Washington, é a cidade que concentra o maior número de pobres.
Em seguida caí no site do Le Monde Diplomatique - Brasil, onde li um texto sobre a maneira pela qual o ser humano lida com os animais e outro a respeito dos verdadeiros interesses estadunidenses em relação à "problemática" nuclear no Irã. Finalmente achei alguem que fale dos animais como semelhantes. Finalmente li uma matéria que mostra o que está por trás do discurso dos Estados Unidos em relação a Teerã, discurso reproduzido em uníssono pela grande mídia. É uma balela parecida com aquela de uns quatro anos atrás, quando os EUA iniciaram o caos no Iraque com a justificativa de que o país estava desenvolvendo armas de destruição em massa.
Emir Sader ainda deu outras várias dicas que não tive tempo de conferir. Conferir-lás-ei (essa é boa!) em breve.
segunda-feira, fevereiro 26
Capítulo I
Demorei pra voltar a escrever porque queria que as fotos da viagem que eu e a Mari fizemos no fim do ano já estivem publicadas no fotopic. A intenção era escrever um texto para cada etapa da viagem, que foram três: Salvador, Universo Paralello e Boipeba/Morro de São Paulo. Textos recheados com as fotos. A seguir, um que escrevi ainda em Salvador, na noite do dia em que fizemos um tour pela cidade. Talvez, mais pra frente, eu escreva sobre a UP, Boipeba e Morro de São Paulo.
"Salvador, 26 de dezembro de 2006. 21h16.
Salvador não é o objetivo da nossa viagem, minha e da Mari. A programação que fizemos pra essas duas noites e um dia passados aqui foi bem difícil: a única certeza que tínhamos é que o Pelourinho deveria ser visitado. O resto do tempo a gente resolveria o que fazer.
Acordamos na manhã de hoje, terça-feira, 26 de dezembro, por volta das 10h30. Tomamos café, saímos, pegamos um ônibus e, um pouco antes das 13h, já estávamos no Praça da Sé (sim, existe uma Praça da Sé fora de São Paulo!). Caminhamos poucos metros e entramos na Praça Thomé de Souza, acredito que o marco inicial da cidade.
Mal pisamos na praça e já fomos abordados por um cara que se dizia guia turístico, mas que também vendia colares, pulseiras, etc. 'Essa fitinha do Senhor do Bonfim é um presente pra você', me disse o Vanildo enquanto amarrava a fita azul clara no meu pulso esquerdo. 'Vir pra Bahia e não voltar com uma dessa é a mesma coisa que não vir', completou. Logo atrás da gente estava o histórico Palácio Thomé de Souza, datado de 1549, a primeira construção de Salvador, de acordo com o Vanildo. Segundo ele, Thomé de Souza foi um primeiros brancos a desembarcar em Salvador.
'Amanhã à noite tem show do Olodum'. 'Opa, é na faixa?', perguntei. 'Não, não é 0800 não. Show de graça em Salvador não é legal pra turista, vai muito baiano', brincou. Que beleza...hehehe.Seguimos caminho e há três quarteirões chegamos ao Pelourinho, a menina dos olhos de Salvador. E não é pra menos, o lugar é lindo. Eu, do alto da minha cabeça fresca, achava que o Pelourinho se resumia a duas ou três ruas de paralelepípedos com casas coloridas. Não fazia idéia da maneira pela qual as cores dos imóveis históricos que servem de restaurantes, ateliês, bares, lojas de produtos típicos, etc, dão vida e alegria àquele lugar, assim como o sorriso e a hospitalidade dos baianos. Alegria, aliàs, é o que não falta por ali. Simplicidade e alegria, seguidas pela hospitalidade, são as principais características do povo baiano, na minha opinião.

Das pedras nós saímos pra uma caminhada de quase duas horas que passou pelas praias do Farol da Barra, Ondia e Rio Vermelho, onde estamos passando as noites. E o que vimos em abundância nessas três praias foi muito saco plástico, copo descartável, garrafas e demais variações de sujeira que as pessoas levam à praia. Mas o que nos impressionou, além da ausência de garis, foi a normalidade com que os banhistas convivem com isso. Parecia que eles estavam acostumados com as praias sujas...
