Depois de um domingão de sol, de clássico contra o Palmeiras, de presença no Morumbi e de um show de bola dos palmeirenses fica difícil pescar apenas um assunto pra destacar aqui no blog. O negócio é tentar escrever sobre aquilo que mais me marcou no jogo, e o que mais me marcou é que, apesar do pau homérico levado pelo meu time, valeu muito a pena estar no Morumbi nesse jogo que vai entrar pra história.
Eu e o Ciborg entramos no estádio por volta das 14h50, uma hora e dez antes do jogo. O sol era impressionante, forte, a temperatura variando entre 31 e 32 graus, e nenhuma nuvem no céu para nos oferecer um sombrinha, ainda que momentânea. Mesmo assim ficamos na arquibancada curtindo o pré-jogo, vendo o campo, os torcedores dos dois times pendurando as faixas, especulando sobre nossas expectativas de público, enfim, tudo aquilo que nos faz entrar no clima da partida.
O jogo começou comigo ainda em estado de fanatismo, o que acabou assim que o Mundinho fez o primeiro gol. Estávamos na arquibancada laranja, atrás do gol corintiano, e vimos quando a bola foi cruzando a área até chegar aos domínios de um jogador, que a recebeu sozinho. Infelizmente, para os corintianos, esse jogador era o Edmundo. Felizmente, para os amantes do futebol, era o Edmundo. Resultado, quando dei por mim que o jogador era quem era, já vi que não teria erro: bola no peito e pau, 1x0 Palmeiras. Logo após o gol, ocorreu algo que, como corintiano, era pra me deixar furioso, mas como amante do futebol, me deixou muito bem. Ele veio na direção da nossa torcida, sem receio algum, e tirou uma onda gigantesca: colocou a mão no ouvido como se quisesse ouvir algo, sorriu, e deve ter falado algo do tipo: "ae, corintianada, lembram de mim? Lembram do que eu fiz com vocês no começo da década de 90, principalmente na final de 93? Não esqueceram não, né? Pois é, o Mundinho aqui tá no final da carreira mas não se cansa de bater em vocês". Fantástico! Um jogador com essa identificação é o que eu quero pro meu time, um jogador com essa identificação é o que todos querem, mas que hoje em dia poucos têm.
Depois do primeiro gol entrou em cena um coadjuvante que encheu os olhos dos palmeirenses. Com um drible capaz de desconcertar três cabeças de bagre do Corinthians, o Valdívia e seus cabelos vieram vindo, vieram vindo, e eu na arquibancada já fui construindo o gol, que obviamente acabou acontecendo.
O primeiro tempo acabou e a minha primeira lição foi assimilada: no Morumbi, em dia de clássico, num domingo de verão, jamais ficar na Gaviões. No intervalo, com muito sufoco, chegamos a uma sombra, demos uma descansadinha, tomamos uma água e fomos pra arquibancada azul, um lugar muito bacana porque é mais tranquilo, espaçoso, e fica entre as duas torcidas, possibilitando a audição de ambas.
O segundo tempo começou e pouca coisa mudou. Marinho e Gustavo continuaram com o show de bizarrices, Marcelo Mattos e Magrão continuaram péssimos, e o Corinthians permaneceu inferior. Contra ataque rápido, o atacante do Palmeiras cruza e lá do outro lado um cara espera a bola, sozinho. Me dei conta que o tal cara era o Mundinho. Resultado: um sem-pulo massa, inapelável e o filho da mãe correndo pros braços da torcida. O que já era bom para os palmeirenses se tornou o paraíso. O que já era péssimo para os corintianos, virou uma coisa inexplicável, indescritível. Só não foi pior porque esse jogo não foi uma final.
A partir daí a torcida do Palmeiras começou a cantar sem parar e o time começou a tocar a bola. Num certo momento, o Valdívia deu uma arrancada fulminate na lateral, em cima do Magrão. Eu só fiquei vendo: será que ele vai cometer o mesmo erro da partida contra o São Paulo ou será que vai aguentar o olé? Aguentou. Logo em seguida, a bola sobrou pro Roger, que driblou um, dois, três e tocou. Os corintianos gritaram "olé". "Olé é o caralho, o time tá perdendo de três a zero, porra! ". Um cara da torcida, lá de trás, gritou isso e muito mais. E eu me senti pequeno, já que gritei olé também. O cara tinha a mais pura razão, afinal, por que o Roger não driblou assim quando o jogo estava zero a zero? Por que ele não fez isso contra o São Paulo? Por que ele não chamou a responsabilidade nestes dois jogos, e agora vem querer dar esses dribles sem objetividade... Tem que massacrar um filho da puta desses!
O jogo terminou e eu saí contente por ter visto um jogão e uma grande festa da torcida, mesmo que o jogo tenha sido bom só pra um time e mesmo que a torcida festejante fosse a outra. Para o futebol e para os amantes dele, esse foi um jogaço!
segunda-feira, março 5
terça-feira, fevereiro 27
Finalmente
Dia desses estava pensando em como está sendo complicada a situação de eu ter que me informar basicamente pela chamada grande mídia: Estadão e Folha, televisão, CBN, G1, Folha Online, etc. É impressionante como todos eles falam a mesma coisa e têm a mesma opinião, que geralmente é contrária a minha. Como nem sempre tenho grana pra comprar a CartaCapital ou a Caros Amigos, revistas dissonantes, a internet seria a única maneira de procurar alguem que falasse a minha língua. E não deu outra. Hoje eu estava navegando pelo blog do Emir Sader e li um texto em que ele dá uma série de dicas de veículos, impressos e digitais, que destoam daquilo que a gente assisti no Jornal Nacional, por exemplo.
De prima caí no site do jornal mexicano La Jornada, que o Emir chama de "o melhor jornal do continente", onde li uma matéria sobre o crescimento da pobreza extrema nos Estados Unidos. De acordo com ela, os estadunidenses vivem seu pior momento em 32 anos, com 16 milhões de pessoas vivendo na miséria. Um estudo do American Journal of Preventive Medicine mostrou que o número de "estadunidenses severamente pobres" subiu 26% entre 2000 e 2005, índice não atingido por nenhum segmento da economia. A capital, Washington, é a cidade que concentra o maior número de pobres.
Em seguida caí no site do Le Monde Diplomatique - Brasil, onde li um texto sobre a maneira pela qual o ser humano lida com os animais e outro a respeito dos verdadeiros interesses estadunidenses em relação à "problemática" nuclear no Irã. Finalmente achei alguem que fale dos animais como semelhantes. Finalmente li uma matéria que mostra o que está por trás do discurso dos Estados Unidos em relação a Teerã, discurso reproduzido em uníssono pela grande mídia. É uma balela parecida com aquela de uns quatro anos atrás, quando os EUA iniciaram o caos no Iraque com a justificativa de que o país estava desenvolvendo armas de destruição em massa.
Emir Sader ainda deu outras várias dicas que não tive tempo de conferir. Conferir-lás-ei (essa é boa!) em breve.
De prima caí no site do jornal mexicano La Jornada, que o Emir chama de "o melhor jornal do continente", onde li uma matéria sobre o crescimento da pobreza extrema nos Estados Unidos. De acordo com ela, os estadunidenses vivem seu pior momento em 32 anos, com 16 milhões de pessoas vivendo na miséria. Um estudo do American Journal of Preventive Medicine mostrou que o número de "estadunidenses severamente pobres" subiu 26% entre 2000 e 2005, índice não atingido por nenhum segmento da economia. A capital, Washington, é a cidade que concentra o maior número de pobres.
Em seguida caí no site do Le Monde Diplomatique - Brasil, onde li um texto sobre a maneira pela qual o ser humano lida com os animais e outro a respeito dos verdadeiros interesses estadunidenses em relação à "problemática" nuclear no Irã. Finalmente achei alguem que fale dos animais como semelhantes. Finalmente li uma matéria que mostra o que está por trás do discurso dos Estados Unidos em relação a Teerã, discurso reproduzido em uníssono pela grande mídia. É uma balela parecida com aquela de uns quatro anos atrás, quando os EUA iniciaram o caos no Iraque com a justificativa de que o país estava desenvolvendo armas de destruição em massa.
Emir Sader ainda deu outras várias dicas que não tive tempo de conferir. Conferir-lás-ei (essa é boa!) em breve.
segunda-feira, fevereiro 26
Capítulo I
É, minha gente, três meses sem publicar um mísero textinho não é pouca coisa, não. A meia dúzia de leitores que passava por aqui já deve ter até esquecido o endereço do pobre Segundo Filhote. Mas vamos lá, o carnaval passou, o ano finalmente começou e eu estou de volta à ativa!
Demorei pra voltar a escrever porque queria que as fotos da viagem que eu e a Mari fizemos no fim do ano já estivem publicadas no fotopic. A intenção era escrever um texto para cada etapa da viagem, que foram três: Salvador, Universo Paralello e Boipeba/Morro de São Paulo. Textos recheados com as fotos. A seguir, um que escrevi ainda em Salvador, na noite do dia em que fizemos um tour pela cidade. Talvez, mais pra frente, eu escreva sobre a UP, Boipeba e Morro de São Paulo.
"Salvador, 26 de dezembro de 2006. 21h16.
Salvador não é o objetivo da nossa viagem, minha e da Mari. A programação que fizemos pra essas duas noites e um dia passados aqui foi bem difícil: a única certeza que tínhamos é que o Pelourinho deveria ser visitado. O resto do tempo a gente resolveria o que fazer.
Acordamos na manhã de hoje, terça-feira, 26 de dezembro, por volta das 10h30. Tomamos café, saímos, pegamos um ônibus e, um pouco antes das 13h, já estávamos no Praça da Sé (sim, existe uma Praça da Sé fora de São Paulo!). Caminhamos poucos metros e entramos na Praça Thomé de Souza, acredito que o marco inicial da cidade.
Mal pisamos na praça e já fomos abordados por um cara que se dizia guia turístico, mas que também vendia colares, pulseiras, etc. 'Essa fitinha do Senhor do Bonfim é um presente pra você', me disse o Vanildo enquanto amarrava a fita azul clara no meu pulso esquerdo. 'Vir pra Bahia e não voltar com uma dessa é a mesma coisa que não vir', completou. Logo atrás da gente estava o histórico Palácio Thomé de Souza, datado de 1549, a primeira construção de Salvador, de acordo com o Vanildo. Segundo ele, Thomé de Souza foi um primeiros brancos a desembarcar em Salvador.
Demorei pra voltar a escrever porque queria que as fotos da viagem que eu e a Mari fizemos no fim do ano já estivem publicadas no fotopic. A intenção era escrever um texto para cada etapa da viagem, que foram três: Salvador, Universo Paralello e Boipeba/Morro de São Paulo. Textos recheados com as fotos. A seguir, um que escrevi ainda em Salvador, na noite do dia em que fizemos um tour pela cidade. Talvez, mais pra frente, eu escreva sobre a UP, Boipeba e Morro de São Paulo.
"Salvador, 26 de dezembro de 2006. 21h16.
Salvador não é o objetivo da nossa viagem, minha e da Mari. A programação que fizemos pra essas duas noites e um dia passados aqui foi bem difícil: a única certeza que tínhamos é que o Pelourinho deveria ser visitado. O resto do tempo a gente resolveria o que fazer.
Acordamos na manhã de hoje, terça-feira, 26 de dezembro, por volta das 10h30. Tomamos café, saímos, pegamos um ônibus e, um pouco antes das 13h, já estávamos no Praça da Sé (sim, existe uma Praça da Sé fora de São Paulo!). Caminhamos poucos metros e entramos na Praça Thomé de Souza, acredito que o marco inicial da cidade.
Mal pisamos na praça e já fomos abordados por um cara que se dizia guia turístico, mas que também vendia colares, pulseiras, etc. 'Essa fitinha do Senhor do Bonfim é um presente pra você', me disse o Vanildo enquanto amarrava a fita azul clara no meu pulso esquerdo. 'Vir pra Bahia e não voltar com uma dessa é a mesma coisa que não vir', completou. Logo atrás da gente estava o histórico Palácio Thomé de Souza, datado de 1549, a primeira construção de Salvador, de acordo com o Vanildo. Segundo ele, Thomé de Souza foi um primeiros brancos a desembarcar em Salvador.
'Amanhã à noite tem show do Olodum'. 'Opa, é na faixa?', perguntei. 'Não, não é 0800 não. Show de graça em Salvador não é legal pra turista, vai muito baiano', brincou. Que beleza...hehehe.Seguimos caminho e há três quarteirões chegamos ao Pelourinho, a menina dos olhos de Salvador. E não é pra menos, o lugar é lindo. Eu, do alto da minha cabeça fresca, achava que o Pelourinho se resumia a duas ou três ruas de paralelepípedos com casas coloridas. Não fazia idéia da maneira pela qual as cores dos imóveis históricos que servem de restaurantes, ateliês, bares, lojas de produtos típicos, etc, dão vida e alegria àquele lugar, assim como o sorriso e a hospitalidade dos baianos. Alegria, aliàs, é o que não falta por ali. Simplicidade e alegria, seguidas pela hospitalidade, são as principais características do povo baiano, na minha opinião.

Ficamos no 'Pelô' até umas 15h30, quando voltamos à Praça da Sé e tomamos um ônibus com destino ao Farol da Barra, onde chegamos por volta das 16h10. Sentamos nas pedras que ficam à beira-mar, do lado do Farol, mas logo saímos, incomodados pela sujeira do lugar. Sujeira e descaso quanto a ela: essas são as duas críticas negativas que tive nesse pouquíssimo tempo de Salvador.
Das pedras nós saímos pra uma caminhada de quase duas horas que passou pelas praias do Farol da Barra, Ondia e Rio Vermelho, onde estamos passando as noites. E o que vimos em abundância nessas três praias foi muito saco plástico, copo descartável, garrafas e demais variações de sujeira que as pessoas levam à praia. Mas o que nos impressionou, além da ausência de garis, foi a normalidade com que os banhistas convivem com isso. Parecia que eles estavam acostumados com as praias sujas...
Das pedras nós saímos pra uma caminhada de quase duas horas que passou pelas praias do Farol da Barra, Ondia e Rio Vermelho, onde estamos passando as noites. E o que vimos em abundância nessas três praias foi muito saco plástico, copo descartável, garrafas e demais variações de sujeira que as pessoas levam à praia. Mas o que nos impressionou, além da ausência de garis, foi a normalidade com que os banhistas convivem com isso. Parecia que eles estavam acostumados com as praias sujas...
Bom, minha gente, agora são 22h10 e eu vou dormir, já que tô quebrado e amanhã pretendemos acordar às 5h45 para iniciarmos a romaria até a Universo Paralello. A Mari tá capotada aqui do meu lado. Tenho certeza que, se acordada, ela mandaria um boa noite pra vocês. Eu mando por ela. Boa noite e até o próximo capítulo.22h13"
terça-feira, dezembro 19
Emails dos deputados
Logo abaixo, tirados do Nababu, os nomes e emails dos 26 parlamentares que decidiram pelo aumento de 91% nos salários dos senadores e deputados. O salário mínimo lutando pra subir 25 reais e os caras aumentando os próprios vencimentos em mais de 12 mil. Até deputado de partido dito comunista apoiando a medida...
Vamos importuná-los:
* Aldo Rebelo (PC do B-SP) - dep.aldorebelo@camara.gov.br
* Renan Calheiros (PMDB-AL) - renan.calheiros@senador.gov.br
* Ciro Nogueira (PP-PI) - dep.cironogueira@camara.gov.br
* Jorge Alberto (PMDB-SE) - dep.jorgealberto@camara.gov.br
* Luciano Castro (PL-RR) - dep.lucianocastro@camara.gov.br
* José Múcio (PTB-PE) - dep.josemuciomonteiro@camara.gov.br
* Wilson Santiago (PMDB-PB) - dep.wilsonsantiago@camara.gov.br
* Miro Teixeira (PDT-RJ) - dep.miroteixeira@camara.gov.br
* Sandra Rosado (PSB-RN) - dep.sandrarosado@camara.gov.br
* Coubert Martins (PPS-BA) - dep.colbertmartins@camara.gov.br
* Bismarck Maia (PSDB-CE) - dep.bismarckmaia@camara.gov.br
* Rodrigo Maia (PFL-RJ) - dep.rodrigomaia@camara.gov.br
* José Carlos Aleluia (PFL-BA) - dep.josecarlosaleluia@camara.gov.br
* Sandro Mabel (PL-GO) - dep.sandromabel@camara.gov.br
* Givaldo Carimbão (PSB-AL) - dep.givaldocarimbao@camara.gov.br
* Arlindo Chinaglia (PT-SP) - dep.arlindochinaglia@camara.gov.br
* Inácio Arruda (PC do B-CE) - dep.inacioarruda@camara.gov.br
* Carlos Willian (PTC-MG) - dep.carloswillian@camara.gov.br
* Mário Heringer (PDT-MG) - dep.marioheringer@camara.gov.br
* Inocêncio Oliveira (PL-PE) - dep.inocenciooliveira@camara.gov.br
* Demóstenes Torres (PFL-GO) - demostenes.torres@senador.gov.br
* Efraim Moraes (PFL-PB) - efraim.morais@senador.gov.br
* Tião Viana (PT-AC) - tiao.viana@senador.gov.br
* Ney Suassuna (PMDB-PB) - ney.suassuna@senador.gov.br
* Benedito de Lira (PL-AL) - dep.beneditodelira@camara.gov.br
* Ideli Salvatti (PT-SC) - ideli.salvatti@senadora.gov.br
Vamos importuná-los:
* Aldo Rebelo (PC do B-SP) - dep.aldorebelo@camara.gov.br
* Renan Calheiros (PMDB-AL) - renan.calheiros@senador.gov.br
* Ciro Nogueira (PP-PI) - dep.cironogueira@camara.gov.br
* Jorge Alberto (PMDB-SE) - dep.jorgealberto@camara.gov.br
* Luciano Castro (PL-RR) - dep.lucianocastro@camara.gov.br
* José Múcio (PTB-PE) - dep.josemuciomonteiro@camara.gov.br
* Wilson Santiago (PMDB-PB) - dep.wilsonsantiago@camara.gov.br
* Miro Teixeira (PDT-RJ) - dep.miroteixeira@camara.gov.br
* Sandra Rosado (PSB-RN) - dep.sandrarosado@camara.gov.br
* Coubert Martins (PPS-BA) - dep.colbertmartins@camara.gov.br
* Bismarck Maia (PSDB-CE) - dep.bismarckmaia@camara.gov.br
* Rodrigo Maia (PFL-RJ) - dep.rodrigomaia@camara.gov.br
* José Carlos Aleluia (PFL-BA) - dep.josecarlosaleluia@camara.gov.br
* Sandro Mabel (PL-GO) - dep.sandromabel@camara.gov.br
* Givaldo Carimbão (PSB-AL) - dep.givaldocarimbao@camara.gov.br
* Arlindo Chinaglia (PT-SP) - dep.arlindochinaglia@camara.gov.br
* Inácio Arruda (PC do B-CE) - dep.inacioarruda@camara.gov.br
* Carlos Willian (PTC-MG) - dep.carloswillian@camara.gov.br
* Mário Heringer (PDT-MG) - dep.marioheringer@camara.gov.br
* Inocêncio Oliveira (PL-PE) - dep.inocenciooliveira@camara.gov.br
* Demóstenes Torres (PFL-GO) - demostenes.torres@senador.gov.br
* Efraim Moraes (PFL-PB) - efraim.morais@senador.gov.br
* Tião Viana (PT-AC) - tiao.viana@senador.gov.br
* Ney Suassuna (PMDB-PB) - ney.suassuna@senador.gov.br
* Benedito de Lira (PL-AL) - dep.beneditodelira@camara.gov.br
* Ideli Salvatti (PT-SC) - ideli.salvatti@senadora.gov.br
quarta-feira, dezembro 13
Algumas
Aumento pro legislativo
Que bom se pudéssemos escolher quanto ganhar de salário. Ou melhor, que bom se pudéssemos escolher para quanto nosso salário vai subir. Pois é, enquanto tramita no parlamento um projeto que pretende aumentar em R$ 25 o salário mínimo, os deputados e senadores trabalham para aumentar o próprio salário. Aumentar em R$ 25? Não, aumentar R$ 11.800, dos atuais R$ 12.800 para R$ 24.600. Tá bom vai, tudo bem, existe a possibilidade do aumento ser de apenas R$ 3.700. Hoje, talvez pela primeira vez, eu concordei com uma opinião da Lucia Hopólitto, comentarista da CBN, que disse que o congresso tá parecendo um sindicato de deputados. E olha que o presidente da câmara é comunista...