Bom, minha gente, agora são 22h10 e eu vou dormir, já que tô quebrado e amanhã pretendemos acordar às 5h45 para iniciarmos a romaria até a Universo Paralello. A Mari tá capotada aqui do meu lado. Tenho certeza que, se acordada, ela mandaria um boa noite pra vocês. Eu mando por ela. Boa noite e até o próximo capítulo.22h13"
terça-feira, dezembro 19
Emails dos deputados
Vamos importuná-los:
* Aldo Rebelo (PC do B-SP) - dep.aldorebelo@camara.gov.br
* Renan Calheiros (PMDB-AL) - renan.calheiros@senador.gov.br
* Ciro Nogueira (PP-PI) - dep.cironogueira@camara.gov.br
* Jorge Alberto (PMDB-SE) - dep.jorgealberto@camara.gov.br
* Luciano Castro (PL-RR) - dep.lucianocastro@camara.gov.br
* José Múcio (PTB-PE) - dep.josemuciomonteiro@camara.gov.br
* Wilson Santiago (PMDB-PB) - dep.wilsonsantiago@camara.gov.br
* Miro Teixeira (PDT-RJ) - dep.miroteixeira@camara.gov.br
* Sandra Rosado (PSB-RN) - dep.sandrarosado@camara.gov.br
* Coubert Martins (PPS-BA) - dep.colbertmartins@camara.gov.br
* Bismarck Maia (PSDB-CE) - dep.bismarckmaia@camara.gov.br
* Rodrigo Maia (PFL-RJ) - dep.rodrigomaia@camara.gov.br
* José Carlos Aleluia (PFL-BA) - dep.josecarlosaleluia@camara.gov.br
* Sandro Mabel (PL-GO) - dep.sandromabel@camara.gov.br
* Givaldo Carimbão (PSB-AL) - dep.givaldocarimbao@camara.gov.br
* Arlindo Chinaglia (PT-SP) - dep.arlindochinaglia@camara.gov.br
* Inácio Arruda (PC do B-CE) - dep.inacioarruda@camara.gov.br
* Carlos Willian (PTC-MG) - dep.carloswillian@camara.gov.br
* Mário Heringer (PDT-MG) - dep.marioheringer@camara.gov.br
* Inocêncio Oliveira (PL-PE) - dep.inocenciooliveira@camara.gov.br
* Demóstenes Torres (PFL-GO) - demostenes.torres@senador.gov.br
* Efraim Moraes (PFL-PB) - efraim.morais@senador.gov.br
* Tião Viana (PT-AC) - tiao.viana@senador.gov.br
* Ney Suassuna (PMDB-PB) - ney.suassuna@senador.gov.br
* Benedito de Lira (PL-AL) - dep.beneditodelira@camara.gov.br
* Ideli Salvatti (PT-SC) - ideli.salvatti@senadora.gov.br
quarta-feira, dezembro 13
Algumas
Que bom se pudéssemos escolher quanto ganhar de salário. Ou melhor, que bom se pudéssemos escolher para quanto nosso salário vai subir. Pois é, enquanto tramita no parlamento um projeto que pretende aumentar em R$ 25 o salário mínimo, os deputados e senadores trabalham para aumentar o próprio salário. Aumentar em R$ 25? Não, aumentar R$ 11.800, dos atuais R$ 12.800 para R$ 24.600. Tá bom vai, tudo bem, existe a possibilidade do aumento ser de apenas R$ 3.700. Hoje, talvez pela primeira vez, eu concordei com uma opinião da Lucia Hopólitto, comentarista da CBN, que disse que o congresso tá parecendo um sindicato de deputados. E olha que o presidente da câmara é comunista...
Apreensões
Vejo no Diário de hoje que a Receita Federal e a Secretaria da Fazenda apreenderam duas toneladas de mercadorias piratas, avaliadas em R$ 700 mil, no Stand Center e em outras lojas do gênero, como o Shopping 25, na 25 de março. Todo fim de ano é a mesma coisa: os tais órgãos fazem a festa nesses lugares. Estão certos, afinal, é Natal, Ano Novo, o pessoal lá de casa quer video game novo, computador novo, por que não uma tevezinha de plasma nova? Tevê de plasma é o que tá pegando no momento. Imagina jogar um Winning Eleven num plasma de 40 polegadas. La Bombonera total! Lembro que no ano passado eles fizeram uma dessa no Promo Center, na Augusta, e disseram que dali não sairia mais coelho. Acabou virando uma cartola de mágico novamente.