Apreensões
Vejo no Diário de hoje que a Receita Federal e a Secretaria da Fazenda apreenderam duas toneladas de mercadorias piratas, avaliadas em R$ 700 mil, no Stand Center e em outras lojas do gênero, como o Shopping 25, na 25 de março. Todo fim de ano é a mesma coisa: os tais órgãos fazem a festa nesses lugares. Estão certos, afinal, é Natal, Ano Novo, o pessoal lá de casa quer video game novo, computador novo, por que não uma tevezinha de plasma nova? Tevê de plasma é o que tá pegando no momento. Imagina jogar um Winning Eleven num plasma de 40 polegadas. La Bombonera total! Lembro que no ano passado eles fizeram uma dessa no Promo Center, na Augusta, e disseram que dali não sairia mais coelho. Acabou virando uma cartola de mágico novamente.
Que bom se pudéssemos escolher quanto ganhar de salário. Ou melhor, que bom se pudéssemos escolher para quanto nosso salário vai subir. Pois é, enquanto tramita no parlamento um projeto que pretende aumentar em R$ 25 o salário mínimo, os deputados e senadores trabalham para aumentar o próprio salário. Aumentar em R$ 25? Não, aumentar R$ 11.800, dos atuais R$ 12.800 para R$ 24.600. Tá bom vai, tudo bem, existe a possibilidade do aumento ser de apenas R$ 3.700. Hoje, talvez pela primeira vez, eu concordei com uma opinião da Lucia Hopólitto, comentarista da CBN, que disse que o congresso tá parecendo um sindicato de deputados. E olha que o presidente da câmara é comunista...
Apreensões
Vejo no Diário de hoje que a Receita Federal e a Secretaria da Fazenda apreenderam duas toneladas de mercadorias piratas, avaliadas em R$ 700 mil, no Stand Center e em outras lojas do gênero, como o Shopping 25, na 25 de março. Todo fim de ano é a mesma coisa: os tais órgãos fazem a festa nesses lugares. Estão certos, afinal, é Natal, Ano Novo, o pessoal lá de casa quer video game novo, computador novo, por que não uma tevezinha de plasma nova? Tevê de plasma é o que tá pegando no momento. Imagina jogar um Winning Eleven num plasma de 40 polegadas. La Bombonera total! Lembro que no ano passado eles fizeram uma dessa no Promo Center, na Augusta, e disseram que dali não sairia mais coelho. Acabou virando uma cartola de mágico novamente.
terça-feira, dezembro 12
Não ao boicote!
Uma das polêmicas do momento gira em torno de um email que circula pela internet pedindo boicote ao filme "Turistas", em cartaz nos EUA desde o início do mês. Pra quem não sabe, o longa foi filmado no Brasil e conta a história de seis jovens americanos que resolvem passar as férias na terra das praias paradisíacas, do futebol, do samba e das belas e fogosas mulheres. Aqui chegando, a turma se diverte a valer com os nativos: muita descontração, caipirinha e "boa noite, cinderela".Pois é, a folia toda acaba quando eles levam o golpe do "boa noite, cinderela" numa balada pé-na-areia. Acordam na praia, sem passaportes, cartões e dinheiro. Pedem ajuda e acabam sendo vítimas de uma quadrilha de traficantes de órgãos. Ai, ai, ai, que meda!
No tal email, e também em um abaixo-assinado que pede a proibição da veiculação do filme, os principais argumentos utilizados falam que o filme pode prejudicar o turismo no Brasil e que nós não podemos dar um centavo sequer a uma obra que visa denegrir a imagem do Brasil no exterior - clique aqui para um "video" que pede boicote.
Por partes: deixei um recado no orkut da pessoa que criou o email de boicote. É uma baiana que vive do turismo, já que é dona de uma pousada no interior da terra do Jorge Amado.
- O Brasil precisa tanto dos turistas "cabeças", aqueles que sabem diferenciar a realidade da ficção, quanto dos "não cabeças", que acham que o Brasil é apenas futebol, samba e mulher - a baiana me respondeu no orkut.
Acho que ela tem toda razão, realmente o Brasil precisa tanto dos turistas minimamente inteligentes quanto dos desprovidos de inteligência. Acontece que o cinema não pode pagar o pagar pela jumentice alheia, "a arte não pode pagar o preço da ignorância", me disse o Hugo, mesmo que nesse caso a arte seja representada por um filme aparentemente tosco.
"Por favor, passem a mensagem para que um filme como este, que transmite uma imagem extremamente negativa sobre o nosso país, seja boicotado". Como somos hipócritas, não? Essas pessoas deveriam boicotar os sequestros, assaltos, "boa noite, cinderelas" e o tráfico de órgãos, temas fantasiosamente retratados no filme mas que todos sabemos que ocorrem em abundância por aqui.
Quem quiser saber mais, compre o Diário de quinta-feira. Tem matéria minha entrevistando a presidente da Embratur, o diretor geral da Paris Filmes e um crítico especializado em filmes de terror.
terça-feira, novembro 28
Max e o Sepultura
Passei boa parte do tempo vendo alguns videos da banda que foi minha favorita dos 13 aos 19 anos, mais ou menos. E ainda hoje, com 24, eu me arrepio e me sinto bem vendo o Sepultura de antigamente, da época do Chaos A.D., 1994, quando os urros do Max fluíam com facilidade e a energia da banda estava a mil, no auge. Pena que na adolescência as letras desse album não me influenciavam, assim como pouca coisa na época. Pô, as músicas do Chaos A.D. são atualíssimas, peguemos alguns trechos que me vêm à cabeça:
Territory:
"Choice control behind propaganda
Poor information TO MENAGE YOU ANGER
War for territory, war for territory"
Propaganda:
"You think you have the right to put me down
Propaganda hides your scum
Face to face you don't have a word to say
You got my way, now you have to pay
DON'T, DON'T BELIEVE WHAT YOU SEE
DON'T, DON'T BELIEVE WHAT YOU READ"
Refuse Resist:
"Chaos A.D, tanks on the streets
confronting police, bleedding the pleebs
RAGING CROWD, BURNING CARS
BLODSHEED STARTS, WHO'LL BE ALIVE?
Refuse/Resist"
Depois do Chaos A.D. veio o Roots, em 1995, e o Sepultura continuava arregaçando no palco. Pra gravarem o Roots, os caras passaram vários dias convivendo diretamente com a tribo Xavantes, no Mato Grosso do Sul, de onde trouxeram várias influências que foram utilizadas na músicas do album. Usaram berimbau, mostraram a Bahia nos clipes, rodas de capoeira, coisas bem Roots, bem brasileiras. O resultado dessa mistura toda foi o sucesso mundial destruidor por conta de músicas como Roots Bloody Roots, que o Moby tocou no show dele em São Paulo. Veja o que o contato com a raiz fez:
Roots Bloody Roots:
"I believe in our fate, WE DON'T NEED TO FAKE
It's all we wanna be, watch me freeeeeak
I SAY, WE'RE GROWING EVERY DAY
STRONGER IN EVERY WAY
I'll take you to a place, where we shall find our
ROOTS"
Attitude:
"WHAT WERE YOU THINKING? WHAT A WONDERFUL WORLD?
YOU'RE FULL OF SHIT
Leave it behind, they don't care if you cry, all is left is pain
Can you take it?"
Hoje, o Max tá mandando ver toda a criatividade dele no Soulfly, que eu não sou muito fã, ou um fâ em potencial, talvez. O Sepultura vai definhando a cada dia, infelizmente. Como fazem falta, juntos, Max, Igor, Andreas e Paulo. Será que conseguiremos vê-los juntos novamente? Eu estarei lá!
Territory:
"Choice control behind propaganda
Poor information TO MENAGE YOU ANGER
War for territory, war for territory"
Propaganda:
"You think you have the right to put me down
Propaganda hides your scum
Face to face you don't have a word to say
You got my way, now you have to pay
DON'T, DON'T BELIEVE WHAT YOU SEE
DON'T, DON'T BELIEVE WHAT YOU READ"
Refuse Resist:
"Chaos A.D, tanks on the streets
confronting police, bleedding the pleebs
RAGING CROWD, BURNING CARS
BLODSHEED STARTS, WHO'LL BE ALIVE?
Refuse/Resist"
Depois do Chaos A.D. veio o Roots, em 1995, e o Sepultura continuava arregaçando no palco. Pra gravarem o Roots, os caras passaram vários dias convivendo diretamente com a tribo Xavantes, no Mato Grosso do Sul, de onde trouxeram várias influências que foram utilizadas na músicas do album. Usaram berimbau, mostraram a Bahia nos clipes, rodas de capoeira, coisas bem Roots, bem brasileiras. O resultado dessa mistura toda foi o sucesso mundial destruidor por conta de músicas como Roots Bloody Roots, que o Moby tocou no show dele em São Paulo. Veja o que o contato com a raiz fez:
Roots Bloody Roots:
"I believe in our fate, WE DON'T NEED TO FAKE
It's all we wanna be, watch me freeeeeak
I SAY, WE'RE GROWING EVERY DAY
STRONGER IN EVERY WAY
I'll take you to a place, where we shall find our
ROOTS"
Attitude:
"WHAT WERE YOU THINKING? WHAT A WONDERFUL WORLD?
YOU'RE FULL OF SHIT
Leave it behind, they don't care if you cry, all is left is pain
Can you take it?"
Hoje, o Max tá mandando ver toda a criatividade dele no Soulfly, que eu não sou muito fã, ou um fâ em potencial, talvez. O Sepultura vai definhando a cada dia, infelizmente. Como fazem falta, juntos, Max, Igor, Andreas e Paulo. Será que conseguiremos vê-los juntos novamente? Eu estarei lá!
terça-feira, novembro 21
Brasil vs China
Comparações entre os crescimentos econômicos de Brasil e China são comuns nas discussões de ultimamente. Elas foram usadas, inclusive, na recente campanha à presidência da república por um dos candidatos levados ao segundo turno.
Dizem alguns que, enquanto países como China e India crescem 10% ao ano, o Brasil cresce míseros 2%, quiçá 3%. O que essas pessoas se esquecem, no entanto, é que o crescimento das nações asiáticas se dá às custas da devastação do meio ambiente, dos elevadíssimos índices de poluição e do pagamento de salários de m. para trabalhadores que atuam até 14 horas por dia e têm poucos ou nenhum direito trabalhista. Logo, fica a pergunta: será que vale a pena crescer desta concentrada e elitista maneira?
Andando pelo blog do escriba Jorge, me linquei a uma matéria da BBC Brasil que fala do lançamento do livro "O Brasil visto por dentro", escrito pelo indiano Vinod Thomas, diretor do Banco Mundial. Na obra, Thomas diz que "se a China continuar crescendo 10% ao ano, só dentro de dez anos vai alcançar o Brasil (em PIB per capita)”.
Outro trecho:
"Segundo Thomas, o Brasil não precisa olhar para a Índia ou para a China como exemplos para o crescimento, porque pode procurar os exemplos internamente.
'Apesar do crescimento global de 2% a 3%, há Estados no Brasil que têm crescido como a China ou a Índia. Um ponto muito interessante para mim é que os Estados mais pobres têm crescido muito mais do que os mais ricos. No Brasil, quem cresce a 5%, 6%, 7% ou 8% são os Estados do Nordeste. Há clima de investimento e políticas dos governadores que apóiam o investimento do setor privado.'
'Na China e na Índia, os Estados que têm crescido mais são os mais ricos. No Brasil, o crescimento dos Estados do nordeste representa uma distribuição da riqueza.'
Para Thomas, isso representa uma vantagem do Brasil em relação às duas potências asiáticas já que a concentração do crescimento pode gerar tensões que ameacem a sustentabilidade do ritmo de desenvolvimento da economia".
Dizem alguns que, enquanto países como China e India crescem 10% ao ano, o Brasil cresce míseros 2%, quiçá 3%. O que essas pessoas se esquecem, no entanto, é que o crescimento das nações asiáticas se dá às custas da devastação do meio ambiente, dos elevadíssimos índices de poluição e do pagamento de salários de m. para trabalhadores que atuam até 14 horas por dia e têm poucos ou nenhum direito trabalhista. Logo, fica a pergunta: será que vale a pena crescer desta concentrada e elitista maneira?
Andando pelo blog do escriba Jorge, me linquei a uma matéria da BBC Brasil que fala do lançamento do livro "O Brasil visto por dentro", escrito pelo indiano Vinod Thomas, diretor do Banco Mundial. Na obra, Thomas diz que "se a China continuar crescendo 10% ao ano, só dentro de dez anos vai alcançar o Brasil (em PIB per capita)”.
Outro trecho:
"Segundo Thomas, o Brasil não precisa olhar para a Índia ou para a China como exemplos para o crescimento, porque pode procurar os exemplos internamente.
'Apesar do crescimento global de 2% a 3%, há Estados no Brasil que têm crescido como a China ou a Índia. Um ponto muito interessante para mim é que os Estados mais pobres têm crescido muito mais do que os mais ricos. No Brasil, quem cresce a 5%, 6%, 7% ou 8% são os Estados do Nordeste. Há clima de investimento e políticas dos governadores que apóiam o investimento do setor privado.'
'Na China e na Índia, os Estados que têm crescido mais são os mais ricos. No Brasil, o crescimento dos Estados do nordeste representa uma distribuição da riqueza.'
Para Thomas, isso representa uma vantagem do Brasil em relação às duas potências asiáticas já que a concentração do crescimento pode gerar tensões que ameacem a sustentabilidade do ritmo de desenvolvimento da economia".
quinta-feira, novembro 9
As derrotas de Bush
A mesma ocupação do Iraque que garantiu a reeleição do Bush em 2004 foi a responsável pela derrota do partido dele nas disputas pelo senado e pela câmara americanos. A expectativa, agora, é que a conduta dos políticos daquele país em relação à "guerra" seja mais, digamos, moderada. Se isso realmente vai acontecer, só os próximos meses irão dizer.Interessantes são algumas declarações dadas pelo Walker na coletiva que sucedeu a derrota. Na primeira, ele praticamente admite o fracasso ocorrido na terra do futuro finado, Saddam Hussein. Nas outras duas, ele mostra o quão falso hijo de puta consegue ser.
"Reconheço que muitos americanos votaram na noite passada para registrar seu descontentamento com a falta de progresso lá (Iraque). Porém, eu também acredito que a maioria dos americanos dos dois partidos políticos entende que não podemos aceitar a DERROTA".
"A eleição mudou muitas coisas em Whasington, mas não mudou minha responsabilidade fundamental, que é a de proteger o povo americano de um ataque". Pode?
"Eu gostaria que nossos soldados voltassem para casa, mas quero que eles voltem com uma vitória".
quarta-feira, novembro 8
Emir Sader
Acabo de conhecer o blog de um cara que, confesso, tinha poucas ou nenhuma referência. Que vergonha. Esse cara é o Emir Sader, cientista social, professor e colunista da agência de notícias Carta Maior, que recentemente ganhou destaque na mídia pela condenação que recebeu em função de um processo movido pelo senador Jorge Bornhausen, do PFL.
Em agosto, contando com uma eventual vitória de Alckmin nas eleições, Bornhausen disse que estaria livre dessa "raça" pelos próximos 30 anos - a tal "raça" seria o PT. Em artigo publicado na Carta Maior, Sador chamou o senador de racista. Daí o motivo do processo, que resultou na condenação do sociólogo à perda de seu cargo de professor na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e a um ano de detenção, em regime aberto, conversível à prestação de serviços à comunidade. Um abaixo-assinado em solidariedade a Emir foi criado e já conta com mais de dez mil nomes, incluindo gente como Chico Buarque e Oscar Niemeyer. Se você quiser assinar, clique aqui.
No blog, o esquerdista Sader faz uma série de análises que nos ajudam a driblar o discurso predominante da grande mídia. Ah, os blogs! São eles que nos salvam. Vale muito a pena conferir.
Em agosto, contando com uma eventual vitória de Alckmin nas eleições, Bornhausen disse que estaria livre dessa "raça" pelos próximos 30 anos - a tal "raça" seria o PT. Em artigo publicado na Carta Maior, Sador chamou o senador de racista. Daí o motivo do processo, que resultou na condenação do sociólogo à perda de seu cargo de professor na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e a um ano de detenção, em regime aberto, conversível à prestação de serviços à comunidade. Um abaixo-assinado em solidariedade a Emir foi criado e já conta com mais de dez mil nomes, incluindo gente como Chico Buarque e Oscar Niemeyer. Se você quiser assinar, clique aqui.
No blog, o esquerdista Sader faz uma série de análises que nos ajudam a driblar o discurso predominante da grande mídia. Ah, os blogs! São eles que nos salvam. Vale muito a pena conferir.
segunda-feira, novembro 6
Ensinamento das escolas do futuro
Se ainda houver humanidade daqui a uns 120 anos, as escolas poderão ensinar aos alunos que pelo Brasil passaram três modelos de escravidão, aqui chamadas de Pré-Arcaica, Arcaica e Moderna.
A Escravidão Pré-Arcaica, dirão, começou a ser vivida nos anos que sucederam a ocupação branca do país, em 1.500. Foi uma época que, numa cruel sede colonizadora, os europeus chegaram à América trazendo consigo a pólvora, e com ela o quase extermínio dos humanos aqui encontrados.
- Mas professora - poderá peguntar um aluno - quando teve início o primeiro tipo de escravidão?
- Teve início quando os brancos resolveram escravizar os nativos, que não aguentavam a escravidão por muito tempo e morriam pelo desgaste físico, pelas doenças trazidas pelos colonizadores e por tristeza. Eram chamados de preguiçosos pelos escravizadores...
Tendo em vista que os escravos pré-arcaicos não vinham correspondendo às expectativas, os brancos começaram a pensar em outras possibilidades. A melhor delas foi excursionar à Africa e arrancar os negros que lá viviam para fazê-los trabalhar à força no Novo Mundo. Tem início a Escravidão Arcaica.
- No século 19 - dirá a professora - uma princesa chamada Isabel determinou o fim da Escravidão Arcaica. Os negros estavam livres novamente. Mas imaginem vocês, aluninhos, que eles estavam sem terras para plantar, sem casa para morar e aculturados. A solução encontrada por muitos foi voltar à subserviência dos senhores.
Eis que em meados do século 20 tem início a Escravidão Moderna.
- A Escravidão Moderna foi abolida há pouco mais de trinta anos, vocês ainda nem tinham nascido. Nela, o escravo deixa de não ganhar nada pelo trabalho realizado e passa a ser recompensado financeiramente.
- Mas professora, se eles recebiam pelo trabalho, por que eram escravos?
- Porque, assim como nos dois momentos anteriores de escravidão, os escravos modernos trabalhavam demais. Recebiam de menos, pouco, muito menos que o justo. Os negros arcaicos não ganhavam nada e moravam em senzalas, enquanto os senhores ganhavam muito e moravam nas casas-grande. O escravo moderno ganhava pouco e morava nos morros e nas periferias, enquanto os patrões ganhavam 100, 200, 300, 1.000 vezes mais e se esbaldavam nas mansões e prédios de luxo.
A professora prosseguirá:
- Aquilo que a sociedade do passado chamava de classe média, uma parcela da população que não era nem rica nem pobre, era como os capatazes do período arcaico. Os capatazes não eram escravos nem senhores, mas odiavam os escravos e cultuavam os senhores.
A Escravidão Pré-Arcaica, dirão, começou a ser vivida nos anos que sucederam a ocupação branca do país, em 1.500. Foi uma época que, numa cruel sede colonizadora, os europeus chegaram à América trazendo consigo a pólvora, e com ela o quase extermínio dos humanos aqui encontrados.
- Mas professora - poderá peguntar um aluno - quando teve início o primeiro tipo de escravidão?
- Teve início quando os brancos resolveram escravizar os nativos, que não aguentavam a escravidão por muito tempo e morriam pelo desgaste físico, pelas doenças trazidas pelos colonizadores e por tristeza. Eram chamados de preguiçosos pelos escravizadores...
Tendo em vista que os escravos pré-arcaicos não vinham correspondendo às expectativas, os brancos começaram a pensar em outras possibilidades. A melhor delas foi excursionar à Africa e arrancar os negros que lá viviam para fazê-los trabalhar à força no Novo Mundo. Tem início a Escravidão Arcaica.
- No século 19 - dirá a professora - uma princesa chamada Isabel determinou o fim da Escravidão Arcaica. Os negros estavam livres novamente. Mas imaginem vocês, aluninhos, que eles estavam sem terras para plantar, sem casa para morar e aculturados. A solução encontrada por muitos foi voltar à subserviência dos senhores.
Eis que em meados do século 20 tem início a Escravidão Moderna.
- A Escravidão Moderna foi abolida há pouco mais de trinta anos, vocês ainda nem tinham nascido. Nela, o escravo deixa de não ganhar nada pelo trabalho realizado e passa a ser recompensado financeiramente.
- Mas professora, se eles recebiam pelo trabalho, por que eram escravos?
- Porque, assim como nos dois momentos anteriores de escravidão, os escravos modernos trabalhavam demais. Recebiam de menos, pouco, muito menos que o justo. Os negros arcaicos não ganhavam nada e moravam em senzalas, enquanto os senhores ganhavam muito e moravam nas casas-grande. O escravo moderno ganhava pouco e morava nos morros e nas periferias, enquanto os patrões ganhavam 100, 200, 300, 1.000 vezes mais e se esbaldavam nas mansões e prédios de luxo.
A professora prosseguirá:
- Aquilo que a sociedade do passado chamava de classe média, uma parcela da população que não era nem rica nem pobre, era como os capatazes do período arcaico. Os capatazes não eram escravos nem senhores, mas odiavam os escravos e cultuavam os senhores.
quarta-feira, novembro 1
O tom do verão
Findadas as eleições, a bola da vez estão sendo as acusações de que o governo, seguidamente, viria tentando intimidar o trabalho da imprensa. Há dois dias, militantes do PT teriam hostilizado e agredido com bandeirinhas alguns jornalistas que estavam trabalhando na frente do Palácio da Alvorada. Ontem, em sua coluna na Folha, Renata Lo Prete escreveu que o presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, teria dito que a imprensa deveria "pedir desculpas" pela cobertura feita ao longo das eleições.
Também recentemente, um delegado da Polícia Federal, durante depoimento de cinco repórteres da revista Veja à instituição, teria dado qualidade de suspeito aos jornalistas, que estavam ali na condição de testemunhas. A oposição tratou a suposta intimidação como um "risco à liberdade de imprensa". A OAB "condenou" o suposto acontecimento.
A violência, pra mim, tem que ser condenada sempre, e os militantes do PT erraram feio se realmente agrediram os jornalistas. Renata Lo Prete mentiu quando falou da suposta afirmação do presidente do PT. Numa matéria publicada na mesma Folha, há apenas algumas páginas à frente, vemos que Marco Aurélio Garcia disse que a imprensa deveria fazer uma auto-reflexão sobre a cobertura das eleições, não pedir desculpas por ela.
Em se tratando de Veja, e ainda mais com as "condenações" da oposição e da OAB, fica difícil acreditar que o tal delegado realmente intimidou os repórteres. "Intimidações à liberdade de imprensa": esse é o tom da moda!
Também recentemente, um delegado da Polícia Federal, durante depoimento de cinco repórteres da revista Veja à instituição, teria dado qualidade de suspeito aos jornalistas, que estavam ali na condição de testemunhas. A oposição tratou a suposta intimidação como um "risco à liberdade de imprensa". A OAB "condenou" o suposto acontecimento.
A violência, pra mim, tem que ser condenada sempre, e os militantes do PT erraram feio se realmente agrediram os jornalistas. Renata Lo Prete mentiu quando falou da suposta afirmação do presidente do PT. Numa matéria publicada na mesma Folha, há apenas algumas páginas à frente, vemos que Marco Aurélio Garcia disse que a imprensa deveria fazer uma auto-reflexão sobre a cobertura das eleições, não pedir desculpas por ela.
Em se tratando de Veja, e ainda mais com as "condenações" da oposição e da OAB, fica difícil acreditar que o tal delegado realmente intimidou os repórteres. "Intimidações à liberdade de imprensa": esse é o tom da moda!
segunda-feira, outubro 30
O que eu espero
Se não tivesse justificado, eu teria votado no presidente reeleito. Já disse em outro post que, na minha opinião, os grandes problemas do país - fome e miséria - só serão resolvidos com medidas de longo prazo. Contudo, se você não der comida pro faminto e renda pro miserável (um é o outro, na verdade), medidas de curto prazo, eles não terão condições de sentar na sala de aula e de alugar a força de trabalho. Por isso eu teria votado no Lula, por ele ter implantado os tão criticados Fome Zero e Bolsa Família: formas mínimas de distribuição da tão concentrada renda brasileira.
Agora que as medidas de curto prazo foram tomadas, que o peixe foi dado, chegou a hora de investir nas soluções de longo prazo: emprego e educação, principalmente. Chegou a hora de ensinar a pescar. É isso que definitivamente vai incluir o excluídos e diminuir o abismo entre os poucos com muito e os muitos com pouco. É isso que eu espero do governo reeleito.
Agora que as medidas de curto prazo foram tomadas, que o peixe foi dado, chegou a hora de investir nas soluções de longo prazo: emprego e educação, principalmente. Chegou a hora de ensinar a pescar. É isso que definitivamente vai incluir o excluídos e diminuir o abismo entre os poucos com muito e os muitos com pouco. É isso que eu espero do governo reeleito.
quinta-feira, outubro 26
Jornalismo
Assim como a Mãe Diná, o Estadão está vendo o futuro. Até aí, tudo bem. O problema é publicar matéria sobre tais visões como se elas fossem fatos. Atentem-se: suposições, visões e premonições são apenas suposições, visões e premonições.
Título de uma das matérias da edição de hoje, 26 de outubro:
"Lorenzetti vai admitir que queria dossiê, mas de graça".
Trechos da matéria:
"Jorge Lorenzetti (...) afirmará aos deputados..."
"A versão seguirá o mesmo roteiro..."
"Lorenzetti dirá aos parlamentares..."
"Segundo afirmará o churrasqueiro..."
Mais um pouco:
"Lorenzetti dirá que ouviu dos emissários que haveria..."
"Lorenzetti dirá ainda que os dois..."
"Lorenzetti afirmará que descartou..."
"Mais uma vez ele dirá..."
"Assim, ele sustentará..."
"Também dirá que..."
Essa é a nova maneira de se fazer jornalismo!
Título de uma das matérias da edição de hoje, 26 de outubro:
"Lorenzetti vai admitir que queria dossiê, mas de graça".
Trechos da matéria:
"Jorge Lorenzetti (...) afirmará aos deputados..."
"A versão seguirá o mesmo roteiro..."
"Lorenzetti dirá aos parlamentares..."
"Segundo afirmará o churrasqueiro..."
Mais um pouco:
"Lorenzetti dirá que ouviu dos emissários que haveria..."
"Lorenzetti dirá ainda que os dois..."
"Lorenzetti afirmará que descartou..."
"Mais uma vez ele dirá..."
"Assim, ele sustentará..."
"Também dirá que..."
Essa é a nova maneira de se fazer jornalismo!
terça-feira, outubro 24
De lá e de cá
Primeiro, petistas chamaram Geraldo Alckmin de Pinochet, o ditador chileno. Diziam que só mesmo um regime ditatorial seria capaz de solucionar tão rapidamente os casos investigados pelas instituições. Agora, tucanos chamam petistas de nazistas. Dizem que a máxima do ministro da propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, "uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade", vem sendo usada pelos governistas nas críticas às privatizações já realizadas e às que viriam a rechear o mandato alckimista.
quinta-feira, outubro 19
Outra tese, melhor
Sugeri, dois posts abaixo, que o crescente desempenho lulista nas pesquisas deve-se ao aparecimento mais constante do presidente nos debates e entrevistas corridas, ao vivo. Em sua coluna na Folha de hoje, Janio de Freitas levanta uma tese mais pertinente que a minha, a de que o sapão vem sendo beneficiado pelos votos migrantes de Heloísa Helena e dos eleitores esquerdistas de Cristovam Buarque. Ora, "em quem votariam tais eleitores senão em Lula, sendo eles parte do segmento de mais firme consciência política no eleitorado?". O antigo PCB, diz Janio, aderiu à candidatura Alckmin devido à "velha gana anti-Lula e anti-PT (...) Ao que mais seja ainda chamado de esquerda só resta invalidar o voto ou engrossar o índice de Lula".
quarta-feira, outubro 18
O criminoso e a prova do crime
Estação Liberdade do metrô. Alex interrompe sua leitura devido à proximidade da estação Sé e coloca a prova do crime sobre o colo. De canto de olho, o Anônimo sentado no assento ao lado lê os escritos da tal prova. Estupefato, Anônimo ameaça olhar, também de canto de olho, para o rosto do criminoso. Desiste.
"Estação Sé, desembarque pelo lado esquerdo do trem", anuncia o maquinista. Alex levanta, Anônimo também: momento ideal para que o segundo possa olhar no olho e vislumbrar o rosto do criminoso. É o que acontece. As portas se abrem. Alex vai para um lado e o Anômino segue para o anonimato.
A "prova do crime" é a revista CartaCapital. Os "escritos", a manchete de capa (A trama que levou ao segundo turno) e o subtítulo (A partir da trapalhada do PT, a mídia, em especial a Rede Globo, beneficiou o candidato tucano de forma decisiva, às vésperas das eleições presidencias, com a divulgação das fotos do dinheiro e a ocultação de informações cruciais na cobertura do escândalo do dossiê).
"Estação Sé, desembarque pelo lado esquerdo do trem", anuncia o maquinista. Alex levanta, Anônimo também: momento ideal para que o segundo possa olhar no olho e vislumbrar o rosto do criminoso. É o que acontece. As portas se abrem. Alex vai para um lado e o Anômino segue para o anonimato.
A "prova do crime" é a revista CartaCapital. Os "escritos", a manchete de capa (A trama que levou ao segundo turno) e o subtítulo (A partir da trapalhada do PT, a mídia, em especial a Rede Globo, beneficiou o candidato tucano de forma decisiva, às vésperas das eleições presidencias, com a divulgação das fotos do dinheiro e a ocultação de informações cruciais na cobertura do escândalo do dossiê).
Apareça e levarás
Foi só depois do aparecimento mais constante (e não editado) do presidente Lula na mídia que seu desempenho nas pesquisas passou a crescer continuamente, embora, desde o início da corrida eleitoral, ele esteja na frente nas intenções de voto. Assim, seu desafio sempre foi manter o posto. O de Alckmin, bem mais difícil, é tirar votos do sapão e trazê-los para si.
Lula, ao longo dos quase quatro anos de governo, evitou entrevistas coletivas, de estúdio e os dois primeiros debates. A imagem que muitos fizeram dele acabou sendo moldada pelas matérias editadas da grande e facciosa mídia brazuca.
Quando resolveu aparecer num debate ao vivo, de quase três horas, nas entrevistas das principais rádios e no programa Roda Viva, seu indíce nas pesquisas apenas subiu. Subiu na primeira pesquisa pós-debate - o mesmo debate que a grande imprensa atribuiu vitória ao tucano - e subiu na pesquisa Datafolha divulgada hoje. Coincidência?
Lula, ao longo dos quase quatro anos de governo, evitou entrevistas coletivas, de estúdio e os dois primeiros debates. A imagem que muitos fizeram dele acabou sendo moldada pelas matérias editadas da grande e facciosa mídia brazuca.
Quando resolveu aparecer num debate ao vivo, de quase três horas, nas entrevistas das principais rádios e no programa Roda Viva, seu indíce nas pesquisas apenas subiu. Subiu na primeira pesquisa pós-debate - o mesmo debate que a grande imprensa atribuiu vitória ao tucano - e subiu na pesquisa Datafolha divulgada hoje. Coincidência?
quarta-feira, outubro 11
O contraste
No domingo, infelizmente, acabei pegando o debate a partir do terceiro bloco. Ao final, fiquei satisfeito. Conclui que houve um empate técnico, embora, talvez por ser contrário ao PSDB, tenha achado que o Lula levou ligeira vantagem. Penso que o sapo barbudo foi convicente nas réplicas, tréplicas e respostas às duras perguntas do picolé. Achei, contudo, que o petista deu uma bela titubeada quando perguntado sobre as supostas privatizações previstas pelo tucano em seu plano de governo. Também achei que o Alckmin foi bem. Trouxe à tona a questão da corrupção disparando a metranca giratória na direção do até então blindado (não pela mídia) presidente.
Nos dois dias seguintes ao debate, li nos jornais e ouvi no rádio opiniões que contrastavam bastante com a minha. Editorial da Folha, coluna do Clóvis Rossi, comentários da CBN de Arnaldo Jabour, Mirian Leitão e ...... Lúcia Hippólito - como tenho aversão a essa mulher; pra quem não lembra, ela fez parte das "Meninas do Jô", atração já extinta do programa do quibe às quartas-feiras. Mas minha antipatia por ela ocorre por outros motivos. Enfim, todas essas pessoas diziam que o Alckmin foi o dono do debate, que sua postura firme desnorteara o presidente, principalmente nos dois primeiros blocos, justamente aqueles que eu não havia assistido. "Cacete, preciso ver esses blocos de algum jeito", pensava eu. Recorri ao bom e "velho" You Tube, onde achei apenas o primeiro. Nele, novamente vi um equilíbrio grande entre os dois candidatos, com Alckmin mandando ver nas perguntas e Lula se saindo bem nas respostas. Assim, de onde aqueles jornalistas tiraram que o Alckmin foi tão superior ao Lula? O Mino Carta e o Escriba Jorge, no excelente texto "Nas cordas e vencendo", compartilham da minha opinião.
Hoje, a primeira pesquisa pós-debate publicada pela Folha mostrou que o Alckmin caiu e que o Lula subiu, inclusive "entre os eleitores mais escolarizados e de maior renda, justamente os segmentos onde a audiência e o acesso às repercussões do debate foram maiores". Ué, mas o picolé Exterminador não havia dado show no sapo Smeagol?
Pelo jeito, a visão dos (de)formadores de opinião andam contrastando bastante com aquilo que vêem os reles mortais. Como diz o novamente citado Mino, vivemos diante da mídia mais facciosa do mundo.
Ps.: 0 Alckmin diz que, se eleito, vai chamar a responsabilidade pra si e virar o capitão da luta contra o crime. Nesta entrevista ao programa Dateline, da tevê australiana SBS, a responsa não foi chamada.
Nos dois dias seguintes ao debate, li nos jornais e ouvi no rádio opiniões que contrastavam bastante com a minha. Editorial da Folha, coluna do Clóvis Rossi, comentários da CBN de Arnaldo Jabour, Mirian Leitão e ...... Lúcia Hippólito - como tenho aversão a essa mulher; pra quem não lembra, ela fez parte das "Meninas do Jô", atração já extinta do programa do quibe às quartas-feiras. Mas minha antipatia por ela ocorre por outros motivos. Enfim, todas essas pessoas diziam que o Alckmin foi o dono do debate, que sua postura firme desnorteara o presidente, principalmente nos dois primeiros blocos, justamente aqueles que eu não havia assistido. "Cacete, preciso ver esses blocos de algum jeito", pensava eu. Recorri ao bom e "velho" You Tube, onde achei apenas o primeiro. Nele, novamente vi um equilíbrio grande entre os dois candidatos, com Alckmin mandando ver nas perguntas e Lula se saindo bem nas respostas. Assim, de onde aqueles jornalistas tiraram que o Alckmin foi tão superior ao Lula? O Mino Carta e o Escriba Jorge, no excelente texto "Nas cordas e vencendo", compartilham da minha opinião.
Hoje, a primeira pesquisa pós-debate publicada pela Folha mostrou que o Alckmin caiu e que o Lula subiu, inclusive "entre os eleitores mais escolarizados e de maior renda, justamente os segmentos onde a audiência e o acesso às repercussões do debate foram maiores". Ué, mas o picolé Exterminador não havia dado show no sapo Smeagol?
Pelo jeito, a visão dos (de)formadores de opinião andam contrastando bastante com aquilo que vêem os reles mortais. Como diz o novamente citado Mino, vivemos diante da mídia mais facciosa do mundo.
Ps.: 0 Alckmin diz que, se eleito, vai chamar a responsabilidade pra si e virar o capitão da luta contra o crime. Nesta entrevista ao programa Dateline, da tevê australiana SBS, a responsa não foi chamada.
quarta-feira, outubro 4
Intolerância política
Se você milita por algum partido político, é filiado, participa das manifestações, encontros e debates dele, é até entendível que você seja, digamos, intolerante em relação aos partidos e canditados que se opõem à sua agremiação. Entendo, não concordo. Mas se você não tem filiação partidária e fica com a bunda na cadeira o dia inteiro sem fazer nada para melhorar o lugar onde vive, por que você é tão intransigente e extremista em relação às posições políticas contrárias às suas? Use sua energia e faço algo pelo país, ao invés de apenas trabalhar democraticamente de quatro em quatro anos!
sexta-feira, setembro 15
Rogério Ceni e o meu presente
O Rogério Ceni tomou atitudes inusitadas ontem, no Morumbi, depois da derrota que sacramentou o tri-vice campeonato do São Paulo na temporada. Inusitadas para não falar anti-desportiva e desrespeitosa.
Primeiro, o fato: o empate de 2x2 contra o Boca Juniors garantiu o título da Recopa aos argentinos, que ganharam o primeiro jogo, em Buenos Aires, por 2x1. Os hermanos venceram na bola e empataram na bola, não no apito. Sendo assim, nada explica a atitude do goleiro, que logo após ter recebido a medalha de prata tirou-a abruptamente do pescoço, como se ela nada representasse. Será que se o São Paulo tivesse ganho o primeiro jogo e empatado o segundo, ambos na bola, como fez o Boca, ele teria feito o mesmo?
Esta foi a atitude anti-desportiva. A pior, a desrespeitosa, veio em seguida: Rogério chegou perto do fosso que separa a arquibancada do campo e atirou a medalha pra torcida são-paulina. Presumi-se pela primeira atitude que o prêmio pela segunda colocação não vale nada pro goleiro, não representa coisa alguma. "Toma aí, torcedor são-paulino! Fique com este objeto que pra mim não vela nada, por isso me desfaço dele. Pra vocês pode representar alguma coisa".
Atitudes Rogério Cenísticas à parte, a derrota do São Paulo foi um presente de aniversário que o Boca me deu!
Primeiro, o fato: o empate de 2x2 contra o Boca Juniors garantiu o título da Recopa aos argentinos, que ganharam o primeiro jogo, em Buenos Aires, por 2x1. Os hermanos venceram na bola e empataram na bola, não no apito. Sendo assim, nada explica a atitude do goleiro, que logo após ter recebido a medalha de prata tirou-a abruptamente do pescoço, como se ela nada representasse. Será que se o São Paulo tivesse ganho o primeiro jogo e empatado o segundo, ambos na bola, como fez o Boca, ele teria feito o mesmo?
Esta foi a atitude anti-desportiva. A pior, a desrespeitosa, veio em seguida: Rogério chegou perto do fosso que separa a arquibancada do campo e atirou a medalha pra torcida são-paulina. Presumi-se pela primeira atitude que o prêmio pela segunda colocação não vale nada pro goleiro, não representa coisa alguma. "Toma aí, torcedor são-paulino! Fique com este objeto que pra mim não vela nada, por isso me desfaço dele. Pra vocês pode representar alguma coisa".
Atitudes Rogério Cenísticas à parte, a derrota do São Paulo foi um presente de aniversário que o Boca me deu!
quinta-feira, setembro 14
Em busca da agulha negra
Quando os presidentes dos Estado pobres são fruto da maioria absoluta da população do país que governam, os desfavorecidos vislumbram uma agulha de esperança em meio ao palheiro de desigualdade.
Na Bolívia, nação de maioria indígena, o presidente indígena vem sacudindo a política externa sul-americana e causando calafrios à boa parte da mídia brasileira. Com isso, um projeto repugnado pelo sistema vem sendo moldado e o talvez mais pobre país do cone sul começa a enxergar uma luz no fim do túnel.
No Brasil, um presidente que não provêm da massa miserável foi o governante por oito anos consecutivos. Estudado, intelectualizado, "estadista", foi ele a agulha? Sei que a desestatização foi grande.
Em 2002, um presidente com a cara dos milhões tomou posse e frustrou boa parte dos eleitores. Não é estudado nem intelectualizado, assim como a imensa maioria. À vista da classe média, pouco fez. À massa, ele é a agulha, pois trouxe a solução de curto prazo.
Na Bolívia, nação de maioria indígena, o presidente indígena vem sacudindo a política externa sul-americana e causando calafrios à boa parte da mídia brasileira. Com isso, um projeto repugnado pelo sistema vem sendo moldado e o talvez mais pobre país do cone sul começa a enxergar uma luz no fim do túnel.
No Brasil, um presidente que não provêm da massa miserável foi o governante por oito anos consecutivos. Estudado, intelectualizado, "estadista", foi ele a agulha? Sei que a desestatização foi grande.
Em 2002, um presidente com a cara dos milhões tomou posse e frustrou boa parte dos eleitores. Não é estudado nem intelectualizado, assim como a imensa maioria. À vista da classe média, pouco fez. À massa, ele é a agulha, pois trouxe a solução de curto prazo.
quarta-feira, setembro 13
WTC e PCC
Não sei se é pecado. Acho que não. Mas também se for, bulhufas. O fato é que determinados acontecimentos da história recente - a queda do World Trade Center em Nova York e o dia dos caos em São Paulo, pra ser mais preciso - me deixam excitados.
As imagens dos aviões se chocando contra as torres gêmeas prendem a minha atenção, me deixam tenso. Fico intrigado. Acho que excitado é a melhor palavra. Não, eu não odeio os americanos a ponto de legitimar a ação do Bin Laden. Afinal, a conta pela política expansionista, imperialista e terrorista adotada pelo Walker Bush não pode ser paga pelos civis americanos, embora muitos deles a apoiem. Assim como os centenas de civis afegãos, iraquianos e palestinos não poderiam ter pago pela atuação dos fundamentalistas de seus países. É claro que as justificativas oficiais tanto para terrorismo de Estado praticado por um quanto para o terrorismo tradicional executado pelo outro são falsas. A minha visão sobre as verdadeiras razões dos conflitos entre ocidente e oriente estão mais ou menos explicadas aqui.
Lembro que na época do 11 de setembro de 2001 surgiu a hipótese de que os ataques teriam sido encomendados pelo próprio Bush, pois assim ele teria legitimidade para comandar as invasões no Oriente Médio. É óbvio que a insanidade do cowboy não chegaria a tanto, mas os ataques às torres legitimaram, pelo menos para a maioria do povo americano, não pra mim nem pra você, a mortandade no Afeganistão.
Dia 29 de setembro estréia nos cinemas brasileiros o filme "As Torres Gêmeas", de Oliver Stone. Pelo que podemos ver no trailler, vai ser mais uma daquelas babações americanas que exaltam o patriotismo e os "heróis" mortos, como se as vidas das quase quatro mil vítimas do Bin Laden valessem mais do que as das milhares de vítimas diárias do Bush no Oriente Médio.
No Brasil, o dia em que o PCC deixou em pânico boa parte dos dez milhões de habitantes de São Paulo também me excitou. Novamente, não sei explicar ao certo o por quê.
Acho que a explicação mais próxima para a minha agitação em relação aos dois casos seja, talvez, a confusão que tudo isso causa na cabeça das pessoas, os questinamentos, o medo, a expectativa por uma nova ação, a mudança na rotina, a insegurança...
Foram dias diferentes, pena que trágicos.
As imagens dos aviões se chocando contra as torres gêmeas prendem a minha atenção, me deixam tenso. Fico intrigado. Acho que excitado é a melhor palavra. Não, eu não odeio os americanos a ponto de legitimar a ação do Bin Laden. Afinal, a conta pela política expansionista, imperialista e terrorista adotada pelo Walker Bush não pode ser paga pelos civis americanos, embora muitos deles a apoiem. Assim como os centenas de civis afegãos, iraquianos e palestinos não poderiam ter pago pela atuação dos fundamentalistas de seus países. É claro que as justificativas oficiais tanto para terrorismo de Estado praticado por um quanto para o terrorismo tradicional executado pelo outro são falsas. A minha visão sobre as verdadeiras razões dos conflitos entre ocidente e oriente estão mais ou menos explicadas aqui.
Lembro que na época do 11 de setembro de 2001 surgiu a hipótese de que os ataques teriam sido encomendados pelo próprio Bush, pois assim ele teria legitimidade para comandar as invasões no Oriente Médio. É óbvio que a insanidade do cowboy não chegaria a tanto, mas os ataques às torres legitimaram, pelo menos para a maioria do povo americano, não pra mim nem pra você, a mortandade no Afeganistão.
Dia 29 de setembro estréia nos cinemas brasileiros o filme "As Torres Gêmeas", de Oliver Stone. Pelo que podemos ver no trailler, vai ser mais uma daquelas babações americanas que exaltam o patriotismo e os "heróis" mortos, como se as vidas das quase quatro mil vítimas do Bin Laden valessem mais do que as das milhares de vítimas diárias do Bush no Oriente Médio.
No Brasil, o dia em que o PCC deixou em pânico boa parte dos dez milhões de habitantes de São Paulo também me excitou. Novamente, não sei explicar ao certo o por quê.
Acho que a explicação mais próxima para a minha agitação em relação aos dois casos seja, talvez, a confusão que tudo isso causa na cabeça das pessoas, os questinamentos, o medo, a expectativa por uma nova ação, a mudança na rotina, a insegurança...
Foram dias diferentes, pena que trágicos.
quinta-feira, setembro 7
Um dia na Europa. No Brasil
Dizem que Campos do Jordão é a "Suiça Brasileira", "a mais européia das cidades paulistas" - bordões que, inclusive, eu já usei em algumas matérias. Quando estive lá pela primeira vez, em maio restrasado, achei tudo muito bacana, tudo muito legal. Agora, a trabalho, mudei um pouco de opinião.
Eu não sei porque toda essa influência européia na cidade. Quer dizer, fiquei sabendo agora: o motorista me disse que é por causa do clima, da localização em meio às montanhas. Deve ser. Mas daí à cidade não criar uma identidade própria e adotar um aspecto europeu, eu já não acho muito legal. Isso a torna artificial. Será que existe no Velho Continente uma cidade que se propõe a ser sul-americana?
Campos do Jordão parece uma cidade montada, como se fosse um brinquedo, daqueles que você tira da caixa, lê as instruções no papelzinho que vem junto e começa a montar. A imposição de tornar européia a arquitetura do município faz com que algumas casas e portais pareçam de plástico.
Por outro lado, Campos tem aspectos bem interessantes: organização, limpeza, bons hotéis e restaurantes. A harmonia com a natureza também é bem bacana. De acordo com o guia, é proibido desmatar para construir. Os imóveis só podem ser erguidos nas partes "peladas" dos morros. Até onde isso é respeitado, eu já não sei.
Eu não sei porque toda essa influência européia na cidade. Quer dizer, fiquei sabendo agora: o motorista me disse que é por causa do clima, da localização em meio às montanhas. Deve ser. Mas daí à cidade não criar uma identidade própria e adotar um aspecto europeu, eu já não acho muito legal. Isso a torna artificial. Será que existe no Velho Continente uma cidade que se propõe a ser sul-americana?
Campos do Jordão parece uma cidade montada, como se fosse um brinquedo, daqueles que você tira da caixa, lê as instruções no papelzinho que vem junto e começa a montar. A imposição de tornar européia a arquitetura do município faz com que algumas casas e portais pareçam de plástico.
Por outro lado, Campos tem aspectos bem interessantes: organização, limpeza, bons hotéis e restaurantes. A harmonia com a natureza também é bem bacana. De acordo com o guia, é proibido desmatar para construir. Os imóveis só podem ser erguidos nas partes "peladas" dos morros. Até onde isso é respeitado, eu já não sei.
quarta-feira, agosto 30
Sim
"Não é preciso espremer as meninges para entender que a democracia é inviável em um país tão desigual, onde o povo traz no lombo a marca do chicote da escravidão e a mídia se empenha compactamente para entorpecer os espíritos e obnubilar as consciências. E a democracia é inviável onde não há partidos autênticos, e sim clubes recreativos dos donos do poder. Estamos às vésperas das eleições presidenciais e, pelo retrospecto dos últimos anos, já sabemos ser tolice esperar por mudanças substanciais, ganhem gregos ou troianos."
Mino Carta
Mino Carta
terça-feira, agosto 29
Quem tem fome tem pressa
Acredito que as medidas capazes de solucionar alguns de nossos principais problemas sociais deveriam vir a curto e longo prazo. Violência, por exemplo: a utopia de vê-la praticamente exterminada só seria atingida após um longo processo de investimento na educação. Só a boa e acessível educação poderia fazer com que as futuras gerações não decidam pela tentadora opção do crime. Somente ela tornaria desnecessária a construção de novos presídios, o aumento de policiais nas ruas, a melhoria no armamento, o investimento em inteligência e outras tantas ações de curto prazo que atualmente se fazem necessárias.
Esta mesma educação poderia fazer com que, lá na frente, as futuras gerações não precisem de importantes ações de curto prazo como o bolsa-família, que possibilita o acesso imediato de muitos às necessidades básicas.
O problema é o uso que se faz de todas essas ações instantâneas. Mas essa é uma outra discussão. O fato é que, se medidas de longo prazo não forem tomadas, teremos que continuar construindo presídios, aumentando o número de policiais nas ruas, melhorando armamento, fornecendo bolsas-famílias, etc, etc, etc.
Esta mesma educação poderia fazer com que, lá na frente, as futuras gerações não precisem de importantes ações de curto prazo como o bolsa-família, que possibilita o acesso imediato de muitos às necessidades básicas.
O problema é o uso que se faz de todas essas ações instantâneas. Mas essa é uma outra discussão. O fato é que, se medidas de longo prazo não forem tomadas, teremos que continuar construindo presídios, aumentando o número de policiais nas ruas, melhorando armamento, fornecendo bolsas-famílias, etc, etc, etc.
sexta-feira, agosto 18
Só faltam dois!
Certa vez, um colombiano me perguntou se eu conhecia a Amazônia, Foz do Iguaçu e o Rio de Janeiro, três dos principais cartões-postais do Brasil. Me senti um tanto constrangido com a minha negativa. Afinal, estes são lugares que todos deveriam conhecer um dia, principalmente nós, brasileiros. Não à toa, muita gente pisa nas terras verde-e-amarelas afim de conhecê-los. À toa, muitos brasileiros desembarcam pelo mundo sem nunca tê-los visto.
Eis que nesse fim de semana eu estive no Rio e vi que a cidade é bacana mesmo: ruas arborizadas, bairros interessantes, gente bem humorada e assim por diante. O almoço seguido de fim de tarde no Arpuador foi show de bola.
Falando em bola, o jogo do Flamengo no Maraca contra a Ponte decepcionou pela qualidade, mas a tradição do maior do mundo sempre valerá o passeio. Interessante dizer que, mesmo com apenas 18 mil pessoas no estádio, a principal torcida organizada do mengão fez um barulho razoável, já que a cobertura do Maracanã meio que não deixa o som se perder no ar, ao contrário do que acontece no Morumbi. Só pra constar: eu já havia estado no Maracanã um vez, em 2002, na semi-final do Brasileiro. Dez mil corintianos lá. Perdemos de um a zero com gol de Romário e com pênalti perdido pelo pançudo do Guilherme!
Calçadas e areia sujas, a praia de Copacabana foi a única decepção da viagem. Me pareceu decadente. Na segunda-feira de manhã, dia em fomos embora, um português foi morto a facadas lá, por um cara que queria roubar a mochila dele. E pensar que, em Copacabana, eu andei o tempo todo com a minha mochilinha de paulista nas costas.
O saldo foi bem positivo, voltarei quando puder!

Almoçar olhando pra isso... Sou mais um churrasquinho grego na Sé.
Eis que nesse fim de semana eu estive no Rio e vi que a cidade é bacana mesmo: ruas arborizadas, bairros interessantes, gente bem humorada e assim por diante. O almoço seguido de fim de tarde no Arpuador foi show de bola.
Falando em bola, o jogo do Flamengo no Maraca contra a Ponte decepcionou pela qualidade, mas a tradição do maior do mundo sempre valerá o passeio. Interessante dizer que, mesmo com apenas 18 mil pessoas no estádio, a principal torcida organizada do mengão fez um barulho razoável, já que a cobertura do Maracanã meio que não deixa o som se perder no ar, ao contrário do que acontece no Morumbi. Só pra constar: eu já havia estado no Maracanã um vez, em 2002, na semi-final do Brasileiro. Dez mil corintianos lá. Perdemos de um a zero com gol de Romário e com pênalti perdido pelo pançudo do Guilherme!
Calçadas e areia sujas, a praia de Copacabana foi a única decepção da viagem. Me pareceu decadente. Na segunda-feira de manhã, dia em fomos embora, um português foi morto a facadas lá, por um cara que queria roubar a mochila dele. E pensar que, em Copacabana, eu andei o tempo todo com a minha mochilinha de paulista nas costas.
O saldo foi bem positivo, voltarei quando puder!

Almoçar olhando pra isso... Sou mais um churrasquinho grego na Sé.
quarta-feira, agosto 9
A aula de Bush*
O presidente americano George Bush, querendo aumentar sua popularidade, vai a uma escolinha explicar sua plataforma de governo. Pede, então, para que as crianças façam perguntas. O pequeno Bob levanta a mão:
- Presidente, tenho três perguntas:
1. Por que o senhor, mesmo perdendo nas urnas, ganhou a eleição?
2. Por que o senhor atacou o Iraque sem motivos?
3. O senhor não acha que a bomba de Hiroshima foi o maior ataque terrorista da história?
Nesse momento, soa a campainha do recreio, e todos os alunos saem da sala. Na volta, Bush mais uma vez convida as crianças a perguntarem, e Joey levanta a mão:
- Tenho cinco perguntas:
1. Por que o senhor, mesmo perdendo nas urnas, ganhou a eleição?
2. Por que o senhor atacou o Iraque sem motivos?
3. O senhor não acha que a bomba de Hiroshima foi o maior ataque terrorista da história?
4. Por que o sinal do recreio soou 20 minutos mais cedo?
5. Cadê o Bob?

* Fábio Toneli
- Presidente, tenho três perguntas:
1. Por que o senhor, mesmo perdendo nas urnas, ganhou a eleição?
2. Por que o senhor atacou o Iraque sem motivos?
3. O senhor não acha que a bomba de Hiroshima foi o maior ataque terrorista da história?
Nesse momento, soa a campainha do recreio, e todos os alunos saem da sala. Na volta, Bush mais uma vez convida as crianças a perguntarem, e Joey levanta a mão:
- Tenho cinco perguntas:
1. Por que o senhor, mesmo perdendo nas urnas, ganhou a eleição?
2. Por que o senhor atacou o Iraque sem motivos?
3. O senhor não acha que a bomba de Hiroshima foi o maior ataque terrorista da história?
4. Por que o sinal do recreio soou 20 minutos mais cedo?
5. Cadê o Bob?

* Fábio Toneli
sexta-feira, agosto 4
The israeli
É verdade, três textos falando da guerra no Líbano é muita coisa. Se bem que dependendo do que continuar acontecendo por lá outros poderão vir.
Iddo é um israelense que eu conheci em Corumbá, Mato Grosso do Sul, na viagem que fiz em maio pra cobrir o Festival América do Sul. Foram sete dias de convivência e muita coisa aprendida.
- Em Israel os jovens passam três anos no exército, mas recebem uma espécie de salário todo mês. A maioria guarda esse dinheiro e ao término do período viaja por aí - me disse.
Antes de chegar a Corumbá, Iddo já tinha conhecido umas duas ou três cidades da Argentina. Veio pro Pantanal e, antes do Festival, passou uma semana no meio da floresta, na companhia de outras dez pessoas, a maioria gringos, sem energia elétrica, sem repelente, tomando banho de rio, dormindo em redes... Esquema mais roots impossível!
- E esse cabelão? - brinquei certa vez, me referindo ao cabelo cacheado dele, razoavelmente comprido.
- Eu não vou cortar tão cedo porque cabelo curto me lembra o exército.
Em uma outra ocasião falamos sobre o tempo, e ele me disse que não usa relógio porque relógio o remete a regras, e regras lembram o exército.
Esta semana nos encontramos no msn.
- E aí, amigo! Como está?- iniciei a conversa no meu inglês bem razoável.
- Hola, amigo. Eu estou em Cuzco, Peru. Farei uma caminhada de cinco dias chamada "Salkantay" que termina em Machu Pichu. Te mandarei as fotos.
- Pô, legal! E do Peru você vai pra onde?
- Vou pro Equador, Galápagos, depois entro no Amazônia e parto para Manaus e Belém - só pra constar: antes do Peru ele passou pela Bolívia,onde conheceu praticamente todo o país.
Aí, a minha curiosidade jornalística entrou em ação e eu toquei num assunto um tanto delicado.
- Hey, você tem visto a guerra entre Israel e o Hezbollah? - perguntei.
- Ya, not nice.
- Triste, mas isso não importa tanto pra você agora, já que está bem longe do conflito - disse o cabeça de bagre aqui.
- Nem tanto. Eu só espero que ninguem que eu conheça seja ferido. Mas uma pessoa conhecida já morreu em um acidente de helicóptero.
Essa pessoa não era uma tão próxima a ele, embora os dois tivessem estudado juntos na escola. Enquanto isso, eu ficava cada vez mais curioso.
- Sua família e amigos próximos estão perto ou até mesmo lutando na guerra?
- Não, nós estamos no centro do país, não no norte ou no sul.
- Existe a possbilidade de você ser convocado pelo exército quando voltar pra lá?
- Naaaa, eu não acredito, eles têm que me dar "a year off". Apenas me chamariam se houvesse uma guerra muito grande.
E é o que está acontecendo, principalmente para Israel. Há uns dois dias, o exército convocou 15 mil reservistas que se juntarão às tropas no Líbano.
- Eu saberei disso (se será convocado) quando voltar pra casa, em janeiro - disse ele.
- Me desculpe por falar de guerra com você, é que eu sou um curioso de primeira.
- I dont mind.
Iddo ecreveu um livro sobre a viagem pela América do Sul e está terminando um segundo, ambos em hebraico.
São por essas e outras que a gente vê que os verdadeiros filhos da puta numa guerra são aqueles caras que estão lá em cima, comandando, mandando os filhos dos outros pra batalha, e não o povo do país opressor ou até mesmo seus soldados, que muitas vezes não compartilham da causa lutada. O Iddo é um jovem como eu, como você, que ficou confinado durante três anos da juventude no exército e agora só quer saber de viver. E pensar que muitos dos caras que lutam, matam e morrem numa guerra são pessoas como ele...

São só dois os gringos: Lily e Iddo
Iddo é um israelense que eu conheci em Corumbá, Mato Grosso do Sul, na viagem que fiz em maio pra cobrir o Festival América do Sul. Foram sete dias de convivência e muita coisa aprendida.
- Em Israel os jovens passam três anos no exército, mas recebem uma espécie de salário todo mês. A maioria guarda esse dinheiro e ao término do período viaja por aí - me disse.
Antes de chegar a Corumbá, Iddo já tinha conhecido umas duas ou três cidades da Argentina. Veio pro Pantanal e, antes do Festival, passou uma semana no meio da floresta, na companhia de outras dez pessoas, a maioria gringos, sem energia elétrica, sem repelente, tomando banho de rio, dormindo em redes... Esquema mais roots impossível!
- E esse cabelão? - brinquei certa vez, me referindo ao cabelo cacheado dele, razoavelmente comprido.
- Eu não vou cortar tão cedo porque cabelo curto me lembra o exército.
Em uma outra ocasião falamos sobre o tempo, e ele me disse que não usa relógio porque relógio o remete a regras, e regras lembram o exército.
Esta semana nos encontramos no msn.
- E aí, amigo! Como está?- iniciei a conversa no meu inglês bem razoável.
- Hola, amigo. Eu estou em Cuzco, Peru. Farei uma caminhada de cinco dias chamada "Salkantay" que termina em Machu Pichu. Te mandarei as fotos.
- Pô, legal! E do Peru você vai pra onde?
- Vou pro Equador, Galápagos, depois entro no Amazônia e parto para Manaus e Belém - só pra constar: antes do Peru ele passou pela Bolívia,onde conheceu praticamente todo o país.
Aí, a minha curiosidade jornalística entrou em ação e eu toquei num assunto um tanto delicado.
- Hey, você tem visto a guerra entre Israel e o Hezbollah? - perguntei.
- Ya, not nice.
- Triste, mas isso não importa tanto pra você agora, já que está bem longe do conflito - disse o cabeça de bagre aqui.
- Nem tanto. Eu só espero que ninguem que eu conheça seja ferido. Mas uma pessoa conhecida já morreu em um acidente de helicóptero.
Essa pessoa não era uma tão próxima a ele, embora os dois tivessem estudado juntos na escola. Enquanto isso, eu ficava cada vez mais curioso.
- Sua família e amigos próximos estão perto ou até mesmo lutando na guerra?
- Não, nós estamos no centro do país, não no norte ou no sul.
- Existe a possbilidade de você ser convocado pelo exército quando voltar pra lá?
- Naaaa, eu não acredito, eles têm que me dar "a year off". Apenas me chamariam se houvesse uma guerra muito grande.
E é o que está acontecendo, principalmente para Israel. Há uns dois dias, o exército convocou 15 mil reservistas que se juntarão às tropas no Líbano.
- Eu saberei disso (se será convocado) quando voltar pra casa, em janeiro - disse ele.
- Me desculpe por falar de guerra com você, é que eu sou um curioso de primeira.
- I dont mind.
Iddo ecreveu um livro sobre a viagem pela América do Sul e está terminando um segundo, ambos em hebraico.
São por essas e outras que a gente vê que os verdadeiros filhos da puta numa guerra são aqueles caras que estão lá em cima, comandando, mandando os filhos dos outros pra batalha, e não o povo do país opressor ou até mesmo seus soldados, que muitas vezes não compartilham da causa lutada. O Iddo é um jovem como eu, como você, que ficou confinado durante três anos da juventude no exército e agora só quer saber de viver. E pensar que muitos dos caras que lutam, matam e morrem numa guerra são pessoas como ele...

São só dois os gringos: Lily e Iddo
terça-feira, agosto 1
No Líbano...
O site War on Lebanon foi criado por três libaneses atualmente no Catar. Vale a pena conferir as fotos e os pontos de vista expressos.
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